Silvana Sá

silvana@adufrj.org.br

A comunidade acadêmica pressiona o governo federal contra os cortes previstos no orçamento da Capes para o próximo ano. Se confirmada, a redução de 16%, correspondente a mais de R$ 600 milhões, desmontará por completo a estrutura da pós-graduação no Brasil. Ainda hoje, uma Carta Aberta será encaminhada ao presidente Michel Temer para que sancione a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Na prática, o texto proíbe cortes nos orçamentos das pastas de Saúde e Educação e prevê a correção da inflação do período.

“O presidente Temer tem até terça para sancionar a lei que tornará ilegal qualquer redução nos orçamentos de saúde e educação. A pressão é para que esta lei seja aprovada e, assim, o corte não seja consumado”, esclarece Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências e professor do Instituto de Física da UFRJ. “O orçamento do MEC também foi diminuído e então o Ministério repassou à Capes todo o percentual que pode ser cortado: tudo incide sobre as bolsas, que é a única coisa que o ministério tem condições de cortar”.

Além de reivindicar a aprovação da LDO, os cientistas cobram também a instituição do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. “É uma demanda antiga que mais do que nunca precisa ser pautada”. Ao Globo, Davidovich contou que houve uma reunião com o presidente da República para tratar o assunto. “Ele mesmo disse que é muito importante que a vontade da população brasileira, expressa pelos parlamentares na lei, seja respeitada”, declarou.

Orçamento só encolhe

A Capes amarga, ano após ano, reduções significativas no seu orçamento. Para se ter uma ideia do drama, o orçamento executado pela Capes caiu de R$ 7 bilhões, em 2015, para R$ 5,9 bilhões, em 2016. No ano passado, passou para R$ 4,68 bilhões. Para este ano, o montante previsto é ainda menor: R$ 3,97 bilhões, dos quais foram executados, até agora, aproximadamente R$ 1,8 bi.

ADICIONAR COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

(*)

(*)