Famílias juntam pertences durante reintegração de possa - Foto: Ana Beatriz Magno

Silvana Sá

silvana@adufrj.org.br

Oito famílias com cerca de 50 pessoas, moradoras da Praia do Mangue, no Fundão, tiveram que abandonar suas casas e pequenos comércios na manhã da última quinta-feira. A UFRJ pediu à Justiça a reintegração de posse da área, centro de uma contenda jurídica desde 1996. Seis oficiais de Justiça e 18 agentes da Polícia Federal participaram da ação. Desesperados e decepcionados, os moradores tentaram negociar um adiamento da retirada. Sem sucesso. Os pertences foram levados para um depósito próximo ao alojamento estudantil. Havia a ameaça da demolição das casas.

Estudantes, técnicos e professores acompanharam a movimentação e buscaram intermediar o conflito. A Adufrj esteve presente para buscar uma saída mais humana para os moradores.

A história de muitas famílias é mais antiga que a criação da Cidade Universitária. João Batista da Silva conta que seu pai construiu uma casa no local em 1928. “Estamos aqui muito antes de existir a UFRJ aqui. Essa era a Ilha do Bom Jesus”, lembrou o comerciante e servidor aposentado. “Vivo aqui desde que nasci. Sou fundador da Prefeitura Universitária, e é justamente ela que está me expulsando”, contou emocionado.

Reitoria e moradores chegaram a criar um projeto de financiamento coletivo para a construção de casas legalizadas na Vila Residencial, também dentro da Cidade Universitária. Foi constituído um projeto de extensão, com a participação de docentes da universidade, para elaboração do projeto. Não houve tempo, porém, para iniciar a captação dos recursos. “O acordo com a reitoria era que migraríamos para a Vila Residencial assim que as novas casas ficassem prontas. Não esperávamos essa reintegração hoje”, lamentou Mario Luiz Tosta, liderança local.

Técnicos da Diseg e da PR-6 (Pró-Reitoria de Gestão e Patrimônio) acompanharam a operação. Por nota, a reitoria informou que o cumprimento do mandado se deu por conta da permanência de comércio de bebida e que assistentes sociais da Prefeitura do Rio teriam oferecido abrigo a quem não tivesse para onde ir. “A reitoria não esteve aqui oferecendo nada. Estão nos expulsando como cachorros”, afirmou Valéria Cristina Nery da Silva, moradora há 50 anos.

Às 16h30 o fornecimento de energia elétrica foi cortado e a Polícia Federal começou uma negociação com os estudantes para que deixassem o terreno. Depois da pressão do movimento estudantil e de docentes, a reitoria mudou de posição e decidiu não derrubar os imóveis. Estudantes e moradores permaneceram em vigília no lugar. Não houve confronto. Até o fechamento desta edição, as casas seguiam desocupadas.

Um comentário

  • Valéria Cristina disse:

    Continuamos na mesma , sem poder morar e trabalhar . Estou indignada , pois além da moradia eu vivo do sustento do meu comércio , 15 dias sem trabalhar . Não sei o q fazer , um representante do sindicato dos professores , me procurou em dezembro e me perguntou se eu aceitaria algo pra trabalhar no fundão , eu disse q sim, pois no momento eu só estava lutando pra não sair , prq queriam me tirar tudo sem me dar nada , então sindicato dos professores , essa é a hora . Estou desesperada precisando de trabalho , estou dormindo de favor e ainda tenho duas cadelinhas q eu amo de mais . Preciso de ajuda ! Desde já, agradeço

ADICIONAR COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

(*)

(*)