Primeiro ecólogo formado no Brasil, cientista brilhante, dono de uma invejável capacidade de articulação política, colega generoso e fundador do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade em Macaé (NUPEM), o professor Francisco de Assis Esteves recebeu o título de emérito da UFRJ, na tarde de ontem, em uma concorrida cerimônia realizada no Auditório Quinhentão do Centro de Ciências da Saúde.
Irrequieto como sempre, Chico – como é conhecido pelos mais próximos – anunciou que não vai reduzir suas atividades nesta nova fase da vida, ainda mais diante do delicado momento político do país. “Pertenço a uma comunidade chamada ‘Sonhadores Contumazes’. Quem está lá? Filósofos, poetas e pescadores. Nós amamos o que fazemos e não paramos de trabalhar até partir”, disse o agora primeiro docente emérito do Nupem.
“Principalmente nesse momento da universidade pública, que está sofrendo tantos ataques, não é a hora de tirar o corpo fora. Sou filho da Minerva e o filho da Minerva não corre da raia. O filho da Minerva vai enfrentar os desafios”, afirmou. “É a hora de me dedicar ainda mais à nossa Universidade Federal do Rio de Janeiro. Vou trabalhar mais ainda para que nós possamos ajudar a sociedade no caminho de uma sociedade mais equânime economicamente, socialmente e ambientalmente”.
O reitor Roberto Medronho encerrou a cerimônia, reforçando os diversos predicados de Chico Esteves. “Estamos homenageando alguém que soube transformar conhecimento em instituição, ciência em preservação, pesquisa em desenvolvimento regional e sonho em universidade pública presente no território”, disse.
“Homenageamos também o homem simples, o amigo leal, o companheiro de Rosa, o pai de Bruna e Lívia, o avô apaixonado de Tom, Luíza, Maria Eduarda e Joaquim. O professor que continua ensinando, mesmo quando está simplesmente passeando com os seus netos”, completou.





