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As pesquisas brasileiras estão com um orçamento três vezes menor que há quatro anos. E as perspectivas para 2018 são ainda piores. O alerta é do presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e professor da Física da UFRJ, Ildeu de Castro Moreira. “Esse ano, ciência e tecnologia estão, na prática, com algo como R$ 3 bilhões. Para uma comparação, em 2013, nosso orçamento era de R$ 9 bilhões. Ou seja, três vezes mais”, resume o professor. Para 2018, o cenário é ainda mais preocupante. A previsão é de R$ 2,7 bilhões, valor inferior até mesmo ao teto de gastos públicos. Entre os programas mais afetados pelos cortes, Ildeu destaca os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia. “Os editais de pesquisa são fundamentais. O de 2016 ainda não foi pago em grande parte. Em 2017, não houve. E o financiamento para 2018 está fortemente ameaçado”, lamenta.

Pró-reitor de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças da universidade, Roberto Gambine informa que apenas as bolsas estudantis estão em dia e garantidas até o final do ano

A UFRJ está com um atraso de dois meses no pagamento de contratos e faturas das concessionárias. Apenas as bolsas estão em dia e garantidas até o final do ano. Esta é a situação da universidade após a última liberação de recursos do Ministério da Educação, no início do mês, informa o pró-reitor de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças, Roberto Gambine. E, para 2018, com um orçamento de custeio “congelado” na Proposta de Lei Orçamentária (PLOA), a tendência é piorar.

No último dia 5, o MEC anunciou o aumento de limite de empenho das universidades federais em 2017: de 80% para 85% do custeio e 50% para 60% do investimento. Para a UFRJ, isso representou pouco mais de R$ 3 milhões de investimento e R$ 16 milhões de custeio. Segundo Gambine, a verba apenas mantém a universidade funcionando e permite a compra de alguns equipamentos e mobiliário para diversas unidades.

Para o próximo ano, a proposta orçamentária do governo indica a mesma verba de custeio e o mesmo limite para receitas próprias da universidade deste ano: aproximadamente R$ 380 milhões, no total. “Do jeito que está, é a reprodução do que a gente recebeu em 2017. E que não é suficiente”, disse.

O primeiro problema é que as despesas correntes não ficam congeladas. Outra dificuldade é que não está indicada na PLOA a verba de investimento. O dinheiro só seria liberado através de projetos que serão submetidos ao MEC, em uma inédita ação centralizadora do governo, critica o pró-reitor.

Debate no Consuni

O orçamento da UFRJ será tema único de duas reuniões extraordinárias do Conselho Universitário: a primeira, em 30 de novembro; a segunda, em 7 de dezembro.

2017-10-27

Até sexta-feira (29), acontecem palestras, oficinas e apresentações, no Fundão, em Macaé e em Xerém. Objetivo é aproximar estudantes de diferentes áreas e estimular a participação em eventos acadêmicos Aproximar estudantes de diferentes áreas e estimular a participação em eventos acadêmicos. Com essa ambiciosa missão, a UFRJ realiza sua 8ª Semana de Integração Acadêmica (SIAC). Até sexta-feira (29), acontecem palestras, oficinas e apresentações de trabalho, no Fundão, em Macaé e em Xerém. Adriane Aparecida Moraes, coordenadora de Integração e Articulação da Extensão da UFRJ, explica o sentido da semana. “Queríamos assegurar um espaço para que o docente e o estudante não só possam apresentar suas pesquisas e trabalhos, mas também aprender com os outros, num jogo de saber”, afirma. A Semana de Integração reúne: 39ª Jornada de Iniciação Científica, Tecnológica, Artística e Cultural (JICTAC), 14º Congresso de Extensão, Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT/UFRJ), 9ª Jornada de Pesquisa e Extensão da UFRJ-Macaé e 4ª Jornada de Formação Docente – PIBID. Para Adriane, a proposta de unificar os eventos em um só foi facilita a inserção de estudantes nos eventos. “Os estudantes têm várias apresentações ao longo do ano. Foi uma forma de integrar em vez de escolher apenas uma modalidade, além de ser uma inscrição única”, diz. Nancy Barbi, professora da faculdade de Farmácia, participa da exposição no Hall do Centro de Tecnologia, no Fundão. Junto de seus estudantes, ela apresenta riscos associados ao uso de formol em produtos de cabelo, tanto para quem utiliza quanto para o profissional que aplica. Para a professora, a Semana cumpre um papel fundamental. “É uma troca gratificante conseguir mostrar para o público, numa linguagem simples e didática em especial crianças, aqueles trabalhos que a gente publica em periódicos”, afirma. A professora também avalia como positivo encontro de diferentes saberes na semana. “Ficamos muito confinado nos nossos laboratórios, e aqui a gente se encontra de uma forma mais leve”, pontua. Ao todo, o evento envolveu 2.408 professores, além de 6.407 estudantes de graduação e 1.249 de pós-graduação. Também contou com a participação de 231 funcionários técnicos-administrativos. Na avaliação de Nancy,no entanto, este ano, a semana teve baixa adesão das escolas. Para a docente, o fator tempo foi determinante. “Os prazos foram muito corridos”, avalia. Murilo Lamim Bello, também professor da Faculdade de Farmácia observa que a semana é importante para a formação de novos profissionais. “Acho uma excelente oportunidade. Inclusive de treinar a didática: transformar um assunto complexo em algo simples”, afirma. Rodrigo Pacheco, estudante de Farmácia e orientando de Nancy, ressalta a oportunidade de troca entre a universidade e a população. “Acho uma forma de mostrar para a sociedade o que a gente faz aqui dentro”, diz. “Hoje em dia com tantos cortes de pesquisa e extensão é o momento de chamar a sociedade pro nosso lado”, pontua.

No CNPq, o governo contingenciou R$ 572 milhões. Cenário para 2018 é pessimista. Em ação da campanha Conhecimento sem Cortes, Adufrj participou de audiência em Brasília sobre cortes

*e Silvana Sá

O Ministério da Ciência e Tecnologia começou 2017 com um orçamento de R$ 5 bilhões, valor 45% inferior ao que a pasta administrava há apenas quatro anos. Mas sucessivos cortes fizeram as verbas despencarem para apenas R$ 3,2 bilhões. Isto é, 36% a menos. O CNPq, vinculado ao MCTIC, tinha orçamento previsto de R$ 1,3 bilhão, mas em abril sofreu contingenciamento de R$ 572 milhões. No MEC, outro pilar de sustentação das pesquisas no país, mais uma má notícia: somente a Capes perdeu R$ 1 bilhão por ano desde 2015. Os números foram debatidos em audiência pública realizada pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, em 10 de outubro. A atividade, que fez parte da campanha Conhecimento sem Cortes, contou com a participação da Adufrj: “Os cortes afetam especialmente os laboratórios em função dos experimentos que implicam gastos com insumos e manutenção de equipamentos”, avaliou o professor Felipe Rosa, 2º tesoureiro do sindicato. “É claro que 2017 terá um fechamento difícil”, frisou o 2º vice-presidente da Adufrj, professor Eduardo Raupp. “Mas a redução prevista para 2018 será mais impactante porque a Emenda Constitucional do teto de gastos atingirá não só o orçamento direto da universidade, mas todas as políticas públicas”. A reunião sobre o futuro da ciência contou com expressivo número de parlamentares. Para o deputado federal Celso Pansera (PMDB-RJ), o foco de pressão deve ser o ministro Gilberto Kassab (PSD): “Ele é presidente do partido do ministro Henrique Meirelles, que é quem toma conta do dinheiro”, justificou. Alessandro Molon (Rede-RJ) confrontou a narrativa da austeridade dos cortes: “Em época de crise, é preciso investir mais em ciência, tecnologia e inovação, para que o país crie alternativas”.

O que os parlamentares dizem

"Em época de crise, é preciso investir mais em ciência, tecnologia e inovação, para que o país crie alternativas. Temos pressionado o governo e participado dos debates sobre o orçamento no Congresso, para que a área não sofra esse duro golpe. A campanha Conhecimento Sem Cortes é fundamental nessa disputa. Ela precisa continuar e, mais ainda, ser ampliada". Alessandro Molon (Rede-RJ) "A política do governo parece ser a de manter a área de ciência e tecnologia a pão e água. Liberar o orçamento a conta-gotas para não parar totalmente. O ministro Gilberto Kassab é presidente do partido do ministro Henrique Meirelles, que é quem toma conta do dinheiro. Não é possível que eles não tenham uma conversa dentro do partido sobre as prioridades para o país". Celso Pansera (PMDB-RJ)

O ato do dia 19 foi realizado na Uerj. Estrangulada financeiramente pelo ajuste fiscal, a universidade virou símbolo de resistência para o ensino superior e a Ciência do país O último dia 19 foi marcado pelo lançamento da Frente Nacional em Defesa das Instituições Públicas de Ensino. O ato foi realizado, não por acaso, na Concha Acústica da Uerj. Estrangulada financeiramente pelo ajuste fiscal do estado, a universidade virou símbolo de resistência para o ensino superior e a Ciência do país. A atividade contou com expressiva participação de entidades relacionadas à Educação como Andes, Fasubra, UNE e ANPG, além da adesão de centrais sindicais e movimentos sociais. “É inaceitável que tenhamos que lutar para obter os salários por dias trabalhados”, lamentou a professora Bruna Wernek da Fundação Cecierj, no palco. A fala expressou o misto de perplexidade e indignação que marcou a manifestação. Toda a rede estadual deve pagamentos aos profissionais. Taila Frazão, da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), chamou atenção para os estudantes que voltaram a ter as bolsas atrasadas: “Temos um papel fundamental nas pesquisas. E os que dependem das bolsas da Feperj, por exemplo, chegaram a ficar quatro meses sem receber. O valor foi pago, mas agora está atrasando novamente”, revelou. A Adufrj compareceu para prestar solidariedade aos colegas. "O que está acontecendo com as universidades estaduais é um crime. A Uerj é um patrimônio da população fluminense e de todo o Brasil. Estamos aqui solidários e contra esse desmonte", disse o professor Felipe Rosa, 2º tesoureiro da Adufrj. [caption id="attachment_9441" align="alignleft" width="300"] "Estamos aqui solidários e contra esse desmonte", disse o professor Felipe Rosa[/caption] Plural Dirigentes de universidade marcaram presença no ato. Luis Passoni, reitor da Uenf, se contrapôs à austeridade aplicada às universidades “Estamos diante da volta do discurso de que o Estado gasta muito e deve ser mínimo para o país voltar a crescer. Em lugar nenhum do mundo isso funcionou", destacou. O reitor da UFRJ, Roberto Leher, representou a Andifes: "Somos todos Uerj, somos todos Uenf e somos todos Uezo. Não há dúvidas de que o que acontece hoje nas universidades não se descola do projeto de mudanças em curso no país. A Emenda Constitucional 95 (do teto de gastos) é a maior contrarreforma desde as modestas conquistas da Constituição de 88", avaliou. Movimentos sociais se incorporaram à campanha em defesa da rede pública. “Educação é um direito fundamental, assim como a moradia. E também aproveitamos para levantar a reflexão sobre qual educação é destinada para a maioria da população pobre. A educação pública que dialoga com a realidade tem tudo a ver com o que a gente acredita”, disse Aline Abreu, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto. A atividade contou ainda com a presença de parlamentares. Jandira Feghali (PCdoB) reforçou o papel da mobilização social para um patamar mínimo de financiamento das universidades: “É só olhar o orçamento que preparam para 2018 para perceber que não cabe nenhum projeto de educação e de pesquisa científica”. Nem mesmo o intenso calor pré-verão carioca dispersou as quase mil pessoas que, depois da reunião na Uerj, seguiram em passeata até o campus Maracanã do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). O ato foi encerrado, durante o percurso, após repressão da Polícia Militar.

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