Fernanda da Escóssia

fernanda@adufrj.org.br

O que é ser mulher hoje? É falar de salário e creche, de estupro e escola, de assédio e de cidadania, de sexo e aborto. É dizer sim e não. Tornar-se mulher, como escreveu Simone de Beauvoir, é um processo. Mais do que um jogo de novas palavras, a luta feminista contemporânea se insere no debate sobre direitos, resistência e representatividade.

No Dia Internacional da Mulher, a Adufrj (Associação dos Docentes da UFRJ) lança a campanha “A Luta pela Paz é Feminina”, que remete aos impactos da intervenção na segurança pública no Rio. De Acari a Vigário-Geral, da Maré à Cidade de Deus, são mulheres, principalmente mães, que denunciam arbitrariedades e buscam justiça. Por isso mesmo,  precisam ser valorizadas como vozes ativas na construção da paz.

Este boletim discute o feminismo a partir de entrevistas com professoras e alunas da UFRJ,que falam de igualdade e representatividade, mas também do machismo cotidiano nos bancos universitários. Na UFRJ, mulheres são 47,4% entre docentes e cerca de metade dos alunos e alunas de graduação, mestrado  e doutorado. No entanto, entre os 172 pesquisadores da UFRJ listados pelo CNPq como nível 1A, o mais alto, só 25 (14,5%) são mulheres. Maior universidade federal do país, a UFRJ jamais teve uma reitora.

Revelado discretamente na progressiva redução da presença feminina no topo da pirâmide científica, o machismo no ambiente acadêmico também sabe ser explícito. Aparece na invisibilidade das mulheres negras, no assédio sexual e no convívio de sala de aula. Em pleno 2018, frases como “Vocês só fazem Engenharia para encontrar marido” não são coisa do passado.

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A Adufrj participará da Marcha pelo Dia Internacional de Luta da Mulher, a partir das 16h, na Candelária, Centro do Rio.

Participe você também!

 

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