Fernanda da Escóssia

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Diante de um orçamento em queda, a UFRJ tem pela frente um cenário preocupante: a ameaça de ficar sem dinheiro para os últimos três meses de 2018. Para piorar a situação, dos R$ 388 milhões aprovados para este ano, só R$ 208 milhões foram de fato liberados. Dos R$ 276 milhões previstos para custeio, só chegaram R$ 165 milhões (60%).

“Mesmo com a liberação do orçamento total de custeio, ainda ficamos com um déficit de R$ 106 milhões”, afirmou ao Boletim da Adufrj o pró-reitor de Planejamento e Finanças, Roberto Gambine. Segundo ele, os cortes são contínuos: em 2017, o orçamento da UFRJ foi de R$ 421 milhões, e, em 2016, de R$ 451 milhões.

Nos últimos anos, a UFRJ tem atravessado novembro e dezembro com os pagamentos em aberto, e as despesas são cobertas com o orçamento do ano seguinte. No entanto, caso fique no vermelho já em outubro, cria-se um cenário de três meses com despesas não quitadas. “A preocupação é chegar a janeiro com três meses a descoberto. É o caos. As empresas, com três meses de faturas em aberto, podem suspender os contratos. Está na legislação. Pode parar vigilância, limpeza, bandejão”, afirmou o pró-reitor.

Uma planilha enviada aos integrantes do Conselho Universitário expõe a gravidade da situação. Mostra dívidas de anos anteriores, como as de água e energia elétrica, que somam R$ 34 milhões em 2016 e R$ 23 milhões em 2017. Ao final de 2018, a previsão é que, somando as dívidas dos três anos, o passivo chegue a R$ 165 milhões.

Questionado sobre soluções, Gambine disse que o caminho é pressionar o MEC pela liberação do orçamento, além de conversar com a bancada do Rio no Congresso. Para aumentar a receita da UFRJ, a saída é rever contratos de aluguéis de prédios e terrenos da universidade. Estão sendo renegociados contratos terceirizados. Na limpeza, o custo caiu 30%. “A universidade precisa de orçamento. Não se consegue fazer política pública sem orçamento”, afirma Gambine, lembrando que as federais ampliaram cursos e passaram a receber alunos de longe, sem contrapartida financeira para mantê-los.

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