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Entre os dias 28 e 30 de setembro ocorreu, de forma remota, o 9º Conad extraordinário do ANDES. Diferentemente do último Conad (também extraordinário) acontecido no final de julho – que se dedicou exclusivamente à questão eleitoral do ANDES – neste fez-se algo mais parecido com os Conad ordinários, com análise de conjuntura, plano de lutas dos setores e eleições para a diretoria do ANDES.
O debate de conjuntura foi dominado, previsivelmente, pelo ensino remoto emergencial. Superficialmente, isso parece algo positivo, pois essa é de fato a questão que tem pautado a vida docente nos últimos meses. No entanto, o conteúdo da discussão mostra que a distância do sindicato à sua categoria pode chegar, tal qual um cometa, a alturas transnetunianas. Na realidade da maioria esmagadora dos docentes “comuns”, o ensino remoto emergencial já está instaurado há meses. Todos esses colegas já estão lidando com todas as dificuldades da relação virtual com os alunos, com a falta de suporte material apropriado, com a sua própria falta de experiência, entre outras questões. Diante desse quadro, deveríamos esperar um engajamento do sindicato nacional com as demandas e carências dos professores, mas qual! Num anacronismo constrangedor, foram horas de diatribes contra o ensino remoto “em qualquer denominação”, com ativo sufocamento de qualquer texto resolução (TR) construtivo. Particularmente chocante foi ver a iniciativa de fortalecimento das plataformas virtuais públicas de aprendizagem (defendida por representantes mais razoáveis) ser ferozmente atacada uma vez que estas “não deveriam nem existir”, segundo alguns. Não à toa, no grupo misto em que eu estava, de uma pauta de 36 itens a serem discutidos, atingimos a estonteante marca de dois(!) em quase 3 horas de sessão: quando a discussão não se baseia na realidade, fica difícil avançar...
No último dia, chegamos à discussão da forma das eleições para a direção do ANDES. A atual diretoria propôs um formato “telepresencial”, que consiste em fazer o/a sindicalizado/a entrar numa sala virtual, e apenas ao mostrar a identidade na webcam lhe seria facultado o voto. Foram levantados diversas problemas logísticos com essa ideia – longas filas virtuais, necessidade de “fiscais de identidade”, docentes sem câmera em seus dispositivos, etc – sem que ela aumentasse a segurança da votação (várias universidades e associações já fizeram eleições remotas esse ano de uma maneira mais ortodoxa – por email cadastrado – sem maiores problemas), mas ainda assim o pleno de delegados escolheu a forma telepresencial por apertados 26 x 23. Teria sido claramente melhor que cada seção sindical se organizasse da maneira que lhe fosse mais conveniente (com todas as votações sob os auspícios da mesma empresa, naturalmente), mas vamos nós para uma eleição que já se inicia tensionada no método, daqui a mais ou menos um mês – as eleições serão na 1ª semana de novembro – veremos o resultado.
Em resumo: este 9º Conad extraordinário (assim como os congressos e Conads recentes) explicitou de forma gritante o quão alheio o sindicato nacional está da sua base. Não daquela parcela militante ínfima, mas da maioria esmagadora dos docentes que tem o direito de não querer a revolução e ainda assim ser valorizada e respeitada em seus afazeres. O sindicato deu as costas a estes professores por tempo demais, e como consequência estamos “lutando” contra o ensino remoto enquanto o resto do mundo já chegou na reforma administrativa. Não dá.
Felipe Rosa
Vice-presidente da AdUFRJ
Imagem de Steve Buissinne por PixabayEstá suspensa até 31 de outubro a prova de vida anual para os servidores federais aposentados, pensionistas e anistiados políticos civis. O prazo, que se encerraria no fim de setembro, foi prorrogado por instrução normativa publicada no Diário Oficial da União, no dia 28. O objetivo do novo adiamento é reduzir a possibilidade de contágio pelo novo coronavírus. De acordo com o Ministério da Economia, a maioria dos beneficiários integra o grupo de risco para a Covid-19, em função da idade. A prova de vida dos servidores federais está suspensa desde 18 de março.
Xingamentos, acessos de fúria, seguidas interrupções. Esse pode ser um resumo do que se tornou o primeiro debate de candidatos à presidência dos Estados Unidos. Donald Trump e Joseph Biden protagonizaram momentos de fazer vergonha aos eleitores mais militantes. Quem mais perde é a democracia.
O Conselho de Ensino de Graduação se reuniu na última quarta-feira, 30, mas não discutiu o calendário acadêmico. O tema estava agendado inicialmente. A ideia era discutir as regras e atos acadêmicos dos períodos de 2020.1 e 2020.2.
A pró-reitora de Graduação, Gisele Pires, informou que estuda uma proposta de resolução para os próximos períodos e por isso tirou da pauta da semana o debate sobre o calendário. “A elaboração e a divulgação da pauta deste colegiado são da competência de sua presidência. Estamos em elaboração de um esboço de uma possível proposta que será apresentada na semana que vem a esse colegiado”, disse. A próxima sessão do CEG está marcada para o dia 7.
A mudança de pauta gerou reação dos estudantes, que fizeram um protesto presencial na porta do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN).
A última assembleia de professores da UFRJ, no dia 22, definiu a delegação para o próximo Conad. O conselho do Andes começa na próxima segunda-feira, 28, e será virtual. O vice-presidente AdUFRJ, Felipe Rosa será o delegado titular. Os dois suplentes são Fernanda Vieira (NEPP-DH) e Luis Acosta (Serviço Social)
Outra decisão da assembleia foi a indicação de que o Andes realize ainda em 2020 eleições virtuais para a diretoria que conduzirá a entidade pelos próximos dois anos. A tarefa do próximo Conad é atualizar o plano de lutas do Andes e aprovar as datas das eleições do sindicato. Duas chapas, uma de continuidade e outra de oposição, disputam o pleito.
Os ataques do governo às universidades foram destacados pela diretoria da AdUFRJ como forma de inviabilizar a governabilidade das instituições. Já são 14 reitores interventores. Além disso, há o corte linear de 16% nos orçamentos das universidades e um corte de mesma proporção no fomento à pesquisa.
A assembleia também discutiu as formas de deliberação das reuniões. O tema ocupou boa parte do encontro. As polêmicas se concentraram mais uma vez sobre a metodologia adotada nos últimos anos com a votação principal feita em urna e, no caso da assembleia virtual, com o link de votação enviado a todos os sindicalizados e docentes que se cadastrarem. A diretoria irá avaliar o quadro, levando em conta tanto as críticas que foram apresentadas quanto as defesas feitas do método atual para seguir aprimorando e ampliando as formas de participação dos professores.