Fernando SouzaO mar de Copacabana foi o cenário de fundo de um emocionante ato do 8 de Março. Mulheres de todas as idades se mobilizaram na cidade do Rio de Janeiro e em outras capitais do país contra o feminicídio. Natália Tavares levou a filha Maya: “Estamos impressionadas com a quantidade de feminicídios. Infelizmente, eu tenho que explicar pra minha filha que esses ataques têm crescido contra mulheres, que há pessoas ensinando que isso é normal. E nós estamos aqui para lutar contra isso”.
“Eu costumo vir sempre às manifestações. É importante lutarmos por nossos direitos, mas hoje estou especialmente mobilizada para tentar parar essas violências que vemos todos os dias nos noticiários”, disse Mariane Nascimento. “Esse discurso red pill está matando a gente todo dia. Também sou mãe. Quero que minha filha cresça sem medo”.
Márcia Nascimento, mãe de Mariane, levantava um cartaz em referência ao brutal estupro coletivo que vitimou uma menina de 17 anos, no mesmo bairro. “Foram 60 minutos de maldade, de violência. Não podemos permitir. Minhas netas estão apavoradas, andam com medo”, revelou.
A AdUFRJ marcou presença. “A AdUFRJ está na luta em defesa das mulheres e contra a violência crescente contra as mulheres. Estamos especialmente entrando na pauta do feminicídio zero”, explica a presidenta Ligia Bahia. “Estamos encampando esta agenda e esperamos que essa pauta prospere muito neste importante ano eleitoral de 2026”.
Renata Gracie, pesquisadora da Fiocruz, representava o Coletivo de Mulheres da instituição. “Aqui é o momento que a gente se sente forte, que reparte nossas dores e vivências. Nosso coletivo está aqui também para mostrar que, no mundo complexo que vivemos hoje, não chegaremos a boas soluções sem diversidade na pesquisa”, afirmou.
“Nos queremos vivas e em plenitude”, declarou a deputada estadual Renata Souza (PSOL), que estava acompanhada de Luyara Franco, filha da vereadora Marielle Franco. “É essencial estamos nas ruas em busca de políticas que sejam efetivas”. Para Luyara, o ato tem um clima especial. “Está sendo um dia muito mais significativo. Estamos há uma semana da condenação dos mandantes do assassinato da minha mãe. Estar nas ruas significa que nossa mobilização realmente tem efetividade e nosso lugar é em qualquer lugar”, afirmou. “Há oito anos carregamos essa coragem, que é compartilhada e recarregada em momentos como esse”.
Garantia do pleno emprego, tarifa zero no transporte público, fim da escala 6x1, e aborto legal e seguro também estavam na pauta do ato, que reuniu algumas milhares de mulheres mesmo debaixo de sol forte.
A manifestação caminhou do Posto 3, em Copacabana, até o Posto 1, no Leme. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e a deputada federal Benedita da Silva foram escolhidas as personalidades da manifestação.





