Uma bonita e delicada cerimônia na tarde desta quarta-feira diplomou os 24 estudantes e dois professores da UFRJ mortos e desaparecidos durante a ditadura, no lotado Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura.
"É muita emoção", afirmou à reportagem Mário Nacinovic, que recebeu o diploma em nome da irmã, Ana Maria Nacinovic, estudante da Escola de Belas Artes, assassinada em 1972. "Minha irmã não morreu em vão. Se temos democracia hoje, é porque Ana Maria e tantos outros guerreiros deram suas vidas", completou.
O reitor Roberto Medronho disse que nenhum diploma poderá reparar a dor de amigos e familiares. "Mas hoje, em um gesto simbólico, a UFRJ devolve a vocês o que a ditadura tentou negar: que estiveram aqui. O reconhecimento que fizeram parte da nossa comunidade e permanecerão para sempre em nossa memória", disse.
O coordenador da Comissão de Memória e Verdade da universidade, professor José Sérgio Leite Lopes, afirmou que o ato seguiu recomendação da Comissão Nacional da Verdade. "A UFRJ assim se junta aos movimentos de diplomação póstuma que têm sido organizados em diferentes universidades, nos últimos dois anos".
ARTE PRESENTE!
Ao lado do salão, criada pelo professor Pedro Meyer, da EBA e também integrante da Comissão de Memória e Verdade da universidade, uma instalação com lanternas trazia o nome iluminado de cada um dos alunos e professores mortos e desaparecidos.
Foto: Alessandro Costa





