As professoras Eleonora Ziller (à esq.), da Chapa 1, e Alessandra Nicodemos, da Chapa 2 - Fotos: André Luiz Mello

Silvana Sá

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Uma “discussão de alto nível”, como definiu o presidente da Comissão Eleitoral, professor Ricardo Medronho, marcou o primeiro debate entre as chapas que disputam a diretoria da AdUFRJ. O encontro aconteceu no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), no dia 29, e foi transmitido pela internet. “É o tipo de debate que se espera ter entre professores do nível da UFRJ”, concluiu o docente. Ao todo, 209 pessoas visualizaram o debate. As eleições ocorrem nos dias 11 e 12. Em 3 e 5 de setembro, ocorrerão novos debates.

A Chapa 1 “Ventos de Maio: juntos pela universidade. Não vamos parar nem voltar atrás” foi representada pela professora Eleonora Ziller e pelo professor Josué Medeiros. Já a Chapa 2 “Adufrj em Movimento pela Base” foi defendida pelas professoras Alessandra Nicodemos e Marinalva Oliveira.

Apoiada pela atual diretoria da AdUFRJ, a Chapa 1 integra o movimento que elegeu a professora Tatiana Roque como presidente da seção sindical, em 2015. “O que me trouxe de volta para o movimento docente foi a gestão da professora Tatiana. Ela abriu uma possibilidade de diálogo, de conversa, de participação muito diferenciada do que nós tínhamos vivido antes. A minha estada aqui, neste momento, é fruto dessa transformação”, afirmou Eleonora.

Já a Chapa 2 se define de oposição às duas últimas gestões da AdUFRJ: “A chapa 2 é fruto de um projeto coletivo de intervenção dentro da universidade. Não é um projeto individual meu. Entendemos que o momento histórico pede este tipo de atuação sindical”, disse Alessandra. “Uma atuação sindical que venha pela base e que possa construir efetivamente com os docentes o enfrentamento necessário neste momento”, completou.

Em cinco blocos – três com perguntas da plateia –, os candidatos avaliaram o movimento docente, a conjuntura nacional, os desafios para a universidade e o projeto Future-se. E se diferenciaram principalmente em relação à avaliação das duas últimas direções da AdUFRJ, das formas de mobilização e do momento político brasileiro.

Para a Chapa 1, a conjuntura nacional é marcada pela acentuação de um processo que o professor Josué Medeiros chamou de fascistização. “A análise do atual processo político e do que é o Future-se está relacionada às ações de enfrentamento ao projeto”, disse. “Para nós, o Future-se tem um marco muito claro no governo Bolsonaro”, afirmou. “Há um processo de fascistização em andamento sem precedentes”.

Em contraposição, a professora Alessandra Nicodemos afirmou que a Chapa 2 considera que o atual momento político é fruto de um processo de desmonte da educação e do serviço público, que, na opinião dela, ocorre há muito tempo. “Temos total clareza de que o projeto de desmonte é anterior ao governo Bolsonaro e esse projeto seguirá independente de Bolsonaro. Se ele cair, nossos problemas não acabam”, justificou a professora.

A relação com o Andes foi outro ponto de divergência. Enquanto a Chapa 1 defende uma atuação crítica nas instâncias da entidade, a Chapa 2 prega uma postura alinhada à política nacional do Andes. “Sentimos muita falta da atual direção da AdUFRJ nos espaços de decisão do nosso Sindicato Nacional”, pontuou Marinalva Oliveira.

Representantes da atual diretoria esclareceram ter participado dos dois Congressos do Andes, dois Conads e de quatro encontros do setor das federais. Eleonora Ziller completou: “Não temos nenhuma dúvida de que o Andes tem uma trajetória histórica”, comentou. “Mas há uma forma de ação que tem problemas. Se formos eleitos, trabalharemos incansavelmente para o fortalecimento do Andes e para sua democratização”, afirmou.

Os pontos de vista sobre as formas de organizar o movimento docente também tiveram destaque. “A base é protagonista. Para a base ser protagonista, nós precisamos – e sentimos muita falta na atual direção da AdUFRJ – de assembleias”, disse Marinalva Oliveira.

Enquanto Chapa 2 privilegia a atuação política a partir de assembleias e conselhos de representantes; a Chapa 1 acredita que estes elementos devem ser combinados a outras formas de organização e luta. “Temos uma categoria diversa. Nossos processos de mobilização também devem ser diversos”, defendeu Josué Medeiros. “As assembleias não dão conta dessa diversidade. O voto em urna, por exemplo, é um método de ampliar a participação”, disse. A direção atual informou ter organizado 14 assembleias.

O vídeo com a íntegra do debate está disponível no Facebook da AdUFRJ e no canal no Youtube