A primeira segunda-feira de 2026 teve ares de festa para a pesquisadora Tatiana Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Logo às seis da manhã, ela confirmou pelo Diário Oficial da União o que dezenas de ligações para o seu celular já tentavam informar: a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do início da primeira fase de estudos clínicos com humanos da polilaminina, medicamento experimental para tratamento de lesões da medula ao qual ela se dedica há mais de duas décadas.
"Foi uma felicidade acordar com a notícia da aprovação do estudo clínico. Saiu no Diário Oficial logo cedo. E ela veio junto com a aprovação pelo Comitê de Inovação, uma instância nova criada pela Anvisa para avaliar os casos mais urgentes e com maior impacto para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. A aprovação do estudo clínico da polilaminina foi a primeira decisão desse novo comitê", comemorou Tatiana, recebida no ano passado pelo presidente Lula, que entrou na "campanha" pela aprovação do estudo clínico pela Anvisa.
O objetivo da primeira fase de estudos é avaliar a segurança da polilaminina, observando potenciais riscos e efeitos colaterais da aplicação. "É importante dizer que esse estudo clínico inicial é pequeno, apenas para cinco pacientes, e deve evoluir rapidamente. Acredito que ele comece daqui a um mês, e que possamos logo ter a comprovação da segurança em um estudo regulatório. Isso vai abrir as portas não apenas para a fase 2, para lesões recentes, a próxima etapa que já está programada, mas também nós vamos poder pedir outros estudos, inclusive para testar o efeito da polilaminina em lesões crônicas, de meses ou anos", se entusiasma a pesquisadora.
Nessa primeira fase do estudo clínico, o medicamento será aplicado em cinco pacientes de 18 a 72 anos, com lesões da medula entre as vértebras T2 e T10, ocorridas até 72 horas antes. Até agora, a polilaminina tem se mostrado altamente promissora para o tratamento desse tipo de lesão. Um caso de evolução notável já registrado com a droga foi o do bancário Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, que foi diagnosticado com tetraplegia depois de um acidente de carro em 2018. Graças ao uso da polilaminina, ele recuperou parte dos movimentos.
Foto: Fernando Souza/Arquivo AdUFRJ





