Accessibility Tools
A hora da decisão
Três chapas enfrentam-se nas urnas, de 14 a 16 de abril, como o objetivo de conquistar o mandato à frente da reitoria da UFRJ para o período 2015-2019. Será o primeiro turno da pesquisa eleitoral, com urnas espalhadas por toda a universidade.
Angela Rocha (do Instituto de Matemática), como candidata a reitora, e Carlos Rangel (Faculdade de Farmácia), candidato a vice, formam a chapa 10 — Juntos pela UFRJ: Unidade na Diversidade.
Roberto Leher (Faculdade de Educação), candidato a reitor, e Denise Nascimento (Faculdade de Odontologia), para sua vice, são os nomes da chapa 20 — UFRJ Autônoma, Crítica e Democrática.
Denise de Carvalho (Instituto de Biofísica), para reitora, e Walter Suemitsu (Escola Politécnica e Coppe), para vice, compõem a chapa 30 — Somos Todos UFRJ.
Caso nenhum dos candidatos alcance mais votos que o somatório dos outros dois, dos brancos e dos nulos, haverá segundo turno previsto para os dias 4, 5 e 6 de maio.
Podem votar: os docentes e técnico-administrativos ativos do quadro de pessoal da UFRJ, aposentados contratados como colaboradores voluntários e professores eméritos; os estudantes dos cursos de graduação (presencial e à distância), de pós-graduação (stricto sensu) e de pós-graduação (lato sensu) – estes com carga mínima de 360 horas-aula e matrícula ativa; do CAp, com matrícula ativa e que tenham 16 anos completos até a data do primeiro turno.
Processo ainda agride autonomia universitária
O resultado da pesquisa será apresentado ao Colégio Eleitoral da universidade em 8 de maio. Este fórum, integrado apenas pelos representantes do CEG, CEPG, Consuni e Conselho de Curadores, formará as listas tríplices de candidatos a reitor e vice-reitor para escolha do MEC, conforme a retrógrada legislação vigente.
Para conhecer as propostas dos candidatos, comunidade do CCS praticamente lotou o auditório Quinhentão. Foto: Marco Fernandes - 07/04/2015Leia mais: Sucessão na UFRJ: consulta à comunidade universitária começa nesta terça-feira
A hora da decisão
Três chapas enfrentam-se nas urnas, de 14 a 16 de abril, como o objetivo de conquistar o mandato à frente da reitoria da UFRJ para o período 2015-2019. Será o primeiro turno da pesquisa eleitoral, com urnas espalhadas por toda a universidade.
Angela Rocha (do Instituto de Matemática), como candidata a reitora, e Carlos Rangel (Faculdade de Farmácia), candidato a vice, formam a chapa 10 — Juntos pela UFRJ: Unidade na Diversidade.
Roberto Leher (Faculdade de Educação), candidato a reitor, e Denise Nascimento (Faculdade de Odontologia), para sua vice, são os nomes da chapa 20 — UFRJ Autônoma, Crítica e Democrática.
Denise de Carvalho (Instituto de Biofísica), para reitora, e Walter Suemitsu (Escola Politécnica e Coppe), para vice, compõem a chapa 30 — Somos Todos UFRJ.
Caso nenhum dos candidatos alcance mais votos que o somatório dos outros dois, dos brancos e dos nulos, haverá segundo turno previsto para os dias 4, 5 e 6 de maio.
Podem votar: os docentes e técnico-administrativos ativos do quadro de pessoal da UFRJ, aposentados contratados como colaboradores voluntários e professores eméritos; os estudantes dos cursos de graduação (presencial e à distância), de pós-graduação (stricto sensu) e de pós-graduação (lato sensu) – estes com carga mínima de 360 horas-aula e matrícula ativa; do CAp, com matrícula ativa e que tenham 16 anos completos até a data do primeiro turno.
Processo ainda agride autonomia universitária
O resultado da pesquisa será apresentado ao Colégio Eleitoral da universidade em 8 de maio. Este fórum, integrado apenas pelos representantes do CEG, CEPG, Consuni e Conselho de Curadores, formará as listas tríplices de candidatos a reitor e vice-reitor para escolha do MEC, conforme a retrógrada legislação vigente.
Para conhecer as propostas dos candidatos, comunidade do CCS praticamente lotou o auditório Quinhentão. Foto: Marco Fernandes - 07/04/2015Leia mais: Sucessão na UFRJ: consulta à comunidade universitária começa nesta terça-feira
Memórias do ‘massacre’
Fotos maior: Marco Fernandes - 01/04/2015. Foto menor: InternetNuma fria madrugada de setembro de 1966, a polícia invadiu a Faculdade Nacional de Medicina (FNM) ocupada por estudantes. A ditadura recém-iniciada (1964) no Brasil punha suas garras sobre a UFRJ. Foi a primeira invasão de um território universitário do país no período, prenúncio de dias mais sombrios que viriam por quase duas décadas. O Massacre da Praia Vermelha, como ficou conhecido o episódio, virou marco da resistência do movimento estudantil ao regime militar, que iria se radicalizar nos dois anos seguintes, com passeatas, confrontos e insurgências nas ruas.
A efervescência política, como se sabe, foi interrompida em dezembro de 1968, com o AI-5, o ato institucional que liberou de vez a ditadura empresarial-militar para implantar o terror de Estado. Antes de encerrar o seu governo em 1975, o general Médici mandou pôr abaixo o prédio da FNM. Era necessário, para o regime, reduzir a ruínas a memória da resistência. O prédio da Medicina se transformara em símbolo de enfrentamento à violência ditatorial.
A professora Diana Maul, estudante da FNM à época da invasão e hoje professora da UFRJ, relatou que o prédio havia sido construído em 1918 e, em 1940, sofreu alterações arquitetônicas que provocaram polêmicas. “Foi o único prédio próprio que a Faculdade de Medicina teve em 200 anos de história, até hoje”, disse. Onde existia a faculdade, na Urca, hoje é um terreno ocupado por estacionamento (foto - no detalhe, imagem do prédio extinto). Uma parte do terreno, segundo a professora, foi ocupada pelos militares que lá instalaram a Escola de Guerra Naval. Outra pequena parte sobreviveu como espaço universitário.
Na terça-feira, 31 de março, fatídica data que lembra o golpe militar (embora ele tenha acontecido no 1º de Abril, o dia da mentira), a Comissão da Memória e Verdade da UFRJ realizou sessão especial no auditório Paulo Freire, da UniRio – na frente desta instituição, fica o estacionamento antes ocupado pelo prédio da FNM. Para essa sessão, presidida pela professora Diana Maul, a comissão convidou o dentista Carlos Fayal e o engenheiro Newton Leão. Os dois eram secundaristas à época e ativistas estudantis. Militantes, conseguiram ter acesso à ocupação dos estudantes na FNM e foram testemunhas das atrocidades cometidas pela polícia durante a invasão. Fayal e Newton lembraram o que viram para plateia atenta e emocionada.
Uma exposição com imagens do Massacre da Praia Vermelha está sendo organizada para percorrer centros e unidades da UFRJ.
Leia mais: Painel Adufrj: Memórias do Massacre da Praia Vermelha
Em Seminário Nacional da Comissão da Verdade do Andes-SN, debatedores mostram receio com a onda conservadora no país, principalmente após os cartazes e faixas exibidos nas manifestações de 15 de março
Evento do Sindicato ocorreu entre 31 de março e 1º de abril
Elisa Monteiro. Enviada especial a Porto Alegre (RS)
A preocupação com a apologia explícita da ditadura, nas manifestações de 15 de março, atravessou todas as intervenções do debate “Os movimentos em luta por memória e justiça”. A atividade aconteceu no primeiro dia do Seminário Nacional da Comissão da Verdade do Andes-SN, em Porto Alegre (RS). Simbolicamente, o evento foi realizado entre 31 de março (data de início do golpe de 1964) e 1º de abril.
Maria Bernadette de Moraes, do Conselho Federal de Serviço Social (CFSS), por exemplo, opinou sobre a exposição de cartazes que pediam “intervenção militar já”, nos protestos de várias cidades: “O perigo de retrocesso é visível. Mais do que nunca é preciso unidade dos que resgatam a memória para que tais fatos não voltem”, afirmou.
Para outros debatedores, porém, o problema é que o autoritarismo da ditadura ainda não foi totalmente dissipado. Na Unesp, o trabalho da Rede de Comissões da Verdade Universitárias coincidiu com um déja vu de autocracia, durante a greve de 120 dias das estaduais paulistas em 2014. Segundo Fábio Kocade, docente de Sociologia no campus Marília, “durante esse processo, as reitorias usaram todos os recursos de repressão provenientes da ditadura. Até mesmo um regimento da época”. De acordo com ele, dezenas de estudantes respondem a processos de suspensão e expulsão por participarem de atos em favor da assistência estudantil. “Professores e técnicos-administrativos também enfrentam processos administrativos”, completou.
Segundo Fábio, a universidade hoje vive a tensão entre as atividades de ensino e extensão, “relegadas ao segundo plano”, e “o peso desproporcional da produção científica vinculada diretamente a interesses econômicos, sobretudo, do agronegócio”.
Legado. Entidades consideram herança do golpe de 1964 a repressão exercida sobre estudantes, trabalhadores e minorias. Foto: Elisa Monteiro - 31/03/2015
Ditadura das grandes empresas
Justa Helena Franco, presidenta do Sindicato dos Servidores de Ciência e Tecnologia, Produção e Inovação em Saúde Pública (Asfoc-SN/Fiocruz), por sua vez, avaliou os parâmetros democráticos da atualidade. “Ditadura de mercado” foi como classificou um momento em que “o acesso às informações vitais é impedido” pelo lobby de corporações de grande porte, como a indústria de alimentos: ela citou o projeto de lei 4.148 (em tramitação no Congresso Nacional), que tira a obrigatoriedade de a embalagem do produto informar se nele existem ingredientes transgênicos. “Por pressão de empresas estrangeiras, perdemos a liberdade de saber o que estamos usando (consumindo)”, criticou.
Ligações perigosas
As análises expuseram, ainda, a ligação íntima da ditadura de 1964 com grupos econômicos de grande porte. “As mesmas empreiteiras que vemos na (Operação) Lava Jato nasceram desse período e foram unha e carne com o regime militar”, advertiu Luiz Carlos Prates, o Mancha, dirigente da CSP-Conlutas. “Até hoje, nenhuma foi punida pelas violações que cometeram. E as poucas reparações realizadas só foram pagas pelo Estado. Queremos a responsabilização dessas empresas, inclusive participando de um fundo para reparações”.
Amanda Hornhardt, da Comissão da Verdade do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (Sindmetal), expôs o submundo da colaboração entre montadoras como a General Motors, Ford e Wolks e a repressão, no Vale da Paraíba. A pesquisa do sindicato, que começou com documentos pessoais, alcançou acervos diversos, do Arquivo Nacional aos registros de Recursos Humanos das empresas. “Até bilhete de agradecimento à polícia por ação violenta contra os trabalhadores nós encontramos”.
Práticas como infiltrações, demissões e perseguições, segundo Amanda, estão documentadas pelo sindicato. “Muitas vezes, os operários eram demitidos imediatamente após as greves. E quando eles procuravam emprego em outro local, o RH (departamento de Recursos Humanos) das empresas consultava na data da demissão se tinha sido por atividade política. Quer dizer, a punição se estendia além da demissão, porque muitos não conseguiram mais emprego na região e tiveram que se mudar”.
Massacre do povo indígena
Egon Heck, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), lembrou que, de acordo com relatório da Comissão da Verdade instituída pelo governo federal, pelo menos 8.350 indígenas foram assassinados entre 1964 e1985. E o número pode estar subdimensionado. “O extermínio dessas culturas é uma obsessão das nossas elites econômicas e políticas que não conseguem perceber a importância da pluralidade”, disparou.
Andes-SN enfatiza luta por Justiça
Mobilização visa à responsabilização dos crimes de Estado. Foto: Elisa Monteiro - 31/03/2015Na abertura do Seminário Nacional da Comissão da Verdade, o presidente do Andes-SN, Paulo Rizzo, sublinhou a importância do esforço das entidades e dos movimentos sociais para recuperação da Memória e Verdade sobre as ditaduras militares-empresariais no Brasil e na América Latina. O dirigente destacou, contudo, a luta por Justiça: “Não vamos à História apenas para conhecer, mas para pensar como agir diante do futuro”, afirmou Rizzo. “O significado deste trabalho, que está muito além do Andes-SN, também está na apuração e na responsabilização dos crimes ocorridos. A Lei de Anistia não contempla assassinatos nem tortura, pelo contrário”, completou.
Como legado do autoritarismo no presente, o presidente do Andes-SN citou a edição sistemática de Medidas Provisórias, a manutenção de estruturas de controle e repressão como as polícias militares e a criminalização das lutas dos trabalhadores.
Leia mais: Seminário do Andes-SN faz alerta contra o retrocesso
Hora de organizar a luta, por Diego Novaes