Redação Adufrj

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Poderia ser uma cena de 50 anos atrás: dentro de um campus de uma universidade federal, cinco policiais federais vigiam uma assembleia estudantil organizada em defesa da democracia e contra o fascismo. A pretexto de defender a lei eleitoral, um fiscal da Justiça Eleitoral exibe ordem judicial para prender quem fizer “alguma fala tendenciosa”.

A cena ocorreu na quarta-feira, 24, no prédio que abriga os campi da UFRJ e da UFF em Macaé. É parte de uma série de acontecimentos que, às vésperas das eleições, indicam o reforço da vigilância sobre a universidade e um ataque claro à autonomia universitária. Em todo o país, têm ocorrido ações do tipo. Reportagem do jornal “O Globo” contabiliza ações em 17 universidades de nove Estados. A “Folha de S.Paulo” também destacou o tema em sua edição desta sexta, 26, salientando a reação da comunidade acadêmica às ações.

Em Macaé, o clima de indignação marcou a assembleia. Os estudantes acusaram o TRE de intimidar e censurar o movimento estudantil. Professor de Biologia da UFRJ e representante sindical da Adufrj, Jackson Menezes afirmou que não foi a primeira ação da Justiça Eleitoral para coibir manifestações. “No primeiro turno, estiveram no Instituto Federal Fluminense retirando adesivos do peito das pessoas”, contou.

A intimidação em Macaé começou na véspera da assembleia estudantil. Fiscais do TRE foram até o campus, entraram na Faculdade de Direito da UFF e constrangeram um professor e alunos. Queriam saber quem estava organizando a assembleia. “Disseram que seria proibido citar candidato, mesmo em pergunta”, afirmou Rafaela Corrêa, do DCE UFRJ.

No mesma quarta-feira, fiscais do TRE estiveram no campus da UFRJ no Fundão e apreenderam material distribuído num debate com Manuela D’Ávila, candidada a vice na chapa de Fernando Haddad. O vice de Jair Bolsonaro foi convidado e recusou. Os fiscais contaram que receberam denúncia de campanha irregular e mostraram somente pedido de investigação do Ministério Público Eleitoral no WhatsApp.

O decano do Centro de Tecnologia, professor Walter Suemitsu, acompanhou os fiscais, defendeu os alunos e informou que todos os passos do evento foram antecipadamente avisados à Decania e ao TRE.

Ao Boletim da Adufrj, a Justiça Eleitoral informou ter recebido denúncia de que haveria campanha e distribuição de material em Macaé. O juiz Sandro de Araújo Lontra determinou o envio de equipe ao local. A ação no campus do Fundão, segundo o TRE, foi motivada por denúncia da Procuradoria Eleitoral. O TRE não informou se houve decisão judicial. A Lei Eleitoral proíbe o uso de prédios públicos para campanha.

 

VIGILÂNCIA POR TODA PARTE

Na terça-feira, 23, uma equipe do TRE foi à Faculdade de Direito da UFF, e retirou a faixa “Direito Antifascista”. A UFF registrou a ocorrência. Em nota, o Andes repudiou as ações. “Representam um ataque às universidades e à liberdade de expressão”, afirma a nota.

A seção da OAB no Rio divulgou nota de repúdio contra as ações nas universidades, por entender que elas tentam censurar a liberdade de expressão dos estudantes.

Na Paraíba, a Associação de Docentes da Universidade Federal de Campina Grande foi alvo de mandado de busca e apreensão de panfletos em defesa da democracia e da universidade. No Rio Grande do Sul, a Justiça Eleitoral proibiu o evento “Contra o Fascismo. Pela democracia”, na UFRGS. A aula pública teria a presença de Guilherme Boulos e do ex-governador Tarso enro. “Censurado para falar na UFRGS, no estado que governei. Fascismo cresce”, protestou Genro.

 

Um comentário

  • ronaldo ramos disse:

    Queria saber porque não vão para cuba se lá e tão bom! Mas como turista não vale, porque turista lá é tratado como gente!

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