Foto: Fernando SouzaUma divertida e emocionante homenagem aos 80 anos do mestre Vivaldo Moura Neto marcou o último dia 7 de maio, no Instituto de Ciências Biomédicas. Colegas e ex-alunos se revezaram ao microfone do auditório do Programa de Ciências Morfológicas por quase quatro horas para reverenciar o professor apaixonado pela pesquisa, exigente com os discípulos e generoso nas colaborações acadêmicas.
Em um desses depoimentos, a professora Flávia Gomes contou que Vivaldo, hoje professor emérito e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, levava pão doce ao laboratório pelo menos uma vez por semana para conversar com cada um sobre o andamento das pesquisas. A delicadeza dos gestos, porém, não impedia a cobrança do mestre: “Ele sempre empurrava a gente a fazer mais e mais. Dizia: ‘Minha filha, você só consegue fazer três coisas ao mesmo tempo?’. E foi assim a vida toda”, brincou.
Do exterior, o professor José Garcia Abreu enviou um vídeo em que brincou com a paixão de Vivaldo pela França, transparente em várias falas ao longo da tarde. “O Vivaldo é uma mistura do parisiense culto com a alegria transbordante do carioca. É como se fosse um dançarino ambulante, que passa alegria por onde vai”, disse.
Abreu, ex-diretor do ICB, abordou ainda a influência do homenageado em toda sua trajetória profissional e cidadã. “Você não foi apenas um mentor da minha carreira, Vivaldo. Foi muito importante para me transformar como homem, de me mostrar o quão importante é ser generoso. Você merece todas as homenagens do mundo. Que venham mais 80!”, concluiu.
Ao final, humilde e carismático, o professor Vivaldo retribuiu a homenagem, um a um, e no geral. “Eu não sou nada disso que falaram aqui. Eles, os alunos, é que foram brilhantes. Para mim, foi fácil. Eu conduzi uma orquestra, um grupo em que todo mundo era bom”, disse.
Atuante até hoje, Vivaldo — que completou os 80 anos em 28 de dezembro — está à frente da diretoria de Pesquisa do Instituto Estadual do Cérebro onde segue promovendo a Ciência. "Estou tentando sobreviver lá há uns dez anos. Antes havia uma certa dificuldade de convencer os médicos a arranjarem um tempo para fazer ciência. Agora, está ficando melhor”, brincou.
E o professor não pensa em parar. Vivaldo recordou que seu mestre Carlos Chagas Filho, fundador do Instituto de Biofísica, visitava o laboratório e queria fazer os experimentos até os últimos dias de vida, mesmo com dificuldades de mobilidade. “Achava aquele homem extraordinário. Por isso, eu digo que 80 anos é mixaria. Quero chegar aos 90 e poder fazer as coisas que o Chagas fazia”, afirmou.




