Foto: Ana Beatriz MagnoAna Beatriz Magno e Kelvin Melo
A diretoria da ADUFRJ e o presidente do Andes, professor Cláudio Anselmo de Souza Mendonça, se reuniram para discutir divergências de atuação sindical. No encontro, solicitado pelo dirigente do Sindicato Nacional, o principal ponto em pauta foi o conflito sobre os métodos de eleição e deliberação dentro do movimento docente.
Enquanto a AdUFRJ defende meios eletrônicos para ampliar a participação dos professores nas decisões do sindicato, o Andes não cede em realizar assembleias presenciais e votações em papel.
A reunião, na sede da ADUFRJ, foi bem avaliada pela presidenta, professora Ligia Bahia. “Foi uma reunião muito positiva, com um diálogo respeitoso e produtivo. Conseguimos conversar sobre temas importantes para a gente”, afirmou.
Ligia ressaltou para o presidente do Andes como os meios de consulta e decisão eletrônicos são essenciais em uma universidade grande como a UFRJ, com diversos campi. Além disso, há aproximadamente 1,4 mil docentes aposentados entre os filiados da ADUFRJ. “Como esses professores, que contribuem mensalmente para a AdUFRJ, vão participar das decisões do sindicato? Temos adotado os métodos eletrônicos e vamos intensificar, porque acabamos de aprovar a mudança em nosso regimento”, disse, em referência ao resultado da última assembleia, nos dias 2 e 3 de junho.
A ADUFRJ também reivindicou que o Andes se empenhe mais na defesa do sistema nacional de Ciência e Tecnologia. “Além de focar no MEC e no orçamento do MEC, seria importante que o Andes também atuasse no Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia, que inclui o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Finep, e demais instituições que financiam pesquisa e inovação”, disse.
“Temos expectativas de tudo isso ter um desdobramento positivo”, concluiu Ligia.
Já o presidente do Andes saiu confiante de que “é possível fortalecer nosso Sindicato Nacional e as seções sindicais”. O professor observou que eventuais mudanças de metodologia serão debatidas em um Conselho do Andes (Conad) Extraordinário, marcado para novembro.
Confira, a seguir, a entrevista concedida ao Jornal da ADUFRJ.
Jornal da ADUFRJ - Por que o senhor solicitou esta reunião com a diretoria da ADUFRJ?
Cláudio Mendonça - A minha ligação foi no sentido de tentar entender como a gente pode, diante dessas diferenças de entendimento que têm ocorrido, estreitar as relações do Andes com a seção sindical. O nosso Sindicato Nacional está aberto a todos os debates. Debates esses que passam por deliberações, seja nos Conads, seja nos Congressos. Saí dessa reunião muito confiante de que é possível fortalecer nosso Sindicato Nacional e as seções sindicais.
Essa é a primeira seção sindical de oposição que o senhor visita?
Eu dialogo com todas as seções. Para se ter uma ideia, quinta-feira (18) estou indo para uma seção sindical que nem está no Andes, que está num processo de “namoro” para retornar ao Andes, que é a APUBH, em Minas Gerais. Já participei, há um mês, de uma reunião virtual com a diretoria da Adufpi, da Federal do Piauí, que não votou na nossa chapa. Sou presidente do Sindicato Nacional. Não sou presidente da força A, força B ou força D. Se qualquer seção sindical demandar diálogo com o presidente do Andes, estarei integralmente à disposição.
As diretorias da ADUFRJ desde 2015 fazem uma defesa contumaz das ferramentas digitais nos processos de decisão do sindicato. Essa mudança pode acontecer?
Estamos passando por um processo muito rico no âmbito do nosso Sindicato que está tratando justamente das questões organizativas, financeiras, administrativas e que vai desaguar no Conad extraordinário em Brasília, entre os dias 14 e 16 de novembro, com o objetivo de modular mudanças no nosso Sindicato.
Sobre eleição e assembleias, esse debate está em curso. Há uma preocupação de não individualizar a luta sindical: por exemplo, cada um no seu canto entra numa sala e participa. Será que isso é produtivo? Será que não é possível encontrar uma mediação? No Congresso de Curitiba (no início do ano que vem), vamos poder deliberar as mudanças que a base achar necessárias. As ações presenciais têm prioridade na luta política, mas não vamos achar que o ambiente virtual deve ser demonizado.
Também há muitas críticas da direção da ADUFRJ à exaustiva metodologia dos Congressos e Conads realizados pelo Andes...
Temos consciência de que o Congresso e o Conad são pesados. E não são pesados somente para a base. Para a diretoria, é mais ainda. No último Congresso, houve dois dias que não consegui almoçar e são noites que a gente vira. Não é algo simples. No Conad agora, estamos indicando a formação de uma comissão para pensar essas mudanças, debater no Conad extraordinário e alterar no Congresso.
A diretoria do Andes vai defender o voto em Lula nas eleições deste ano?
A diretoria se submete ao que o Congresso ou o Conad delibera. Nós temos uma avaliação, como diretoria, que temos um desafio enorme na conjuntura atual. A única coisa que posso afirmar publicamente é que o Sindicato não pode fugir da responsabilidade de ser parte do processo para derrotar a extrema direita seja nas ruas, nas redes sociais ou nas urnas. O texto de conjuntura da diretoria ao próximo Conad, em julho, em São Luís (MA), estará apontando a necessidade de eleger Lula, no primeiro turno.
ADUFRJ NO CONAD
Responsável pela atualização do plano de lutas do movimento docente, o Conad começa sexta-feira, 3, em São Luís (MA).
O evento, que terá como sede a Universidade Federal do Maranhão, reunirá representantes das associações docentes de todo o país. A delegação da ADUFRJ, liderada pela presidenta Ligia Bahia, será composta pelos professores: Maria Tereza Leopardi, Daniel Conceição, Eleonora Ziller, Cristina Miranda, Camila Azevedo Souza e Luis Acosta.





