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WhatsApp Image 2021 09 03 at 22.28.18Diretoria da AdUFRJ

Tomou conta das redes sociais um debate sobre o dia 7 de setembro. Ninguém acha que haverá um golpe de Estado. Bolsonaro está enfraquecido, uma parte significativa do empresariado que o sustentava já começa a abandonar o barco. Algumas iniciativas do STF para desarticular a convocação explícita para uma ação violenta podem ter algum efeito, mas também ninguém descarta que será um dia em que poderemos ver grandes manifestações bolsonaristas ao menos no Rio, São Paulo e Brasília. O que todos concordam é que o objetivo do presidente é violentar suas responsabilidades constitucionais, tumultuar o processo democrático, plantar o caos e adiar a sua derrocada final. A polêmica fica por conta da propriedade ou não de se marcar manifestações para o mesmo dia, o que é visto por muitos como um risco grande de dar errado. Sem dúvida há risco, seja de alguma confusão, seja de realizarmos protestos muito menores. Aqui no Rio de Janeiro há um componente complicador a mais: a explosão de novos casos de covid-19 e a confirmação de que a variante delta já está entre nós. Desde a manifestação do dia 18 temos visto o crescimento do número de pessoas que desistem de ir às ruas para se prevenir, principalmente aquelas que possuem pessoas em situação de risco sob seus cuidados.
Nós estamos mantendo a convocação para o ato, pois integramos o conjunto de entidades e movimentos sociais do fórum unificado do movimento Fora Bolsonaro. Mas ressaltamos que a questão principal agora é garantir que haja uma manifestação consistente de todos nós contra os propósitos golpistas e autoritários que estão sendo gestados pelo Palácio do Planalto. Por tudo isso, pelos quase 600.000 mortos, vítimas da pandemia, por tudo que tem sido destruído, vendido e desmontado, por todas as mentiras contadas, por todos os esquemas de corrupção que aos poucos vêm sendo trazidos à luz do dia, é que conclamamos os professores e as professoras a não se calarem no dia 7 de setembro: nas ruas ou nas redes, onde quer que estejamos, não podemos nos silenciar frente ao ataque mais direto e severo que a nossa frágil democracia recebeu desde 1985, quando se encerrou o ciclo dos governos da ditadura civil-militar. O custo de nosso silêncio poderá ser muito alto. Por isso, “O Grito” é a nossa capa dessa semana.
E apesar de todos os ataques que a universidade vem sofrendo, das grandes dificuldades e do cansaço que é viver numa realidade virtual, aulas e reuniões remotas, numa situação que não escolhemos nem desejamos, nós estamos dando uma resposta muito importante nessa semana em que começou a campanha eleitoral para a nova diretoria da AdUFRJ. Apesar de termos que encarar um formato de campanha completamente novo, para um período que com certeza será dos mais difíceis que já tivemos pela frente, temos uma centena de professores envolvidos em candidaturas para o período de 2021-2023. Além das duas chapas que disputam a diretoria, 85 docentes de 27 unidades se inscreveram para participar do Conselho de Representantes. Essa vitalidade é essencial para nossa sobrevivência. Muitos perderam o fio da história, e para os que chegaram há pouco, é sempre bom lembrar que nossa carreira de 40 horas e dedicação exclusiva, que garante uma universidade que se sustenta sobre o tripé ensino-pesquisa-extensão, foi uma conquista do movimento sindical, da luta de tantos docentes que dedicaram parte de suas vidas para esse movimento. Assim como a Andes, quando ainda não podia ser sindicato por força da lei, teve um papel preponderante na redemocratização do país. Nessa edição, temos um resumo do primeiro debate entre as chapas, mas ele também poderá ser visto na íntegra em nosso canal no Youtube. É importante que ninguém fique de fora dessa movimentação, não é pouco o que está em jogo. Há muitas divergências na pauta, é importante conhecê-las para decidir quais merecem o nosso voto. Mas as duas chapas têm a perfeita clareza de nossa tarefa principal. E seja lá qual for o resultado, vamos juntos, seremos fortes e derrotaremos o governo da destruição nacional.

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