O QUE SERÁ O AMANHÃ? A segunda edição da Marcha pela Ciência vai ocorrer no dia 2 de setembro, às 15h, na Praça Mauá, em frente ao Museu do Amanhã. Uma roda de samba vai animar a atividade e cantar o tema “O que será o amanhã?”. Com a proximidade da votação da Lei Orçamentária que vai defi nir a distribuição de recursos para o ano de 2018, a marcha é mais uma ferramenta para pressionar os deputados federais. O evento é uma iniciativa da campanha “Conhecimento Sem Cortes”, uma realização Adufrj, Apubh, Adunb e Sintifrj, em parceria com a SBPC e outras entidades.
A temporada de debates entre as duas chapas que disputam a direção da Adufrj será aberta às 10h de terça-feira, 29 de agosto, no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), no Largo de São Francisco. As eleições acontecem nos dias 11 e 12 de setembro para um mandato até outubro de 2019. Podem votar docentes sindicalizados até 13 de julho deste ano. Disputam a presidência da Adufrj Maria Lúcia Teixeira Werneck Vianna, do Instituto de Economia, pela chapa 1, e Mariana Trotta Dallalana Quintans (Faculdade Nacional de Direito), à frente da chapa 2. A votação irá também renovar o Conselho de Representantes. As inscrições de candidatos ao colegiado podem ser feitas até sexta-feira, dia 1º de setembro. O confronto entre lideranças da chapa 1, Universidade para a Democracia, e chapa 2, Adufrj-SSind de Luta e pela Base, será mediado pelo presidente da Comissão Eleitoral, Flávio Martins, da FND. Depois do debate do IFCS, o segundo encontro entre as chapas foi marcado para 14h da quinta-feira, 31, na sala E-212 do Centro de Tecnologia, no Fundão. O último confronto de propostas acontece às 18h de terça-feira, 5 de setembro, no auditório da Escola de Serviço Social, na Praia Vermelha. Regras A Comissão Eleitoral definiu regras para os debates. Além de Flávio Martins, que fará a mediação, a mesa será composta por dois representantes de cada chapa. Cada uma delas terá 15 minutos para exposição de seu programa. A ordem de apresentação será definida antes do início de cada debate por sorteio. Estão previstos três blocos de perguntas.
Os estudantes ocuparam a reunião do Conselho Universitário no dia 24. Eles exigem mais rapidez na solução dos problemas de moradia — sobretudo depois do incêndio ocorrido no dia 2 de agosto, que afetou 206 pessoas, hoje abrigadas provisoriamente num hotel — e abertura de novo edital de bolsas-auxílio. A superintendente de Políticas Estudantis, Vera Salim, apresentou os dados: houve abertura de edital para 250 bolsas auxílio no primeiro semestre deste ano, mas não existe previsão de novas bolsas em 2017/2. “Este número corresponde a apenas 10% da nossa demanda. Não temos reajuste de valores desde 2013 e sofremos consecutivos cortes”, afirmou. Sobre o alojamento, os estudantes cobraram a construção de unidades modulares, mas a reitoria afirmou que não possui recursos. “Por isso, fomos procurar a Prefeitura do Rio para pedir ajuda. Em paralelo, estamos terminando o processo para abrir licitação de reforma da ala B do alojamento”, disse o reitor Roberto Leher. Os dois temas voltarão a debate no próximo Consuni.
Prédio de módulos, no meio do estacionamento, não estará completamente pronto até o dia 28, como previsto. Mas já foi preparado um remanejamento de turmas para ninguém ficar sem aula O início do segundo período letivo, no campus da Praia Vermelha, não será tranquilo como se esperava. O aulário, como está sendo chamado o pequeno prédio de módulos, no meio do estacionamento, não estará completamente pronto até o dia 28, como previsto. Mas já foi preparado um remanejamento de turmas para ninguém ficar sem aula. “O cronograma está mantido. Remanejaremos algumas disciplinas para salas do Instituto de Economia e Faculdade de Administração e Ciências Contábeis”, afirmou a decana do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Lilia Pougy. No dia 28, será entregue o bloco de módulos junto ao anexo do CFCH, com infraestrutura básica (ar-condicionado, banheiros, parte elétrica) e mobiliário. No dia 30, é a vez do bloco próximo ao caixa eletrônico do Banco do Brasil, também com infraestrutura básica, mas ainda sem mobiliário. As informações foram divulgadas pela Prefeitura Universitária, responsável pela fiscalização da obra. A reportagem não conseguiu uma previsão de quando o segundo bloco estará operacional até o fechamento desta matéria. O atraso na obra é atribuído aos transtornos causados pelas fortes chuvas da semana passada. Arquiteto da empresa Metalúrgica Valença, que faz a montagem dos módulos, Thiago Vidal disse que uma correção no posicionamento das fundações também provocou demora de alguns dias, no início de julho. Apesar dos transtornos para o recomeço das aulas e para as férias de fim de ano (agora, o período será esticado até 16 de janeiro de 2018), a obra era considerada necessária pelos professores, pela aproximação com as unidades acadêmicas — antes, professores e alunos precisavam se deslocar ao campo de futebol, onde ficavam os antigos módulos “Vai ser um facilitador muito grande (o aulário). O deslocamento era complicado até o campo”, elogiou Amaury Fernandes, diretor da Escola de Comunicação. O aulário foi comemorado, especialmente, por resolver o problema de espaço para salas de aula: serão 32 nos três pavimentos dos blocos.
COTAV distribuirá 150 concursos de docentes, 38% menos que em 2013. Professora Cláudia Morgado (foto), da Escola Politécnica, contesta número informado pela reitoria *colaborou Silvana Sá A próxima distribuição de concursos para professores promete uma intensa disputa nas reuniões da Comissão Temporária de Alocação de Vagas (COTAV). A pró-reitoria de Pessoal disponibilizou 150 vagas, 90 a menos do que as 240 abertas na última edição, em 2013. São menos vagas e muito mais demanda. Levantamento realizado pela professora Cláudia Morgado, da Politécnica e conselheira no Consuni, mostra que ocorreram 395 vacâncias entre 2013 e 2017, incluindo aposentadorias, falecimentos e exonerações. Roberto Medronho, diretor da Medicina, calcula que perdeu 88 docentes nos últimos quatro anos e precisa substituí-los. Questionado no último Consuni sobre a redução das vagas, o pró-reitor de Pessoal, Agnaldo Fernandes, respondeu que os concursos realizados de 2013 para cá absorveram parte deste quantitativo. Ele afirmou, no entanto, que não tinha o levantamento com o número de concursos realizados. Cláudia Morgado discordou: “Não existe concurso sem COTAV. Os concursos feitos diziam respeito à COTAV 2013”. Para ela, a UFRJ deveria retomar o fluxo de contratações, que, até 2009, ocorria anualmente com alocação na ordem de 100 vagas. “E estamos há quatro anos sem realizar uma COTAV”. A professora completou: “Alocação restrita ou acumulada é danosa para a UFRJ”. Segundo levantamento da direção da Matemática, desde a última Cotav, foram perdidos 25 docentes, entre aposentadorias e falecimentos. Hoje, são 158 professores para atender a disciplinas básicas do próprio curso e de outras unidades. No Direito, a demanda é de 13 professores. Na Medicina, que atende também aos cursos de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, foram 88 professores a menos no mesmo período. De acordo com o diretor Roberto Medronho, “na década de 1980, eram 650 professores atendendo a um único curso. Em 2017, são 403 docentes para os quatro cursos”. Medronho chama atenção para o fato de que o corpo docente da unidade está com uma média de idade “bem acima dos 50 anos”. E adverte, inclusive, que “muitos já estão em abono permanência (trabalhando, mesmo habilitados para aposentar)”. “Com essas reformas anunciadas, podemos nos ver a qualquer momento em uma situação crítica”, observa. Para o docente, é muito negativa ainda a distância entre o tempo das aposentadorias em relação às reposições: “Antes, conseguíamos fazer uma transição geracional com mais covivência entre o professor novo e os com mais tempo de casa e experiência. Agora fica um buraco enorme entre as aposentadorias e os concursos”. Parâmetros causam questionamentos Além do número reduzido, os parâmetros para a distribuição também provocam questionamentos. O foco da crítica está no critério de número de matrículas discentes, tomando como base o ano passado: “O segundo semestre de 2016 foi completamente atípico. O Conselho de Ensino e Graduação liberou para os alunos o trancamento até quatro meses depois do início do período. Muitos trancaram, depois de obterem notas ruins nas primeiras provas”, comentou a diretora do Instituto de Matemática, Walcy Santos. Trancamento reduziu concluintes à metade A distorção ficou explícita no caso da unidade: das 14.323 matrículas de alunos externos que fazem disciplinas na Matemática, apenas 7.624 chegaram ao fim do ano passado. Para uma comparação, no ano anterior, a relação foi de 14.538 inscritos para 12.195 concluintes. Sintomático também foi o inchaço nas aprovações: “Em média, nossa reprovação gira em torno dos 30%. Mas 2016/2 foi um semestre praticamente sem reprovações”, sublinha a professora. A pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2), Leila Rodrigues, argumenta que a proposta de mudança do critério de matrículas em disciplina “chegou a ser discutida em duas instâncias, numa Câmara Mista dos dois colegiados e na reunião conjunta entre CEG e CEPG”, mas não foi absorvida. A pró-reitora enfatizou que colegiados são “instâncias autônomas”, sem ingerência da reitoria. Atropelos Problemas com transparência no processo também foram apontados. Em primeiro lugar, os prazos exíguos: “A princípio, recebemos algo como 15 dias para enviar as planilhas. Como era inviável, houve uma prorrogação de algo como mais dez dias”, conta a diretora da Matemática “A entrega era para final de julho, período de férias”, acrescentou. A diretora disse ainda que buscou informações sobre a situação de outras unidades com o mesmo porte que a Matemática, mas não teve sucesso. “Antes conseguíamos ver pelo SIGA, mas, por alguma razão, não é mais possível visualizar pelo sistema”. Para a dirigente, o número reduzido de vagas somado ao atropelo sacrificou o planejamento institucional: “Quem pensa no futuro, quem planeja um desenvolvimento institucional para sua unidade, além das expansões universitárias provocadas, nunca tem chance”, opina. Ela afirmou que, se o critério para Cotav for mantido como está, “com certeza vamos recorrer”. Avaliação da Adufrj “A contratação de docentes é a decisão mais importante de uma universidade”, pondera o vice-presidente da Adufrj, professor Carlos Frederico Rocha.“Os recursos empreendidos e a irreversibilidade do movimento definem o futuro institucional", completa, ressaltando que a falta de informação gera desconfiança. "Para onde foram as vagas da Cotav anterior e que critérios foram usados?”