FERNANDA DA ESCÓSSIA e ELISA MONTEIRO

 

Diante da insegurança no Fundão, a UFRJ articula com a Petrobras e a PM do Rio uma parceria que aumenta a presença de policiais no campus. A Reitoria quer aderir ao Proeis, programa que permite usar PMs de folga no patrulhamento, pagos por uma entidade parceira. No Fundão, seriam a Petrobras e o Parque Tecnológico.

A ideia foi discutida entre o reitor Roberto Leher e o ministro da Justiça, Torquato Jardim, em dezembro. O Proeis funcionaria como uma espécie de “Fundão Presente”. Mas os PMs atuariam fardados e teriam de seguir a política de segurança da instituição.

Em nota de 29 de dezembro, a UFRJ informava que a Petrobras manifestava interesse no acordo, mas que os contratos tinham especificidades.

Três meses depois, a negociação segue lenta. PM e Petrobras informaram que nada há de concreto quanto à parceria. “Até o momento, não há convênio desta natureza firmado com a Coordenadoria do Programa Estadual de Integração na Segurança”, informou a PM.

Leher disse que tudo está em negociação: “O Proeis é uma medida complementar, que tem de contar com a adesão das empresas localizadas no campus, e a Petrobras se dispôs a trabalhar nesse sentido. Aumentaria muito o efetivo e asseguraria maior tranquilidade ao campus”. Ele completou: “A política de segurança requer a ampliação da Diseg, o que não tem sido possível, pois os cargos foram extintos. A Reitoria tem trabalhado o tema na Andifes e junto ao MEC, objetivando a volta dos cargos”. Não há dados sobre custo nem efetivo.

MEDO NO CAMPUS

Enquanto as soluções não chegam, o medo ronda o campus. Na quinta-feira, 22 de março, o Fundão acordou com uma tentativa de assalto e um suspeito morto perto da estação do BRT e do Hospital Universitário. A camelô Maria Gorete Sacramento, que vende lanches na entrada do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, foi baleada na coxa direita. Atendida no IPPMG e levada depois para o HU, disse que nunca viu nada parecido em mais de 20 anos no campus: “Foi muito tiro. A sorte foi que as crianças estavam todas dentro do hospital”.

“Chego ao trabalho com tiroteio e baleado”, lamentou a professora Cláudia Lage, do Instituto de Biofísica, sem esconder o medo. Uma colega já ficou sob a mira de fuzis perto do BRT e teve o carro roubado. Em março, houve três episódios de violência em três dias seguidos – dois sequestros-relâmpago.

O professor Bruno Diaz, vice-diretor do Instituto de Biofísica, foi assaltado em frente ao Restaurante Universitário na manhã de 11 de janeiro. Quatro assaltantes armados mandaram que ele se deitasse no chão e levaram carro, documentos, celular e notebook. No Instituto de Geociências, dois professores tiveram de se proteger de disparos que atingiram o estacionamento por volta das 18h de quarta-feira, 14 de março. O delegado da 37ª DP (Ilha do Governador), Geraldo Assed, informou que investiga os crimes e que a quadrilha provavelmente é a mesma. A Prefeitura da UFRJ pediu uma reunião com a Secretaria de Segurança e quer apoio da DAS (Divisão Anti-Sequestro).

A UFRJ sofre com a progressiva redução do corpo de vigilantes da Diseg (Divisão de Segurança), com cargos extintos pela União em 2002. Segundo a Prefeitura, em 2016 foi solicitada a abertura de concurso. Este mês, foi pedido reforço do policiamento à PM, que passou a deixar um carro extra na entrada do Centro de Tecnologia.

Neuza Luzia, coordenadora do Sintufrj, aponta problemas no uso de policiais de folga na segurança. “A solução estrutural é a ampliação do corpo da Diseg. Se a PM é necessária, que fique claro que é de modo emergencial e temporário, em consonância com as diretrizes da universidade”, afirmou.

Júlia Brandes, diretora do DCE, disse que a entidade é contra o projeto. “A PM costuma ter abordagem truculenta. É preciso investir em outras medidas, como mais ônibus à noite, cortar a grama e melhorar a iluminação”, afirma.

A presidente da Adufrj, Maria Lú- cia Werneck, aguarda mais informações concretas sobre o projeto para se pronunciar. A Adufrj agendou uma reunião com o prefeito da UFRJ, Paulo Mario Ripper, mas o encontro foi desmarcado pela prefeitura.

VANDALISMO

Na 10ª DP (Botafogo), um inquérito apura a ação de vândalos que retiraram do muro do Canecão a faixa da Adufrj crítica à intervenção militar. Há três crimes: dano ao patrimônio, ataque à liberdade de expressão e exercício arbitrário das próprias razões.

 

Rio de Janeiro, 23 de março de 2018

Data de publicação: 23/03/2018

Leave a Comment