Jacob Herzog: “Acho que viver é isso, é você se comprometer com novas coisas e atuar da forma mais harmônica possível” - Foto: Isabella de Oliveira

Isabella de Oliveira

isabella@adufrj.org.br

(Última atualização em: 13/12/2017)

Quem conhece apenas de vista o professor Jacob Herzog não imagina que ele se divide entre dois ofícios tão diferentes: as aulas de piano na Escola de Música da UFRJ e o plantio de amoras em Nova Friburgo.

“A pressão da cidade às vezes sufoca”, afirma o docente, cujo sobrenome famoso é apenas uma coincidência com o do jornalista assassinado na ditadura. Para vencer o estresse urbano, o pianista comprou um sítio – onde também tem um piano – e passou a se aventurar pela vida na roça.

Acorda às 5h, prepara sua comida, termina os afazeres domésticos e parte para o campo. O próprio Jacob transporta o cultivo para a capital, em sacos de um quilo. “Meu grande comprador é um restaurante no centro, mas vendo para lojas de sucos também”, diz. Hoje, a produção beira os 500 kg por ano. A escolha da fruta surgiu da conversa com um especialista, que recomendou o plantio em função do clima e do fato de nenhuma outra pessoa plantar amoras na região.

Recomeçar é um verbo conhecido no currículo do professor. Ele só entrou na vida acadêmica depois dos 40. Antes, era jornalista. Aos 44, decidiu fazer a graduação, mestrado e emendou um concurso na Escola da Música. “Entrei aqui já tendo uma expertise. Conheci o piano aos seis anos, mas precisava de um diploma para conseguir trabalhar com isso”, conta.

“Às vezes, eu me sinto ocupado demais”, lamenta. “Reclamo à beça, me pergunto por que fui inventar isso”, diverte-se. Ao mesmo tempo, não se arrepende de suas escolhas. “Acho que viver é isso, é você se comprometer com novas coisas e atuar da forma mais harmônica possível”.

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