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WhatsApp Image 2026 05 29 at 20.52.41Foto: Fernando SouzaDo lado esquerdo da principal entrada do Observatório do Valongo, um mosaico de vidro homenageia Urânia, musa da Astronomia. Mas, nos últimos tempos, a inspiração da mitológica figura tem sido insuficiente para a superação de tantos problemas da unidade fundada em 1881 e instalada desde a década de 1920 no topo do Morro da Conceição, no Centro do Rio. É necessário mais orçamento.
“Temos que manter um campus sozinho com um orçamento participativo que não contempla nossas especificidades. Até o ano retrasado, recebíamos R$ 50 mil. Ano passado, com contingenciamento, ficamos na faixa dos R$ 30 mil. Para manter todos esses prédios que vocês estão vendo aqui, é impossível”,afirmou o diretor do Observatório, professor Thiago Signorini Gonçalves, durante reunião com direção da AdUFRJ, no dia 28. Desde abril, foi a quarta visita do sindicato às unidades para ouvir as demandas dos colegas.
Até a alimentação é difícil no Valongo. Não há restaurante, bandejão ou sequer uma cantina no local. Levar quentinhas ou fazer pedidos por aplicativo são as alternativas. “Já fizemos licitação e não aparecem candidatos, porque a comunidade do Valongo é muito pequena”, relata o diretor. No momento, há apenas 15 docentes, 13 técnicos-administrativos e 176 alunos de graduação e pós na unidade (veja quadro).WhatsApp Image 2026 05 29 at 20.52.42Foto: Alessandro Costa
Por conta das colaborações acadêmicas com observatórios do mundo inteiro, o Valongo precisa de uma rede de internet estável e de qualidade. Mas não é o que acontece no cotidiano. Muitas vezes, professores e alunos trabalham de casa para garantir a realização das atividades. Nem o site do Valongo está atualizado. “O melhor exemplo é nossa home page. Não conseguimos atualizá-la. Foi solicitada à TIC (Superintendência Geral de Tecnologia da Informação e Comunicação) a colocação de uma nova home page e ela está online. Mas não nos deram a senha para modificá-la. Já enviei cinco solicitações pelo email da TIC para que os coordenadores tenham acesso e não tenho resposta”, disse o professor Helio Jacques Rocha-Pinto.
A falta de espaço é outro drama da infraestrutura. A sala onde aconteceu a reunião com a AdUFRJ é a que está em melhores condições. Nas outras e nos corredores, as infiltrações são visíveis. “Só temos quatro salas de aula. Essa é a maior de todas. E aqui nem cabem todos os alunos de graduação. Há demanda nossa por um auditório desde 1988 e não há perspectiva de que isso será feito”, continuou Helio. “Temos que espremer todas as atividades. E duas das quatro salas são com computadores. E nem todas as aulas usam os computadores”, completou.
WhatsApp Image 2026 05 29 at 20.52.42 13Em uma área bastante globalizada, os docentes do Valongo criticaram ainda a ausência de apoio institucional para as viagens. “Se você tem uma disciplina na graduação e uma na pós e fizer duas viagens curtas no semestre, fica muito difícil repor aula. Especialmente na graduação. Não há algo mais institucional para lidar com essas viagens no meio do semestre”, disse a professora Denise Rocha.
A diretoria da AdUFRJ apresentou as ações do mandato — como a construção da sede própria e a colônia de férias — e colocou o sindicato à disposição dos colegas. “O objetivo dessa reunião era falar um pouco do que temos feito nestes meses e também queríamos ouvir as demandas de vocês e ver, como sindicato, no que podemos auxiliá-los”, disse a diretora Luisa Ketzer. “Queríamos saber quais seriam as demandas específicas de vocês que estão aqui no Valongo e estreitar laços. Nós, como comunidade de professores da UFRJ, precisamos ter essas oportunidades de contato e as unidades mais distantes, às vezes, têm menos isso”, reforçou o diretor Daniel Conceição.

CARREIRA TAMBÉM FOI DISCUTIDA

Na reunião do Valongo, a carreira docente também entrou em pauta. Os salários pouco atrativos do magistério federal tem causado a perda de profissionais da unidade. “Quando houve concurso do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, muita gente saiu da UFRJ buscando uma oportunidade melhor nos institutos de pesquisa que têm um trabalho muito parecido com o nosso”, afirmou o professor Thiago Gonçalves. “O avanço na carreira é muito mais rápido: a gente leva 19 anos, no mínimo, para chegar a Titular; no MCTI, são seis anos. E com condições de apoio à pesquisa que são muito mais vantajosas”, completou.
A presidenta da AdUFRJ contou que a diretoria estuda uma proposta de carreira. “Estamos em uma situação muito ruim. O salário inicial e de saída é muito baixo e demora muito tempo para chegar a Titular”, afirmou a professora Ligia Bahia. “Queremos que a remuneração seja digna e com um tempo para a pessoa se reciclar, se atualizar. Por exemplo, tendo um ano sabático”.

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