Redação Adufrj

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Elisa Monteiro e Ana Paula Grabois

Na reta final da eleição para a Reitoria da UFRJ, o Boletim da Adufrj ouviu as três chapas sobre as atividades-fim da maior universidade federal do país. A ordem das respostas corresponde à ordem de inscrição das candidaturas.

A Chapa 20, dos professores Roberto Bartholo e Felippe Cury, fala em estimular a modernização pedagógica dos currículos e das práticas em sala de aula na graduação. Na pesquisa, quer rediscutir os indicadores de desempenho. Para a extensão, a proposta é descentralizar e reconhecer os projetos em curso.

Para a Chapa 10, dos professores Denise Pires de Carvalho e Carlos Frederico Leão Rocha, o principal desafio da graduação é reverter as atuais taxas de evasão e retenção. Na área da pesquisa, propõem um escritório técnico junto à PR-3 para administrar projetos e agilizar fomentos. A criação de um conselho nos moldes do CEG e CEPG é o caminho apontado para aperfeiçoar a política de extensão.

Oscar Rosa Mattos e Maria Fernanda Quintela, da chapa 40, defendem um ensino integrado com disciplinas compartilhadas entre diferentes cursos de graduação e entre graduação e pós. Para a pesquisa, propõem editais internos, manutenção de unidades multiusuárias, bibliotecas, editais para professores visitantes e seniores e estímulo à divulgação científica. Sobre a extensão, a chapa reconhece ser necessário avançar na democratização das decisões a partir de um conselho próprio.

 

REITOR: ROBERTO BARTHOLO Coppe
VICE-REITOR: JOÃO FELIPPE CURY MARINHO MATHIAS Instituto de Economia
CHAPA 20

1 . Quais os principais problemas que a chapa enxerga no ensino da graduação e da pós-graduação?
As atividades de ensino são cada vez mais reféns de problemas orçamentários e de gestão, sobretudo as de graduação. Se destacar em ensino não agrega na reputação e nos recursos disponíveis na mesma proporção que a proeminência em pesquisa. Por isso, há um desbalanceamento de importância relativa dessa atividade, levando a desinteresse docente, práticas pedagógicas anacrônicas e perda de qualidade da atividade.

2- O que a chapa pretende mudar na política de ensino da UFRJ?
Vamos priorizar o fortalecimento das atividades de ensino, sobretudo de graduação. Entendemos que, no século XXI, o crucial é o aprendizado, sendo o ensino parte dele. Vamos estimular a modernização pedagógica dos currículos e das práticas em sala de aula, atualizando a UFRJ em esferas onde a universidade não está, como os cursos online em plataformas como Coursera (que oferece aulas em vídeos e opções de leitura obrigatória e extra, para melhor entendimento dos conteúdos repassados).

3 – Qual o principal problema que a chapa enxerga na área da pesquisa científica na universidade?
A universidade pública, a UFRJ em particular, tem a responsabilidade de contribuir para o desenvolvimento nacional e não de produzir estatísticas. Pesquisa é mais do que pesquisa científica e há mais em pesquisar do que atender a indicadores de desempenho. Devemos definir a pauta da pesquisa científica, tecnológica, artística e não apenas responder a indicadores impostos sobre nós.

4 – Qual proposta tem para a pesquisa? O que pretende mudar? Queremos uma pesquisa que crie valor e valor pode ser criado de múltiplas maneiras: via artigos, livros, tecnologias, produtos, negócios. Privilegiar um tipo de produção em detrimento dos outros, em todos os campos do saber, não faz sentido. Precisamos rediscutir os indicadores de desempenho e facilitar a criação de valor em outras modalidades que hoje não são devidamente reconhecidas.

5 – Qual o principal problema que a chapa vê na política de Extensão da UFRJ?
Entendemos que a extensão não pode ser confinada a um entendimento estreito, que limita as ações que podem ser empreendidas nessa área. Diversas ações de extensão não têm recebido o devido reconhecimento institucional.

6 – O que a chapa pretende mudar na área de extensão?
Entendemos que a extensão tem que ser livre e a definição do que pode ou não ser enquadrado como extensão deve ficar descentralizada em cada unidade. Entendemos que a reitoria deve ter papel conector entre iniciativas e não regulador. Pretendemos fortalecer a extensão universitária conectando as iniciativas e aumentando a visibilidade das ações, pois elas impactam diretamente na imagem e no valor que a UFRJ agrega à sociedade.

Questão da diretoria: Como avalia a situação do Canecão e como pretende resolver esta questão?
A situação do Canecão é mais um exemplo do entrelaçamento entre problemas orçamentários e de gestão. Expõe a dificuldade que a UFRJ tem em superar barreiras que nos impedem em pensar e agir para criar valor para a sociedade. Pretendemos criar um parque artístico inspirado no parque tecnológico, que permita potencializar e dar vazão às atividades de ensino, pesquisa e extensão das unidades relacionadas na UFRJ, criando e capturando valor em parceria com a sociedade amplamente entendida, envolvendo pessoas e organizações públicas, privadas e do terceiro setor.

REITORA: DENISE PIRES DE CARVALHO Instituto de Biofísica
VICE-REITOR: CARLOS FREDERICO LEÃO ROCHA Instituto de Economia
CHAPA 10

 1 . Quais os principais problemas que a chapa enxerga no ensino da graduação e da pós-graduação?Na graduação, as altas taxas de evasão e retenção em muitos cursos da UFRJ são o principal problema. Temos de atuar fortemente na questão da permanência dos alunos. Na pós-graduação, alguns cursos tiveram problemas na última avaliação da Capes. Além disso, temos sofrido com a redução dos recursos para a pesquisa e a defasagem nos valores das bolsas.

2- O que a chapa pretende mudar na política de ensino da UFRJ?
Pretendemos identificar as possíveis causas de altas taxas de evasão e retenção nos diferentes cursos e atuar para aumentar o número de concluintes, por intermédio de políticas específicas. Estimularemos a discussão de novas metodologias de ensino, incluindo o uso de plataformas digitais diversas. Também devem ser identificadas as causas de alguns programas não terem sido bem-sucedidos na avaliação da Capes. Uma possível solução é a formação de “casadinhos internos”, em que programas 6 e 7 atuam em colaboração com programas 3 e 4 para melhorar a avaliação.

3 – Qual o principal problema que a chapa enxerga na área da pesquisa científica na universidade?
A infraestrutura dos laboratórios de pesquisa está sucateada, na maioria. O fomento destinado à pesquisa vem diminuindo progressivamente. Portanto, a redução no fomento e a infraestrutura inadequada podem diminuir a qualidade das atividades de pesquisa. A Universidade é excessivamente burocratizada na condução de recursos de financiamento e mantém elevada insegurança jurídica.

4 – Qual proposta tem para a pesquisa? O que pretende mudar?
Pretendemos discutir e regulamentar o Marco Legal de Ciência e Tecnologia no âmbito da UFRJ para aumentar a possibilidade de fomento. Proporemos a criação de um escritório técnico junto à PR3 para administrar projetos de pesquisa e agilizar fomentos em agências nacionais e internacionais. Esse escritório servirá ainda para facilitar a importação de equipamentos e material de consumo. A adoção de práticas de compras centralizadas pode também reduzir o custo de vários insumos aos laboratórios.

5 – Qual o principal problema que a chapa vê na política de Extensão da UFRJ?
A política de Extensão da UFRJ tem sido centralizadora e burocrática. A definição de extensão é estreita e desagrada à comunidade universitária. Essa forma de condução tem desestimulado a prática de extensão e algumas pessoas que desenvolviam atividades de extensão desistiram de atuar. Essa situação é agravada em razão da necessidade de inclusão de 10% da carga horária em atividades de extensão nos currículos de graduação, o que gera grande insatisfação ao corpo discente.

6 – O que a chapa pretende mudar na área de extensão?
Proporemos a criação do Conselho de Extensão nos moldes do CEG e CEPG. A política de Extensão será mais republicana e o conceito será ampliado e discutido amplamente nesse Conselho. Buscaremos envolvimento de nosso corpo social. Pretendemos atuar de forma mais democrática e em diálogo permanente com a comunidade universitária.

Questão da diretoria: Como avalia a situação do Canecão e como pretende resolver esta questão?
O Canecão não existe mais. Há apenas uma dívida da Universidade com a sociedade de prover um espaço cultural naquela área. Não podemos cometer os mesmos erros do passado. O ideal seria uma parceria com o setor privado para o funcionamento de uma casa de espetáculos. O projeto BNDES, iniciado pela atual reitoria, prevê a cessão de toda área entre o Instituto de Psiquiatria, a Neurologia e o Rio Sul. São 44 mil metros quadrados. Seria interessante que, no caso do espaço cultural, houvesse um formato contratual que permitisse o uso dessas instalações pela Universidade.

REITOR: OSCAR ROSA MATTOS Coppe
VICE-REITORA: MARIA FERNANDA QUINTELA Instituto de Biologia
CHAPA 40

1 . Quais os principais problemas que a chapa enxerga no ensino da graduação e da pós-graduação?
O ensino precisa ser mais integrado na UFRJ, com disciplinas compartilhadas horizontalmente (entre diferentes cursos de graduação) e verticalmente (entre a graduação e a pós). Criar mais “áreas verdes” nos currículos é importante para integrar o ensino com a pesquisa e a extensão.

2- O que a chapa pretende mudar na política de ensino da UFRJ?
A questão das formas e práticas de ensino são muito particulares de cada área ou unidade acadêmica e isso precisa ser respeitado. Cabe à Reitoria fomentar e estimular o debate que possa aperfeiçoá-las. Nesse processo, ouvir os estudantes e fortalecer as Comissões de Acompanhamento e Orientação Acadêmica (COAAs) é fundamental.

3 – Qual o principal problema que a chapa enxerga na área da pesquisa científica na universidade?
Os grupos de pesquisa da UFRJ representam um patrimônio do país. No nosso entender, a falta de recursos financeiros e de reconhecimento são os principais problema da pesquisa científica, o que causa impactos preocupantes, em especial aos jovens docentes que estão estabelecendo seus laboratórios e núcleos na universidade.

4 – Qual proposta tem para a pesquisa? O que pretende mudar?
Queremos criar editais internos, manter ativas nossas unidades multiusuárias, bibliotecas e outros espaços de pesquisa. Buscar parcerias e manter os editais para professores visitantes e seniors podem ser formas de atravessar esse momento de baixo investimento. Queremos também estimular a divulgação científica.

5- Qual o principal problema que a chapa vê na política de Extensão da UFRJ?
Das atividades acadêmicas, a extensão foi a mais recentemente implementada, sendo a que carece de maior institucionalização e capilaridade. Avançamos muito ao longo das últimas gestões. A criação de um Conselho de Extensão com configuração similar ao Conselho de Ensino de Graduação (CEG) e Conselho de Ensino para Graduados (CEPG) é um passo necessário neste sentido.

6 – O que a chapa pretende mudar na área de Extensão?
Avançar na democratização das decisões, hoje ainda muito concentradas na figura do Pró-reitor. A Plenária de extensão, com assento de coordenadores de todas as unidades e centros, tem sido muito importante, mas é preciso criar o Conselho de Extensão. Vamos discutir e ouvir a comunidade, preservando o princípio da gratuidade.

Questão da diretoria: Como avalia a situação do Canecão e como pretende resolver esta questão?Queremos devolver à cidade do Rio de Janeiro um equipamento cultural aos moldes do Canecão. Por isso, daremos continuidade ao projeto da UFRJ desenvolvido em parceria com o BNDES. Por enquanto, sabemos que está prevista a construção e manutenção estrutural de uma série de equipamentos da universidade, durante todo o período de seção de uso. Entre eles, um espaço cultural multiuso, com gestão e governança da UFRJ, na Praia Vermelha, que também servirá de laboratório de extensão para todos os cursos na área cultural da universidade.