Foto: João Laet

Silvana Sá

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Treze policiais militares e dez guardas municipais começaram a atuar de forma permanente na Cidade Universitária, desde o dia 7. O projeto, batizado de Rio + Seguro Fundão, havia sido anunciado pela administração central no mês passado. Mas, antes mesmo da inauguração, a iniciativa já rendeu polêmica.

Apesar de o reitor Roberto Leher e o prefeito Paulo Mário Ripper repetirem que a Divisão de Segurança da UFRJ atuou ativamente na concepção do novo projeto, os profissionais da Diseg não compareceram à cerimônia. “É um protesto silencioso pelo descaso desta gestão com nossa divisão”, justifica Luiz Claudio Guerreiro, supervisor da equipe.

Guerreiro afirma que em momento nenhum o grupo se opôs ao programa. “Tudo que somar à segurança da comunidade acadêmica é bem vindo, mas enquanto nós estamos sucateados, aparece verba para investir num projeto milionário com agentes externos à UFRJ”.

Como adiantou o Jornal da AdUFRJ, o projeto custará R$ 168 mil mensais aos cofres da universidade. Os recursos sairão do condomínio de empresas instaladas no campus.

Paulo Mário Ripper afirmou que o projeto vai ajudar muito a próxima reitoria da UFRJ, que assume o mandato em 2 de julho. “Quem dera eu tivesse recebido de herança um projeto como esse quando entrei na Prefeitura”, afirma. “Não vejam o programa somente como uma ação de segurança. Ele visa também combater comércio ilegal. É ordenamento urbano, atuação em inteligência, integração”.

Paulo Cesar Amêndola, secretário de Ordem Pública, participou da cerimônia. De acordo com ele, o escopo do projeto Rio + Seguro – que funciona também em Copacabana – foi idealizado pelo prefeito do Rio, Marcelo Crivella.

A vice-reitora Denise Nascimento pediu um olhar cuidadoso para crimes que acontecem sobretudo contra mulheres. “Vi colegas serem vítimas de diversos crimes. E, pessoalmente, fui atingida quando minha filha sofreu um sequestro relâmpago”.

Para Leher, o projeto de segurança é um importante legado de sua gestão para a próxima reitoria. “Certamente este projeto precisará de constantes adequações, mas faz parte do processo. Não é um projeto de uma reitoria ou um governo; é um projeto da UFRJ”, afirmou.

O reitor explicou que a ideia de reforçar o policiamento surgiu a partir da explosão de casos de violência, envolvendo sequestros-relâmpagos e roubos, no Fundão. “Tivemos situações que geraram muito sofrimento à nossa comunidade. Perdemos nosso estudante Diego; tivemos assaltos. Quem não lembra do caso dos nossos professores da Farmácia? Os estudantes e médicos tinham medo de vir para o Hospital Universitário à noite”.

O professor Carlos Frederico Leão Rocha, próximo vice-reitor da universidade, acompanhou a cerimônia. Para ele, serão necessárias mudanças. “Queremos trabalhar com inteligência, centralizar as informações e agir em parceria com a nossa Divisão de Segurança”, disse à AdUFRJ.

O programa tem um telefone para demandas dos usuários do campus que funciona também por Whatsapp: 99088-0088.