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AdUFRJnoradio

bandeira adufrjLucas Abreu e Silvana Sá

Há dois anos, a atual diretoria da AdUFRJ era eleita para comandar o sindicato entre 2019 e 2021. Tomaram posse em 15 de outubro. Vieram as festas de dezembro, as férias de janeiro, o congresso do Andes em fevereiro. No final daquele mês, acontecia o primeiro caso confirmado de covid-19 no Brasil. Em março, cinco meses depois da posse, as aulas presenciais e diversas atividades não emergenciais foram suspensas na universidade. Desde então, foi enorme o esforço de reinventar a atuação sindical em meio remoto. “Eu tinha o sonho de recuperar essa alegria de estarmos juntos pessoalmente, de retomar eventos, de fazer da AdUFRJ um lugar de encontro para além da atuação sindical. Então, para mim, foi muito traumático fazer um mandato remoto”, lamenta a presidente do sindicato, professora Eleonora Ziller.
Diante de uma universidade privada de sua maior riqueza — a diversidade das trocas presenciais entre professores, estudantes, servidores e terceirizados — e de tantas incertezas diante do presente e do futuro, o jeito foi buscar mitigar os prejuízos desse afastamento forçado. “A gente já tinha introduzido as assembleias multicampi, reuniões por Zoom, já falávamos sobre novas formas de luta. E colocamos em prática aquilo que já vinha sendo amadurecido”, analisa Eleonora. Daí surgiram inúmeras iniciativas, como o Formas (Fórum de Mobilização e Ação Solidária), que congrega todas as entidades representativas da UFRJ, o CineAdufrj, o Sextou — Tamo Junto.
“O Tamo Junto foi uma de nossas melhores iniciativas. Foi algo gestado no início da pandemia, em uma tentativa meio improvisada de manter o sindicato funcionando, de manter as pessoas em contato, mesmo que à distância, e se mostrou esse sucesso estrondoso”, avalia o professor Felipe Rosa, 1º vice-presidente da AdUFRJ. “As pessoas esperavam para entrar no Tamo Junto, pediam para que acontecesse. As discussões foram de altíssimo nível e muito diversificadas”, orgulha-se o dirigente.
Outra importante ação foi a ampliação do plantão jurídico. Antes da pandemia, os atendimentos dos advogados aos sindicalizados aconteciam às terças e, a cada 15 dias, às sextas-feiras. Desde novembro do ano passado, os atendimentos passaram a ser todas as terças e quintas-feiras, com quatro horas de duração, em vez das tradicionais três horas. “Foi acertada a iniciativa de ampliar esse serviço. A nossa assessoria tem se mostrado bastante eficiente ao longo dos mais de 20 anos em que a AdUFRJ oferece esse atendimento”, elogia Felipe.
O fortalecimento do Jornal da AdUFRJ, a criação do programa AdUFRJ no Rádio e as lutas pelos direitos dos professores, como a campanha da insalubridade, também foram pontos importantes da atuação sindical. A associação fez uma série de reuniões com a reitoria para resolver as injustiças cometidas contra muitos docentes que tiveram seu direito ao adicional ocupacional negado ou cortado. Houve campanhas para identificar as pessoas que estavam nessa situação e ações individuais na Justiça. “Desde novembro do ano passado temos realizado reuniões com a reitoria. Houve tendência de mudança na conversa, do ponto de vista daquilo que pode ser resolvido administrativamente, mas os passos são sempre muito lentos”, critica o professor Pedro Lagerblad, 1º tesoureiro da atual gestão. “Os avanços substantivos infelizmente estão acontecendo por conta das decisões judiciais”.
Nesta edição e nas duas próximas do nosso jornal, você pode conferir em detalhes o balanço dos dois anos de mandato da atual diretoria, com ações que mantiveram a AdUFRJ viva e atuante, apesar da pandemia. (Colaborou Liz Mota Almeida)

FORMAS
“De tudo o que a gente fez e participou, o Formas (Fórum de Mobilização e Ação Solidária) foi a coisa mais bacana. Destaco a maturidade da garotada e a força das mulheres na condução da maioria das entidades. WhatsApp Image 2021 09 25 at 07.49.40 Foi crucial essa unidade, principalmente no início da pandemia”, avalia a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller. O fórum reúne as entidades representativas da universidade: AdUFRJ, Sintufrj, DCE, APG e ATTUFRJ. O lançamento ocorreu no dia 4 de maio do ano passado. “Estávamos num momento de perplexidade, as pessoas muito vulneráveis. Quando fizemos a proposta, todo mundo abraçou”, conta Eleonora.
Para a dirigente, a coesão do grupo foi fundamental, não só para atuar nas ações de solidariedade, como também para costurar assuntos importantes, como o início do ensino remoto e a defesa da universidade, quando chegou o anúncio de que a UFRJ precisaria fechar as portas em julho, por falta de orçamento. “Os estudantes decidiram ir para a rua, para o Largo do São Francisco, e todas as entidades estavam presentes. Ali se consolidou a construção de um ano anterior inteiro. Foi um momento de unidade muito poderosa, que impulsionou para o ato nacional de 29 de maio”.


INSALUBRIDADE
WhatsApp Image 2021 09 25 at 07.51.49Em setembro do ano passado, o STF decidiu que os servidores podem converter em tempo comum o tempo especial trabalhado sob condições de risco à saúde. O fator de multiplicação varia de acordo com o adicional recebido. A partir disso, a AdUFRJ iniciou um movimento para identificar os professores que, apesar de terem direito aos adicionais, tinham seus pedidos negados. A campanha foi lançada no dia 23 de novembro. No mesmo mês, aconteceu a primeira reunião entre a diretoria e a reitoria para resolver o problema pela via administrativa.
“É errado a universidade não dar a insalubridade, sequer parcial, alegando que não há condições de medir os elementos químicos nocivos. Também não aceitam a nossa perícia técnica. Há erro de avaliação inclusive porque pessoas tiveram o direito negado mesmo trabalhando com elementos cuja medição quantitativa não é necessária”, reclama o professor Pedro Lagerblad, diretor da AdUFRJ. “Entregamos a listagem há um mês, com cerca de 60 pessoas que têm direito, mas não recebem, e ainda não tivemos retorno. Por enquanto, as ações na Justiça estão sendo encaminhadas individualmente. Mas, se essa morosidade continuar, não vejo outra alternativa a não ser a AdUFRJ entrar com uma ação coletiva”.

TAMO JUNTO
Ainda nas primeiras semanas da pandemia, como forma de manter o sindicato ativo durante o isolamento social, surgiu o “Sextou - Tamo Junto”, um bate-papo virtual entre os professores da UFRJ. Foram 28 encontros, desde março do ano passado, com temas ligados às áreas de Política, Educação, Saúde, Música e História, entre outros. A iniciativa ficou ainda mais atraente quando as conversas passaram a ter um professor como “puxador de conversa”.WhatsApp Image 2021 09 25 at 07.45.20
“Acho que foi um sucesso em qualquer aspecto que possa ser mencionado. E isso graças a um investimento relativamente módico: uma certa organização, e contando com o capital humano da UFRJ, que é gigantesco”, avalia o professor Felipe Rosa, 1º vice-presidente da AdUFRJ. Para ele, o “Tamo Junto” foi uma das mais bem-sucedidas ações da gestão. “Conseguimos um resultado melhor do que esperávamos, uma iniciativa que funcionou muito bem para manter o nosso sindicato coeso e vibrante”, afirma.

PLANTÃO JURÍDICO
A oferta do atendimento jurídico remoto, pelo Zoom, foi ampliada na atual gestão, assim como o tempo mensal de atendimento, que passou de 18 para 32 horas. A medida teve bons resultados. O número de professores atendidos cresceu 45%: hoje, entre 60 e 65 professores são atendidos por mês, em média, sem contar os atendimentos feitos diretamente por e-mail.
Na avaliação da diretoria, o aumento da procura foi um reflexo da facilidade de conseguir o atendimento remoto. “Disponibilizar o serviço online durante a pandemia foi essencial”, conta Felipe Rosa. “O atendimento jurídico é um dos principais ativos que temos, uma das principais funcionalidades do sindicato que os associados procuram”, explica. Para Felipe, o acerto da medida deveria ficar de exemplo para as próximas gestões do sindicato. “Se eu puder dar uma sugestão, seria a de manter parte do atendimento online, mesmo quando houver uma volta ao presencial. Ou fazer o atendimento presencial em mais de um lugar”, propõe.


CINEADUFRJ
WhatsApp Image 2021 09 25 at 07.51.49 1A primeira sessão do CineAdUFRJ aconteceu no dia 29 de abril de 2020, com a exibição do filme “Sorry we missed you”, seguido de debate. Desde então já foram realizadas 23 sessões. A próxima será no dia 30, com o tema “Infodemia, fake news e sociedade”. Os principais temas abordados foram racismo e democracia, com cinco edições reservadas à discussão; a questão do direito à cidade, abordada em duas sessões; e fascismo no cinema, também com duas sessões.
A ideia surgiu como forma de unir a atuação sindical a uma experiência cultural e política. “Há um grupo de extensão que eu coordeno, o Grupo de Educação Multimídia, então propomos uma parceria com os alunos”, conta Eleonora Ziller. A iniciativa cresceu e envolveu outros atores. “Em geral, se discute nas próprias sessões os temas das próximas, as pessoas vão propondo coisas. Deixou de ser um projeto da diretoria”. Professores de diferentes áreas e cineastas especializados em variados temas já participaram do CineAdUFRJ. No site do projeto (www.grupodeeducacaomultimidia.com.br/cine-adufrj) estão listadas todas as sessões e filmes. “Acabou se criando um curso de cinema contemporâneo. Espero que frutifique”, deseja a professora.

ANDES
A relação com o sindicato nacional se estreitou no último período. A AdUFRJ esteve presente em todos os congressos e Conads ocorridos desde o início de 2020. “A gente se comprometeu que a AdUFRJ sempre tivesse uma delegação representativa dos movimentos da UFRJ”, afirma a professora Eleonora Ziller. “É importante destacar a postura da Rivânia (Moura, presidente do Andes) e do Markos (Klemz, da Regional Rio) na busca do diálogo. Temos uma relação mais próxima, mais colaborativa”, sublinha Eleonora. “Mesmo a gente tendo apoiado uma chapa de oposição, isso não se transformou num problema. Somos uma representação que integra uma das maiores ADs do país e a relação com o Andes melhorou muito”.

JORNAL DA ADUFRJ
WhatsApp Image 2021 09 25 at 07.45.21A diretoria também decidiu fortalecer o jornal nesse período. Desde a posse da atual gestão foram editados 95 jornais, sendo 78 de modo remoto, desde que a pandemia começou, com a mesma regularidade de antes e ainda mais conteúdo. “Era preciso dar mais força para nosso jornal. Nossa categoria tem mais idade e é muito marcada pelo papel do jornal na formação das pessoas”, avalia Eleonora Ziller. “A pandemia transformou o jornal numa linha que liga a UFRJ e teve papel fundamental quando até o Conselho Universitário estava sem se reunir. Esse foi um período histórico. A vida da universidade, os impasses da pandemia, há um relato bem diversificado no nosso jornal. Quando tentarem entender o que foi a pandemia na universidade, o Jornal da AdUFRJ vai ser uma fonte muito preciosa”.

 

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