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Belita Koiller recebe o título de emérita entre o colega Luiz Davidovich e a vice-reitora Cássia Turci, no CCMN - Foto: Fernando SouzaCientista brilhante, colega generosa, gestora decidida e, agora, uma emérita pioneira. A professora Belita Koiller acaba de se tornar a primeira mulher do Instituto de Física a receber a honraria, em cerimônia realizada dia 7, no Salão Nobre do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza.
A saudação à homenageada coube ao também professor emérito Luiz Davidovich. O colega, que conheceu ainda na graduação na PUC-RJ, no fim dos anos 60, reverenciou a determinação de Belita em ocupar espaços nos quais a presença das mulheres ainda é extremamente reduzida. Desde o doutoramento – única mulher de sua turma – até as conquistas acadêmicas. "Foi eleita em 1995 membro titular da Academia Brasileira de Ciências. A primeira mulher a alcançar essa condição na área de ciências físicas, abrindo uma porta que permanecera fechada por décadas", citou, entre vários exemplos.
Belita teve a carreira marcada por contribuições à Física da Matéria Condensada, com trabalhos citados até hoje em todo o mundo. Mas também por um compromisso profundo com a universidade e com colegas. "Aqui na UFRJ foi uma força consistente, incansável e persistente no projeto de mudança do Instituto de Física para um novo prédio. E todos que conhecem Belita sabe o que significa a persistência dela", brincou Davidovich. "Querida Belita, hoje celebramos a cientista excepcional, a professora, a formadora de cientistas, a dirigente acadêmica e a defensora incansável da ciência brasileira", completou.
A homenageada, acostumada a quebrar barreiras ao longo de toda a trajetória profissional, também quebrou o protocolo da cerimônia. Em vez de discursar sobre a carreira, como é de praxe nas emerências, preferiu dar uma aula sobre a evolução da eletrônica que revolucionou dispositivos como os microfones modernos. Mas, antes, ainda dividiu o mérito pela construção do prédio da Física com todos os colegas. "Havia os céticos, mas não foi difícil porque não tinha oposição interna", contou.
Somente depois da solenidade, em entrevista à reportagem, a professora agradeceu a homenagem, de forma modesta. “Foi muito gratificante ter esse reconhecimento, que não sei se mereço”, disse Belita, que agora soma a emerência com os graus de Comendadora (2002) e de Grã-Cruz (2010) da Ordem Nacional do Mérito Científico e o Prêmio Unesco/L’Oréal para Mulheres na Ciência (2005), entre outros tantos títulos.

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