Criança em estande do Dia da Ciência, no Museu Nacional - Foto: Fernando Souza

Fernanda da Escóssia

fernanda@adufrj.org.br

Teve telescópio para ver o sol, teve aula sobre mosquito da dengue e criança aprendendo a montar moléculas químicas com jujubas coloridas. Foi como se os jardins do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, tivessem se transformado em laboratórios abertos, onde era possível aprender e ensinar sobre o impacto da ciência no dia a dia de cada um.

Num domingo de sol e muito calor, o Dia Nacional da Ciência mostrou um surpreendente interesse da população pelos experimentos científicos _ em contraste com o explícito desinteresse do governo federal, que corta sucessivamente o orçamento do setor de ciência e tecnologia no país. Mais de 20 organizações científicas, a Adufrj entre elas, apoiaram o evento, que foi montado como uma feira de ciências e lotou os jardins do Museu.

Para o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, ficou claro o interesse do cidadão comum pelo tema. “É um contraste com o desinteresse que temos visto por parte dos governos federal e estadual, num panorama desastroso de cortes  e desprestígio. Este dia é um dia de resistência”, afirmou Davidovich, lembrando que o orçamento federal para a área de ciência e tecnologia é hoje um terço do que se tinha em 2013. Para ele, a saída é cobrar dos parlamentares que, na hora das decisões sobre o orçamento, destinem recursos para o setor.

“A simpatia e a solidariedade da população ficaram evidentes. É preciso mostrar que, para que tudo isso aconteça, a ciência precisa de orçamento, de uma política eficaz no setor. E não é o que temos visto  por parte desse governo”, afirmou a vice-presidente da Adufrj, Ligia Bahia.

Parlamentares como Carlos Minc (PT-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), além da candidata a deputada federal Tatiana Roque (PSOL-RJ), professora da UFRJ e ex-presidente da Adufrj, acompanharam o ato. A vice-reitora Denise Nascimento representou a UFRJ.

O dia também lembrou os 70 anos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Uma das responsáveis pela organização do evento, a conselheira da SBPC Ana Tereza Ribeiro de Vasconcelos agradeceu o apoio de entidades e institutos de pesquisa e destacou a necessidade de obter o apoio efetivo da população. Lembrou que a produção científica demanda tempo, estudo e investimento, e que é preciso mostrar isso à comunidade.

Uma equipe do Instituto de Microbiologia da UFRJ apostou em ensinar como uma atitude corriqueira, a lavagem correta das mãos, tem impacto efetivo no controle de doenças.  Uma caixa com luz negra permitia observar as mãos antes e depois da lavagem. Kits com lâminas de laboratório mostravam a quantidade de bactérias em cada objeto que manuseamos, como uma maçaneta de porta e um celular.

Acompanhadas pelos pais, crianças faziam fila para acompanhar os experimentos. Marina Silva, mestranda em Turismo na UFF, levou o filho Vicente, de 3 anos, para ajudar a montar esqueletos de dinossauro. “A gente precisa mostrar para os filhos que a ciência está na vacina, no dia a dia, em tudo”, afirmou.

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