Foto: Alessandro Costa

Kelvin Melo

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No mesmo prédio, no mesmo dia, na mesma hora, duas delegações da UFRJ marcaram presença em Brasília, mas tiveram recepção diferente no MEC. Na manhã de 2 de julho, a professora Denise Pires de Carvalho foi empossada reitora – a primeira reitora em 100 anos de UFRJ.
Ao mesmo tempo, no térreo do edifício, representantes de diversas associações docentes, entre elas a AdUFRJ, tentavam entregar o troféu “Cortando o Futuro” para o ministro Abraham Weintraub, por seu empenho em dilacerar o orçamento do ensino superior – só na UFRJ, os cortes chegam a R$ 114 milhões.
Ao final da posse, enquanto o MEC trancava com cadeado a porta do ministério e se empenhava de forma grosseira para impedir a entrada dos docentes, a nova reitora explicava – com elegância – que a restrição orçamentária é dramática. “Não temos como pagar as contas até o final do ano, mas vamos resistir”, disse.
O mesmo tom marcou a primeira atividade pública da nova administração: o Consuni da última quinta-feira. Ali, diante de professores, técnicos e estudantes, Denise não ignorou o peso das dificuldades orçamentárias, explicou que sem novos repasses do MEC, a UFRJ pode, a partir de setembro, ter atividades essenciais paralisadas, como segurança e limpeza, mas deixou claro que a marca da gestão é o otimismo. “Eu fui questionada inúmeras vezes pelos repórteres por que eu estava tão sorridente, mesmo sabendo que a universidade tinha um déficit de mais de R$ 170 milhões. Acho que a UFRJ é muito mais que isso”, disse. “Nós somos muito mais que um simples déficit. Muito mais do que simples números. Nós já produzimos muito e podemos muito mais. Por isso, o otimismo. Na adversidade, nós crescemos.”, completou.
No primeiro discurso dirigido aos conselheiros, Denise contou que haverá uma preocupação muito grande com o bem-estar de servidores e estudantes. “Por trás de um DRE, existe um ser humano; por trás de um Siape, existe um ser humano”. A assistência estudantil será uma das prioridades. “Não nos deixa nada tranquilos termos uma universidade com 250 vagas no alojamento estudantil. Há federais menores que as nossas com pelo menos quatro vezes mais vagas”.
A reitoria pretende fortalecer o tripé ensino, pesquisa e extensão. “A UFRJ esteve na vanguarda de várias discussões. Aqui surgiram os primeiros cursos de graduação do país. Aqui surgiram os primeiros cursos que integram a graduação com a pós”.
Por fim, a professora informou que pretende continuar lecionando na graduação. “Mesmo reitora, faço questão de manter. O Fred disse que não vou conseguir. Daqui a quatro anos, a gente conversa”, brincou com o vice-reitor, professor Carlos Frederico.

DIMINUIR EVASÃO E RETENÇÃO
Os planos da administração serão detalhados ao Consuni em apresentações feitas pelos pró-reitores, que foram aprovados por unanimidade no último dia 4. A graduação, sob responsabilidade da professora Gisele Viana Pires, foi a primeira da série.
Ao longo da campanha para a reitoria, diminuir as taxas de evasão (30% em 2018) e retenção dos cursos e, por consequência, aumentar o número de concluintes da UFRJ, sempre foi considerado o principal objetivo da gestão. “Temos o dever de elevar a graduação da UFRJ aos mais elevados patamares da educação superior deste país. Porque somos, dentre as federais, talvez a nota de corte mais elevada para ingresso, através do Enem/SiSU”, disse. “Temos a obrigação de graduar estes alunos que são, em teoria, os melhor alunos do ensino médio do país”.