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bandeira adufrjDiretoria da AdUFRJ

A semana foi de transição. Nas reuniões que tivemos, estavam conosco os integrantes da nova diretoria que tomará posse em 15 de outubro. Juntos ouvimos as representantes do Colégio de Aplicação, e também estivemos na reunião do Formas, o fórum das entidades da UFRJ que debateu com a reitoria os desafios para um retorno presencial seguro e que respeite as normas sanitárias. Nos dois encontros, um único tema de fundo: como afirmar nossa autonomia, nossos princípios e nossa cultura diante das pressões e ameaças do Ministério Público, que vem servindo (ao menos no Rio de Janeiro) de caixa de ressonância para os desmandos e a perseguição ideológica em curso desde que o atual ocupante do Palácio do Planalto tomou posse. Há ali um movimento legítimo, que expressa as reivindicações de setores da sociedade sobre o funcionamento presencial das escolas e cursos. Não é esse o problema. Como instituição pública devemos dar transparência aos nossos atos e sermos capazes de justificá-los. Mas o que está em curso nas ações que a universidade está respondendo é a flagrante violação do princípio constitucional da autonomia. A universidade possui um plano, possui um grupo de especialistas, está planejando, avaliando e executando ações que possibilitem o retorno gradativo de suas atividades. O que queremos, e o reivindicamos, é respeito pelas nossas decisões, que são emanadas pelos nossos colegiados superiores, após detalhado e cuidadoso exame. Que seja necessário produzir documentos, apresentar planos e justificativas, comparecer às audiências, enfim, não estamos acima nem fora da vida social e de seus regramentos.  
Ao mesmo tempo em que somos pressionados judicialmente, assistimos ao circo de horrores em que se transformou a CPI da Pandemia. As últimas graves denúncias envolvendo a Prevent Senior corroboram e fundamentam as nossas primeiras preocupações com o andamento da votação pela Câmara de mais um ataque direto ao Estado brasileiro e a sua frágil rede de proteção social. Saúde e Educação são importantes demais para serem submetidas à “regulação do mercado”. A PEC 32, a caminho do plenário para apreciação e votação, desfigura e desorganiza os fundamentos do Serviço Público e suas instituições, insere instabilidade e atalhos perigosos ao sistema, sem, no entanto, enfrentar nenhum dos privilégios que diz combater.
O resumo da ópera: exigências descabidas, desmonte de direitos, destruição dos instrumentos de elaboração e implementação de políticas públicas. O resultado do despreparo e da incompetência instalada no governo já nos salta aos olhos: inflação, fome, desemprego.
E o que há para fazer? Encerraremos a semana com mais um ato de rua (e nas redes), mas que dessa vez está trazendo uma nova perspectiva. O movimento #ForaBolsonaro cresceu, se ampliou, e ganhou novos atores. Cresceu o número de partidos políticos que convocam o ato, cresceu também a nossa indignação. O caminho está traçado, e mesmo diante de nosso espanto pela complacência criminosa que ainda é dominante em nosso país, vamos percorrê-lo. Com a mais ampla unidade das chamadas forças progressistas, vamos mais uma vez reafirmar nosso compromisso com a luta pela democracia, pela dignidade humana, em defesa da ciência, da cultura e da liberdade, contra a desigualdade social e a destruição nacional. Estaremos lá, sábado, 2/10, pela manhã, na Candelária. Estaremos todos e todas: a atual e a futura diretoria, e esperamos que muitos mais professores e professoras da UFRJ também!

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