Da esq. para a dir.: Igor, Monalessa, Flávia e Luidhy“É a realização de um sonho”. Assim Flávia Yared define a experiência de se tornar uma das mais novas professoras da UFRJ. Ela reforça o quadro da Escola de Belas Artes desde 7 de janeiro, quando tomou posse no cargo ao lado de 16 colegas de diferentes áreas do conhecimento.
Para alguns deles, a nova jornada será uma chance de retribuição à sociedade. “O fato de ser professor em uma universidade pública é uma maneira de retribuir todo o investimento que o Estado fez em mim desde a graduação”, afirma Luidhy Santana, do Observatório do Valongo.
Já o professor Igor Rolemberg não esconde a felicidade de poder lecionar em uma unidade de prestígio reconhecido dentro e fora do Brasil. “Estar hoje no Departamento de Antropologia do Museu Nacional, a mais antiga instituição científica do país, é muito especial”.
O Jornal da AdUFRJ colheu o depoimento de quatro novos docentes. Os quatro são de fora do Rio, e compartilham desde muito cedo a afinidade pela pesquisa, mas não veem a hora de encontrar suas primeiras turmas. “Costumo dizer que tenho uma paixão pela pesquisa, mas meu combustível diário é a sala de aula, na troca com os alunos”, explica Monalessa Pereira, do Nupem. Confira a seguir as entrevistas desses quatro colegas sobre suas trajetórias e expectativas em relação à vida recém-iniciada na UFRJ. Sejam bem-vindos!
Igor Rolemberg
Museu Nacional
Sou de Aracaju, mas cursei minha graduação em Direito na USP, de 2007 a 2011. Depois, fiz o mestrado em Ciências Sociais na École Normale Supérieure de Paris. O doutorado também foi na França, na École des Hautes Études en Sciences Sociales, de 2016 a 2023, quando iniciei uma co-tutela com o Museu Nacional da UFRJ. Minha linha de pesquisa é a mobilização por reforma agrária na Amazônia Oriental e, mais recentemente, comecei um estudo sobre a digitalização das políticas fundiárias públicas no Brasil.
Já cultivava a ideia de virar professor em uma universidade federal, mas estar hoje no Departamento de Antropologia do Museu Nacional, a mais antiga instituição científica do país, é muito especial. Fiquei muito feliz de estar entre os aprovados e fiquei mais feliz ainda quando soube que iria ingressar na instituição. A primeira pessoa para quem dei a notícia foi minha mãe, que está em Aracaju (risos).
Tenho expectativa de que a gente consiga melhorar a comunicação da UFRJ com o público não acadêmico, incentivando políticas de divulgação científica, para que todo mundo possa compartilhar do valor de uma universidade pública, gratuita, de qualidade e cada vez mais democrática.
Monalessa Pereira
NUPEM
Sou graduada em Ciências Biológicas pela Universidade de Vila Velha, com conclusão em 2008. Optei pelo mestrado em Microbiologia na Universidade Federal de Viçosa, concluído em 2011, e, logo em seguida, ingressei no doutorado no mesmo programa, finalizado em 2015. Depois, realizei o pós-doutorado na Universidade Federal do Espírito Santo, onde também atuei como professora substituta. Em 2020, me tornei professora efetiva da Universidade do Estado de Minas Gerais e lá fiquei por cinco anos.
Estou muito feliz com essa conquista, de me integrar ao corpo docente da UFRJ. Fui muito bem recebida aqui no NUPEM. Atualmente, minha linha de pesquisa concentra-se na genética molecular de bactérias patogênicas, especialmente nos fatores relacionados à virulência e à resistência aos antimicrobianos, que representam um sério desafio para a saúde pública mundial. Além disso, venho trabalhando com terapias antimicrobianas alternativas, com ênfase na fagoterapia, que utiliza vírus com ação específica contra células bacterianas. Embora não seja uma abordagem nova, voltou a ganhar destaque diante da emergência de bactérias multirresistentes.
Costumo dizer que tenho uma paixão pela pesquisa, mas meu combustível diário é a sala de aula, na troca com os alunos. E já estou preparando minhas disciplinas com muito carinho para receber os novos estudantes.
Flávia Yared Rocha
Escola de Belas Artes
Sou do interior de Santa Catarina, mas me graduei em Arquitetura pela Universidade Federal do Paraná, em 1996. Fiz uma pós-graduação em arquitetura e cenografia na França, entre 1997 e 1999 e, de volta ao país, comecei a trabalhar como cenógrafa na TV Globo. Mas a vida acadêmica sempre me chamou a atenção. Em 2012, completei um mestrado em Filosofia na PUC e, doze anos depois, o doutorado em Artes da Cena, na Escola de Comunicação da UFRJ.
É a realização de um sonho me tornar professora da universidade. É um curso de muita tradição e me sinto muito honrada de estar ocupando este lugar, de contribuir para o ensino de cenografia no Brasil. Como traduzir anos de experiência em pesquisa, em questionamento? Acredito muito que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a construção desse conhecimento.
Neste primeiro semestre, darei aulas de Técnicas de Montagem Cênica II e III. Matéria que está presente em todas as manifestações da cenografia: teatro, exposição, carnaval, feiras, cinema e televisão. É investigar como materializar uma ideia. E também darei aula de Cenografia V, voltada para o projeto de cenografia para televisão, cinema e vídeo-arte; que é minha área de atuação e de pesquisa. Foi um presente que ganhei.
Luidhy Santana
Observatório do Valongo
Eu me formei em Física na Universidade Estadual do Ceará, em 2013. Fiz mestrado em São José dos Campos, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de 2014 a 2016 e doutorado, no próprio Observatório do Valongo, de 2016 a 2020. Durante este período, fiz um ano e meio de doutorado-sanduíche no Centro de Voos Espaciais Goddard, um laboratório da NASA que fica em Maryland, nos Estados Unidos. E pós-doutorado no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), de 2023 até o fim do ano passado.
Desde que entrei na graduação, queria fazer ensino e pesquisa na universidade. Fiquei muito feliz de passar para a UFRJ, que é um polo de astronomia aqui no Sudeste, junto da USP. E o mais legal é que vou voltar para o departamento onde concluí o doutorado. Conheço o ambiente e serei colega de trabalho de muitos que me deram aula.
Pretendo continuar com a linha que desenvolvia no pós-doc: a intercessão entre inteligência artificial e astrofísica aplicada principalmente para calcular propriedades físicas e estruturais de galáxias.
Estou bastante empolgado. O fato de ser professor em uma universidade pública é uma maneira de retribuir todo o investimento que o Estado fez em mim desde a graduação.





