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Lideranças de esquerdaLideranças de esquerda nos pilotis da reitoriaUma celebração da universidade e das mulheres cientistas. Foi assim a solenidade em que a reitora da UFRJ, professora Denise Pires de Carvalho, recebeu a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A iniciativa da homenagem, no dia 3, foi da deputada Martha Rocha (PDT), ex-aluna da Faculdade Nacional de Direito.
“Desde a criação, em 7 de setembro de 1920, a UFRJ teve 28 reitores. Pela primeira vez, em quase 100 anos, uma mulher foi investida no cargo. De uma universidade cujo símbolo, a Minerva, também é feminino”, disse Denise. “Hoje, existem 19 reitoras em 63 instituições federais de ensino. As mulheres exercendo estes cargos de destaque ainda são minoria. Mas há novos ares, novas atitudes”, completou.
A reitora também registrou o importante papel da educação em uma sociedade impactada pelos avanços tecnológicos, em especial na comunicação – nas redes sociais, as pessoas ficam em “bolhas” de informação e só conversam com quem concorda com elas. “Só podemos romper estas bolhas pela Educação, pelo livre pensar, pelo pluralismo de ideias. Estes são os pilares do exercício da democracia e da liberdade”, afirmou.
O subfinanciamento da educação superior pública também mereceu destaque no discurso da professora. “Deveríamos estar discutindo aqui quais serão as profissões do futuro, em vez de déficits orçamentários”, observou. “É inaceitável dizer que devemos recuar por questões econômicas. Uma nação soberana depende de instituições fortalecidas”, completou.
Durante a solenidade, a mesa diretora da Alerj recebeu representantes da comunidade científica para saudar a reitora.
Uma delas foi a professora Eliete Bouskela, diretora científica da Faperj, que destacou Denise como um exemplo para as mulheres alcançarem funções de liderança dentro da universidade. “A primeira diretora do Instituto de Biofísica (Denise foi diretora do IBCCF em 2010) e primeira reitora da UFRJ mostra que é possível”.
Presidente da Faperj, o professor Jerson Lima Silva, que é do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, também tratou a concessão da Medalha Tiradentes à reitora como uma homenagem a todas as estudantes mulheres. “O Brasil é um dos poucos países do mundo em que a produção científica é dividida, meio a meio, entre homens e mulheres”, afirmou.
Representante da Academia Brasileira de Medicina, o professor Walter Zin abordou o entrelaçamento de sua carreira com a da homenageada. “Quando voltei do meu doutorado no Canadá, em 1982, a primeira turma para a qual dei aula foi a de Denise. Ao final, fui escolhido paraninfo”, disse. “Quando me aposentei, fui indicado para ser professor emérito. Esperei a posse dela e fui o primeiro homenageado pela gestão. O que, de certa forma, fechou um ciclo”. Vice-reitor da UFRJ, o professor Carlos Frederico Leão Rocha afirmou que a reitora representa a Educação e a ciência. “E isso é importantíssimo neste momento”.

 

 
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