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Foto: Fernando SouzaAs agressões físicas sofridas pelo estudante de História, Diego Costa Araújo, na escadaria do IFCS em 25 de agosto, mobilizaram o último Consuni do dia 10. Acusado de fazer apologia ao nazismo, Diego foi retirado de sala de aula por colegas e depois espancado. Os alunos dizem que a pancadaria começou quando Diego proferiu acusações racistas contra um estudante do Direito que lhe deu voz de prisão. Diego nega o nazismo e o racismo.
O caso ganhou destaque na imprensa nacional e expôs a imagem da universidade na véspera de uma das eleições mais delicadas da história do Brasil. A polícia abriu três inquéritos e a universidade instaurou uma sindicância para apurar as responsabilidades. Durante o Consuni, a presidenta da ADUFRJ, professora Ligia Bahia, defendeu a sindicância para os acontecimentos. “A justiça significa punição para atos que não deveriam ter ocorrido. E significa amplo direito à defesa para todos”, disse. “Porque a universidade não é o lugar de violência”, completou.
Diretor do Instituto de Economia, o professor Carlos Frederico Leão Rocha chamou atenção para o artigo 207 da Constituição, que confere autonomia às universidades. “Ele resulta na impossibilidade de entrada da polícia nos campi da UFRJ. Isso é especial. Por causa disso, ninguém pode dar voz de prisão nas universidades”, falou, em referência aos acontecimentos do IFCS, quando o aluno do Direito teria dado voz de prisão a Diego.
O professor Joaquim Martins leu nota do Conselho de Minerva – instituição de ex-alunos da universidade. O conselho cobra “providências transparentes e rigorosas com integral respeito às garantias individuais e aplicação das sanções cabíveis àqueles cujas responsabilidades forem comprovadas. Que prevaleçam, acima das paixões e do radicalismo, a justiça e a paz”.
Já as representantes estudantis apresentaram outro ponto de vista. Uma delas, a aluna Brenda Souza Quinta argumentou que “o sujeito estava sendo conduzido para fora da universidade, mas ele reagiu violentamente e proferiu palavras racistas para um colega”. A representante estudantil defendeu que a universidade não responsabilize os alunos que “se defenderam de ataques nazistas e ataques racistas”.

Discurso da presidenta da ADUFRJ, Ligia Bahia

“Bom dia a todos!
Parabéns, em nome da ADUFRJ, pela cerimônia de ontem – de diplomação dos professores e estudantes mortos e desaparecidos na ditadura. Uma cerimônia extremamente emocionante para todos nós, inclusive, que participamos muito dos movimentos estudantis aqui na UFRJ. Quero aproveitar para agradecer o apoio que a UFRJ me deu pelo ataque da extrema direita a mim. Eu fui processada pelo Conselho Federal de Medicina e queria dar a boa notícia que fui completamente absolvida pela Justiça. Então, muito obrigada!
Nós somos muitos os que lutam pela universidade. Nós da ADUFRJ, neste momento, estamos lutando pela universidade. Nós consideramos que houve no IFCS uma ameaça à autonomia da universidade. É um paradoxo. Na realidade, nós trouxemos a possibilidade de não termos autonomia na UFRJ com o ataque no IFCS. Nós queremos retomar a autonomia da UFRJ.
A ADUFRJ está apoiando a sindicância. Nós queremos que essa sindicância corra muito rápido e que seus resultados sejam divulgados amplamente. Isso é fundamental para que a UFRJ retome a sua autonomia. É a UFRJ que vai decidir quais são as regras, o que pode e o que não pode. Nós temos regras e essas regras têm que ser cumpridas.
A ADUFRJ solicita e reitera à reitoria da UFRJ os pedidos de segurança, inclusive com instalação de câmeras imediatamente no IFCS. Isso é possível, é viável. Estamos reforçando o nosso compromisso aqui com a justiça. A justiça significa punição para atos que não deveriam ter ocorrido. E significa amplo direito à defesa para todos.
A ADUFRJ, inclusive, neste momento, quer se colocar à disposição para garantir a ampla defesa, mas, ao mesmo tempo, cobrar justiça. Porque a universidade não é o lugar de violência. A universidade é o lugar da democracia. A universidade é o lugar do pluralismo. A universidade não é o lugar de totalitarismo, não é o lugar de autoritarismo. Portanto, nós estamos aqui apoiando a autonomia da nossa universidade. Obrigada a todos.”

ADUFRJ liderou reunião para defender autoridade docente em sala de aula

A diretoria da ADUFRJ acompanha com preocupação o episódio do IFCS-IH e alerta para a importância de se garantir a plena autoridade do professor – no confronto de 25 de agosto, a aula da professora Sabrina Moehlecke, da Faculdade de Educação da UFRJ, foi interrompida pelos alunos que retiraram o colega, sob a acusação de nazismo.
Para refletir sobre o tema, cobrar ações administrativas e propor medidas de garantia da segurança e da qualidade do trabalho docente, a diretoria da ADUFRJ organizou uma reunião no dia 4 de setembro, no campus da Praia Vermelha. No encontro, professores de diversas unidades manifestaram preocupação com o crescimento de confrontos dentro do campus.
“Temos que garantir a inviolabilidade da sala de aula. O professor é a autoridade em sala. Ela não pode ser invadida por quem quer que seja”, assinalou Carlos Frederico Leão Rocha, diretor do Instituto de Economia. “Estou na Universidade desde 1971. A universidade mudou muito. No IFCS, há um trânsito de quase 2 mil pessoas por dia num prédio histórico que não tem condições para isso. O clima está muito tenso e qualquer medida mais firme gera reação dos alunos. É preciso ter coragem”, ponderou o professor Paulo Baía, aposentado do IFCS.
O professor João Torres lamentou o confronto e sua enorme repercussão negativa nas redes. “Não podemos ser justiceiros na universidade. Não importa o motivo do início da briga”, disse.
O professor César Lemos, do Instituto de História, contou que estava no IFCS no dia da briga e fez um impactante desabafo. “Está inviável trabalhar ali. Nossas salas de aula não estão adaptadas à nossa realidade. São salas antigas com cadeiras presas no chão. O elevador está quebrado há dois meses. Temos professores de idade avançada. A insegurança em volta do prédio é terrível. Temos que terminar as aulas noturnas mais cedo por conta da violência ”, conta o docente. “O que aconteceu no dia 25 foi de uma violação absoluta ao exercício docente. Como sindicato, temos que colocar essa posição de forma muito enfática de defesa do trabalho digno dos professores”.
A professora Luisa Ketzer, do Campus de Caxias e diretora da ADUFRJ, ressaltou que as condições precárias de trabalho têm impacto na saúde dos docentes. “Temos um crescimento cada vez maior de adoecimento na universidade”, lamentou.
A presidenta da ADUFRJ, professora Ligia Bahia, propôs criar um sistema de orientação dos professores. “Podemos seguir o exemplo da Unicamp e produzir uma cartilha para os docentes”, lembrou. Outros dois pontos que a diretoria irá cobrar da reitoria da UFRJ são a instalação de câmeras no IFCS-IH e a agilidade nos resultados da comissão interna de sindicância.

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