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Diretoria da Adufrj

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Um sopro de ar fresco correu a Universidade Federal do Rio de Janeiro nesta semana, quando tivemos a posse da nova Reitoria e seu subsequente Conselho Universitário inaugural. Após um processo democrático vibrante, com ampla participação de toda comunidade acadêmica, é reconfortante assistir à primeira reitora da UFRJ iniciar seu mandato no comando da maior universidade federal brasileira.Igualmente importante, todavia, é reconhecer que nem tudo – provavelmente quase nada – serão flores. Os gigantescos desafios estão aí, postos: uma instituição vasta e complexa, combalida por anos de viscosidade político-administrativa, agora está diante de um poder executivo absolutamente hostil ao atual modelo de universidade pública. Todos os avanços recentes relativos à expansão do ensino superior (cotas sociais e raciais, campi avançados, novas pós-graduações, etc) estão em risco, não raro rotulados como “ideológicos” pelo governo mais ideologicamente entrincheirado desde a redemocratização. Far-se-á necessária uma destreza excepcional para navegar essas águas turbulentas, e nossa unidade na diversidade será posta à prova como nunca dantes.
Concomitantemente a tudo isso, o Ministério da Educação trancava suas portas – com cadeado e tudo – para evitar encontrar professores representantes do Observatório do Conhecimento. É muito grave quando um ministério se recusa a sequer receber os seus, mas, infelizmente, não se pode dizer que seja algo surpreendente. A falta de diálogo com a categoria docente e os cortes draconianos são a marca da atual gestão do MEC, tornando então seu chefe, o ministro Abraham Weintraub, merecedor inconteste do troféu Tesoura, uma “homenagem” aos “contingenciamentos” que, se não revertidos, inviabilizarão o funcionamento de diversas instituições no segundo semestre desse ano. O belíssimo movimento do #15M mostrou que a população entende que a educação pública é seu patrimônio e que está disposta a lutar por ele. Nada mais importante nesse momento, então, que colocar a universidade na rua e mostrar para o povo as maravilhas que se faz lá.
Nesse embalo, chegamos ao Domingo na Quinta, o grande evento de divulgação de ciência organizado pela SBPC e fortemente apoiado pela AdUFRJ. Nesses dias conturbados, de permissividade (quando não estímulo) à violência e ataques à educação, é difícil por vezes sair do campo de batalha e voltar à nossa missão maior, mas o Domingo na Quinta nos brinda com essa oportunidade. Se somos trincheira e o governo é tesoura, que nos afirmemos como um farol, tão necessário nesse momento de questionamentos científicos e civilizatórios medievais. Esta é a tarefa que está posta diante dos professores e cientistas brasileiros.