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Fotos: Alessandro CostaA exposição “Rescaldos das Memórias”, assinada pelo artista plástico Vik Muniz, começou a ser concebida quando o Museu Nacional ainda ardia em chamas, em setembro de 2018. O artista se comoveu ao ver, pela televisão, o fogo destruir suas memórias de infância e resolveu fazer alguma coisa para ressignificar toda a tragédia. “O Vik Muniz entrou em contato imediatamente conosco, logo após o incêndio, porque ele tinha muitas memórias de infância no Museu Nacional, visitou muitas vezes as nossas exposições permanentes”, conta o diretor do Museu, o professor Ronaldo Fernandes.

“Ele ficou muito comovido e então começamos uma parceria”, lembra. A exposição reúne quadros e esculturas que recriam parte do acervo perdido do Museu Nacional. As obras usam como matéria-prima as cinzas recolhidas no trabalho de rescaldo e de recuperação do palácio. “É um orgulho muito grande ter essa parceria com um artista tão renomado, em uma exposição que trabalha não só o acervo que foi perdido, mas, sobretudo, ressignifica essa perda”, afirma a museóloga Thaís Mayumi.

As obras estão expostas na Sala das Vigas, local onde o incêndio começou, e seguem em cartaz até 30 de agosto. Muito emocionada, a psicóloga Rafaela Nascimento foi uma das visitantes durante a abertura oficial da exposição. “Entrar neste espaço nos dá a real dimensão da tragédia. É realmente uma tragédia para a pesquisa, para a memória, para a História”, diz. “Ao mesmo tempo, é um convite para ressignificarmos todos esses sentimentos e valorizar nossas instituições científicas. É muito bonito poder estar aqui e ver todo esse trabalho”.

OUTRAS EXPOSIÇÕES

Na sala ao lado, a exposição “Os Bastidores da Ciência” mostra as etapas técnico-científicas do trabalho realizado pelos professores e pesquisadores que atuam no Museu Nacional. “O Museu Nacional vive porque produz conhecimento. O incêndio destruiu muita coisa, mas o trabalho da nossa instituição continuou”, afirma Thaís Mayumi.

Do lado de fora, uma réplica do Oxalaia quilombensis, o maior dinossauro carnívoro descoberto no Brasil, encanta crianças e adultos de todas as idades. A réplica foi doada pelo Parque dos Dinos. A espécie pertence ao grupo dos espinossaurídeos e foi descoberta pelo professor Alexander Kellner, ex-diretor da unidade. “Estava na Ilha do Cajual, no Maranhão, em uma expedição para coletar material. Um dia, resolvi ir caminhar pela praia. Lá pelas tantas, eu achei um pedaço da parte frontal, o focinho dele”, recorda o professor.

A descrição completa da espécie em publicação científica ocorreu em 2011, mas o achado ocorreu em 1999. Até o momento, 35 mil pessoas visitaram as exposições desde a inauguração, em 21 de junho, data em que o Museu Nacional comemorou 208 anos. Todas as mostras ficam em cartaz até 30 de agosto. A entrada é gratuita. O Museu Nacional funciona de terça a domingo, das 10h às 16h.

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