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Esta avaliação foi feita pelo professor Fabiano Faria. Ele representou o Sinasefe no Encontro Estadual de Educação que reuniu cerca de 350 pessoas no sábado 26. A reunião foi preparatória para o Encontro Nacional de Educação
Expansão do ensino obedece a critérios não republicanos
Silvana Sá. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Fabiano Faria analisa Ensino Técnico e Tecnológico. Foto: Samuel Tosta - 26/07/2014O dirigente do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), Fabiano Faria, disse no Encontro Estadual de Educação na semana passada que o governo apresenta uma imagem falsa sobre o desenvolvimento do ensino técnico no país. “O que o governo fala sobre a expansão não é verdade e não é a que queremos: diz que o Brasil precisa de uma formação voltada para o mercado de trabalho e não como algo que construa o sujeito”, criticou Faria.
Ele é professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (antigo Instituto de Química) e insistiu em que a realidade da educação técnica e tecnológica nos institutos federais é diversa da apresenta pela propaganda oficial. Segundo o dirigente, a expansão do ensino técnico tem obedecido a critérios orientados pela troca de apoios políticos: “Muitas vezes essa expansão se dá sem que a cidade que está recebendo a nova unidade tenha condições de absorver a mão de obra a ser formada naquele local. Abre-se um curso técnico sem qualquer infraestrutura para satisfazer a interesses estranhos à educação”.
O professor afirmou – no encontro que mobilizou cerca de 350 pessoas no Rio de Janeiro – que mais da metade dos professores e técnicos que são designados para unidades em expansão pedem exoneração ou transferência. “Faltam condições de trabalho, faltam laboratórios. A precarização é maiúscula. Mas, o mais grave é a precarização dos sonhos e objetivos, a naturalização da estratificação social e das relações sociais”.
Pronatec
Roberta Lobo: Pronacampo é retrocesso para a Educação. Foto: Samuel Tosta: 26/07/2014O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) é apresentado pelo Ministério da Educação como principal vitrine para o setor. Fabiano Faria é enfático na sua avaliação: o Pronatec não passa de mais uma forma de transferir recursos públicos para a iniciativa privada. De acordo com Fabiano, apenas 15% da verba é destinada ao ensino técnico público. O grosso desse bolo, 85%, são enviados às escolas privadas, disse. Ainda segundo os dados apresentados pelo dirigente do Sinasefe, cerca de 90% dos alunos do Pronatec acabam mergulhando num ciclo vicioso, pois ficam desempregados ao fim do curso: “Eles não conseguem emprego, então fazem outro curso para continuarem recebendo a bolsa. E, ao término, voltam para o terceiro curso. E mesmo assim, a maioria não é inserida no mercado de trabalho”.
No campo: 37 mil escolas fechadas
Outra expositora do Encontro Estadual de Educação foi a professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Roberta Lobo. Ela abordou os desafios da educação no campo. Roberta criticou a forma como se deu o processo de institucionalização da educação no interior do país pelo governo federal. Na sua opinião, o Programa Nacional de Educação do Campo (Pronacampo) “desconsiderou todas as experiências pedagógicas e as construções históricas acumuladas” até aqui. “É preciso pensar a educação para além da reforma estatal. O Estado dilacera a formação desse sujeito que vem das classes populares. O Pronacampo é a regressão à educação rural de subordinação do trabalhador rural”, disse.
A professora apresentou um dado alarmante: 37 mil escolas do campo foram fechadas nos últimos anos no país. “Ou a gente fortalece esses sujeitos nos seus lugares, ou ficaremos subordinados ao Estado e a suas políticas nefastas para a classe trabalhadora”, alertou Roberta Lobo.
Alternância
Segundo Roberta, os trabalhadores do campo necessitam de uma formação que trabalhe a alternância, inclusive quando chegam à universidade. A alternância é um sistema que mescla o ensino na universidade e no local de origem do estudante: “A universidade pública que não faz alternância para a educação do campo está promovendo a precarização do ensino para as classes populares. Lutamos para que a alternância seja mantida. É preciso garantir a ida aos territórios desses estudantes”.
Manual de Redação
Nas redações de jornais, revistas, rádios e emissoras de TV nos anos mais brabos da ditadura havia uma espécie de índex com a lista de palavras e/ou expressões proibidas pelo regime. Greve, reforma agrária, marxismo não podiam ser impressas e/ou faladas. A palavra tortura, então, jamais poderia ser escrita ou pronunciada. Também se aparecesse em título de música, de peça de teatro ou de filme, era censura na certa. Há histórias curiosas surgidas de situações surreais criadas pelos censores do regime. Waldick Soriano, cantor e compositor brasileiro que fez sucesso à época, foi chamado pelo Dops para explicar o título do bolerão “Tortura de amor”. Quase acabou preso.
O índex pós-ditadura existe. Jornalões, revistas, rádios, mídias eletrônicas das grandes corporações obedecem, cada um, a um manual de redação político específico. Uns mais radicais do que outros, mas com pequenas variações. Por exemplo: membros do MST são sempre invasores. No léxico da mídia em questão, não existe a palavra ocupação. O mesmo vale para as invasões urbanas. Manifestantes, em alguns veículos como (com licença da palavra) a Veja, são sempre baderneiros ou um bando de baderneiros. Assim como, nas editoriais internacionais, Fidel Castro nunca passou de ditador. O genocídio praticado por Israel matando crianças palestinas leva o singelo nome de conflito.

30 de julho
quarta-feira
Às 17h, concentração na Candelária
31 de julho
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4 agosto
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Professora avalia o avanço do capital sobre as instituições públicas de ensino superior no país
Silvana Sá. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
A professora Andrea Vale, da Universidade Federal Fluminense (UFF), focou sua apresentação nos desafios e problemas da educação superior no Brasil. “A transformação do mundo do trabalho com o avanço da precarização das relações e mudanças no aparato do Estado desembocam na super exploração dos trabalhadores da educação. Este movimento não está separado do avanço do capital privado sobre a educação pública e do avanço da educação privada capitaneada por recursos públicos”.
Para Andrea, há uma diluição das fronteiras entre o público e o privado, utilizada como estratégia pelo empresariado: “Os empresários da educação superior conseguem um conjunto de decretos que criam a figura de centros universitários. Criam-se faculdades isoladas, sem a necessidade de atuação em pesquisa ou extensão, consideradas atividades onerosas para seus negócios e pouco eficientes do ponto de vista da formação para o trabalho”.
As isenções tributárias, de acordo com a docente, têm importante papel na expansão da rede privada e possibilitam a ampliação do “acesso a instituições muitas vezes de qualidade duvidosa, com alunos sem condições de permanência”. Para Andrea, um dos “efeitos nefastos” da política de expansão é o “ataque à universidade – seja pela expansão do setor privado predominantemente por IES não-universitárias, seja pelo modo como a expansão precária rebate nas universidades públicas”.
Entre 1994 e 2002, de acordo com dados apresentados por Andrea Vale, quase dobrou o número de instituições de ensino superior no Brasil: de 851 para 1.637. Isto representou um aumento de 92,4%. No entanto, “as IES públicas reduzem seu número em -10,5% contra um aumento de 127,8% das IES privadas. A proporção, que em 1994 era de 25,6% públicas e 74,4% privadas, em 2002, é de 11,9% públicas e 88,1% privadas”.
Quanto às matrículas, continua a docente, no mesmo período há um “crescimento total de 109,5%, entretanto, registrando-se apenas 52,3% de aumento para as matrículas públicas, contra 150,2% para as matrículas privadas”. “Isto fez com que a proporção bastante estável, durante cerca de 20 anos, em torno dos 40% de matrículas públicas e 60% de matrículas privadas passasse, em oito anos, para 30,2% de matrículas públicas e 69,8% privadas”. Entre 2003 e 2010, as matrículas cresceram 28,63% nas IES públicas e 44,96% nas privadas. “Em resumo, entre 1995 e 2012, as matrículas cresceram 144,92% no setor público e 297,30% no setor privado”.
Na próxima edição, Educação Técnica e Tecnológica e a Educação no campo.
Encontro representativo
Diversos movimentos sociais, entidades classistas, movimentos estudantis e partidos políticos de esquerda participaram do Encontro Estadual de Educação. A carta de encerramento do encontro contabilizou a presença de 40 entidades. Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Sinasefe, Fasubra, Andes-SN, Sepe, Anel, Oposição de Esquerda da UNE, Associação dos Estudantes Secundaristas do RJ, Conselho Regional de Serviço Social, PCB, PSOL, PSTU e PCR foram algumas das entidades e partidos presentes.
O número total de participantes chegou a 350. Participaram dos grupos de discussão durante a tarde 250 pessoas. Isto demonstra a disposição para articular alternativas que sejam encaminhadas ao Encontro Nacional de Educação.
Redução drástica das matrículas no estado
Eveline Algebaile, professora da Uerj, apresentou um quadro geral da educação básica e mostrou números alarmantes: há uma forte redução da participação dos estados na composição das matrículas na educação básica. No Rio de Janeiro, as matrículas estaduais caíram de 1.490.607 em 2006, para 973.666 matrículas em 2012. Para 2013, os números estão sendo atualizados e devem corresponder a pouco mais de 800 mil. “São menos 100 mil matrículas por ano no estado do Rio. É a rede que apresenta a maior queda no Brasil. Enquanto isso, a rede privada cresce 13,3% no país e 22,6% no Rio de Janeiro”.