O Salão Dourado do Palácio Universitário, no campus Praia Vermelha, foi pequeno para abrigar tanta gente. Formada basicamente por professores e alunos da UFRJ, a plateia aplaudiu de pé, na noite desta segunda-feira (2), a conferência "O Brasil e o cenário internacional para 2026: desafios e oportunidades", proferida pelo ex-chanceler e atual assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim. O principal foco da fala foi a crise no Oriente Médio provocada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que culminaram com a morte do líder supremo persa, o aiatolá Khamenei.
"Em 60 anos de diplomacia, nunca vivi um tempo semelhante a esse. Vivemos um período de aceleração da história, de imprevisibilidade", ponderou Amorim, referindo-se, sobretudo, às interferências militares dos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump. Ele voltou a usar a expressão "devemos nos preparar para o pior" para acentuar as incertezas advindas de uma guerra prolongada entre o Irã, os Estados Unidos e Israel. "Essa guerra não vai ser um passeio. O Irã é uma civilização com mais de 3 mil anos, um país com 90 milhões de habitantes. É algo que vai durar muito", advertiu.
A conferência foi promovida pela AdUFRJ. Na apresentação, a presidenta do sindicato, professora Ligia Bahia, lembrou que foi a terceira palestra proferida por Amorim na UFRJ. "Ele esteve aqui em 2004 e em 2024. E volta hoje em um monento de tensão mundial. Quando o convidamos, pouco depois do ataque dos Estados Unidos à Venezuela, nem imaginávamos que uma crise como essa do Oriente Médio estaria próxima. É um privilégio tê-lo aqui", disse Ligia.
A cobertura completa da conferência você terá na próxima edição do Jornal da AdUFRJ.
Fotos: Fernando Souza






