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WhatsApp Image 2021 07 24 at 10.38.08Celebrar e divulgar conhecimento. Com esse espírito aconteceu a 73ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entre os dias 18 e 24 de julho. Foi o segundo encontro seguido inteiramente remoto. Com o tema “Todas as ciências são humanas e essenciais à sociedade”, o evento contou com uma programação que reforça o vigor científico do Brasil nos tempos de pandemia. Ao todo foram, 32 conferências, 52 mesas-redondas, 22 painéis, 4 sessões especiais, 3 oficinas de bate papo e 34 webminicursos em apenas uma semana.
A UFRJ esteve presente com 26 professores, entre palestrantes (15), conferencistas (2), coordenadores (6), apresentadores (4) e participantes (4). Aberta para toda a população, a Reunião Anual da instituição é considerada a principal mostra científica do país, e vem sendo realizada ininterruptamente desde 1949. Confira a seguir algumas das mesas do encontro, que mostram a riqueza da produção científica brasileira nas mais diversas áreas do conhecimento.
ILDEU, UM MILITANTE DA
CIÊNCIA COM DNA DA UFRJ
WhatsApp Image 2021 07 24 at 10.33.14A sessão de abertura do evento, no dia 18, foi conduzida pelo então presidente da SBPC, Ildeu Moreira. Professor do Instituto de Física da UFRJ, Ildeu se despede do segundo mandato consecutivo à frente da instituição, realizado em boa parte durante a pandemia. Mesmo diante desse cenário, sua gestão articulou diversas ações em prol de ampliar os recursos destinados à Ciência brasileira, e foi marcada pelo enfrentamento direto às ameaças de corte orçamentário do setor. “Nós agradecemos muito a todos os sócios, conselheiros, secretários regionais e a todas as entidades que nos apoiaram, porque essa tarefa da SBPC depende do trabalho coletivo de muita gente”, declarou Ildeu. “A nova diretoria será presidida pelo professor Renato Janine Ribeiro, professor da USP, que muito nos honra pela sua atitude de participar, se envolver e assumir esse cargo importante para o qual foi eleito”, finalizou Ildeu.
Renato Janine, ex-ministro da Educação, e a nova diretoria tomaram posse neste dia 23, e irão dirigir a Sociedade pelos próximos dois anos.
VACINAS BRASILEIRAS
Um dos principais debates no encontro foi sobre “Vacinas Brasileiras”, realizado no dia 20. “Nós pensamos no desenvolvimento da nossa vacina já tendo em mente o contínuo aparecimento das variantes”, comentou Luciana Jesus da Costa, professora associada do Departamento de Virologia, no Instituto de Microbiologia da UFRJ. A pesquisadora integra o grupo responsável pela elaboração da “UFRJ-Vac”, vacina da universidade contra a covid-19. Ela apresentou os estudos por trás da plataforma vacinal, baseada em RNA mensageiro, que tem como foco principal o Sars-Cov-2. “Nós pensamos em uma estratégia com três combinações diferentes, para vermos qual dessas formas vai levar a uma maior resposta imune”, completou. A equipe se prepara para a próxima etapa da pesquisa, em que será verificada a resposta de animais frente a esses RNAs.WhatsApp Image 2021 07 24 at 10.33.14 1
A mesa foi coordenada pela professora Lucile Winter, diretora da SBPC, e contou também com a participação do doutor Jorge Kalil, que apresentou dados de eficácia da vacinação ao redor do mundo. “Nos países com maior índice de vacinação, o número de casos confirmados de covid-19 voltou a crescer recentemente, devido às variantes”, disse. Jorge, que é professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e Diretor do Laboratório de Imunologia (InCor), apontou que o número de mortos já não é tão grande quanto antes, mas ainda há muitos infectados. “É por isso que nós precisamos de mais vacinas, que sejam capazes não apenas de evitar o agravamento da doença, mas se possível evitar até mesmo a infecção. Ou seja, que o vírus não consiga permanecer no nosso corpo, para não continuar se disseminando”, explicou.
Já o professor Ricardo Gazzinelli, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Vacinas, ressaltou a necessidade de o Brasil obter autonomia no desenvolvimento de vacinas. “Essa soberania é importante para essa pandemia mas também para possíveis situações futuras”, afirmou. Gazzinelli é um dos líderes do projeto que une a UFMG, a Fiocruz, a USP e o Instituto Butantan com o objetivo de desenvolver uma vacina contra a covid-19. “Hoje nós estamos terminando de fazer o lote piloto, e já submetendo então nossa proposta para a Anvisa. Esperamos que até o fim deste ano nós comecemos a fase I/II de segurança”, descreveu.

A PANDEMIA DAS INVERDADES
WhatsApp Image 2021 07 24 at 10.38.09O contexto midiático durante a pandemia fomentou diversas questões para o campo da linguística. Com base nisso, o professor Marcus Maia, do Departamento de Linguística da Faculdade de Letras da UFRJ, realizou no evento a conferência “Pandemia, infodemia e educação linguística”, no dia 19. A infodemia, tema central da sua apresentação, diz respeito à situação que se vive no mundo hoje de excesso de informações e propagação das fake news. “A OMS lançou no ano passado o seu primeiro Congresso de Infodemia, para debater essas questões. Já estamos agora na 4ª conferência, que tem a preocupação mais específica de como gerenciar e sobreviver a essa explosão de informações, muitas vezes inverídicas e manipulativas”, disse Marcus.
Ele comentou que assim como a pandemia impõe a necessidade de uma vigilância epidemiológica, a infodemia exige uma vigilância epistemológica. “Precisamos ser capazes de desenvolver raciocínio analítico e pensamento crítico que nos tornem imunes à manipulação da informação”, ressaltou. Marcus apresentou o impacto de diferentes metodologias didáticas na formação de alunos do ensino básico brasileiro. “Nos testes comparativos internacionais, a exemplo do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), o Brasil vem sempre obtendo resultados muito baixos em leitura, matemática e pensamento científico”, apontou. Segundo ele, a transformação educacional é o único caminho para se aprimorar a capacidade de discernimento da população. “A proposta que fazemos é que a linguagem seja uma ferramenta epistêmica, que possa realmente desenvolver essas capacidades mentais de conhecimento que todos alunos têm”, completou.
ECONOMIA ECOLÓGICA
Qual caminho seguir para construir uma economia ecologicamente sustentável? Esse dilema norteou a palestra “Recuperação Econômica, Meio Ambiente e Covid-19: Prospectos para o Brasil e o Mundo”, dada por Carlos Eduardo Frickmann Young, professor do Instituto de Economia da UFRJ, no dia 21. “A pandemia de covid-19 exacerbou todos os problemas que nós já tínhamos em relação à sustentabilidade: ela expôs as crises ambiental, social e econômica que o país já estava atravessando”, apontou. Coordenador do Grupo de Economia do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (GEMA), Carlos apresentou a necessidade de uma “retomada verde da economia”. “É quando a economia recupera o seu nível de atividade através da melhoria do bem estar humano e da equidade social, reduzindo riscos ambientais e ecológicos”, explicou. Segundo Carlos, o atual modelo de desenvolvimento adotado pelo Brasil tende a uma crise ambiental permanente. Para isso, o professor propõe uma abordagem mais eficiente dos recursos naturais, tendo em vista os grandes problemas na área ambiental, como as mudanças climáticas e a redução daWhatsApp Image 2021 07 24 at 10.34.19 biodiversidade. “Mas essa transição não vai acontecer espontaneamente pelo mercado. Para garanti-la é necessário que haja uma participação ativa do Estado”, ressaltou. Em seus estudos, o GEMA tem hoje como base teórica uma ‘Macroeconomia Pós-Keynesiana Ecológica’. “A gente tenta recolocar as questões básicas da escola Pós-Keynesiana em um contexto onde o meio ambiente importa”, completou.

CNPQ FAZ 70 ANOS
O encontro da SBPC abraçou também a comemoração dos 70 anos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “A SBPC tem uma relação intrínseca com o CNPq, que é a casa do pesquisador. A ciência brasileira hoje vive momentos difíceis, mas estamos todos juntos. Somos todos CNPq!”, disse Ildeu Moreira, então presidente da SBPC. Na live, realizada no dia 19, um video institucional apresentou a história da entidade, fundada em 1951 como “Conselho Nacional de Pesquisa” para ser uma estrutura central de fomento à pesquisa no país. O Presidente do Conselho, Evaldo Vilela, destacou o valor da instituição para o progresso científico e social do país. “É impossível nós termos um futuro como nação soberana e com um enfrentamento da desigualdade social, como é preciso no Brasil, sem a pesquisa e o desenvolvimento científico e tecnológico”, afirmou.

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