Elisa Monteiro

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(Última atualização em: 16/05/2018)

Mais ciência, menos burocracia. Essa foi a palavra de ordem dos pesquisadores em debate realizado dia 11, na Coppe.  O diretor da unidade, professor Edson Watanabe, criticou a “infantilização da gestão pública”, fruto de uma “hipertrofia do controle”: “Precisamos de agilidade e flexibilidade. E ultimamente estamos afogados pela burocracia”, disse.

 

A mesa “Modelo Universidade-Fundação” reuniu autoridades de instituições federais de ensino e pesquisa, além de representantes de fundações, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), da Controladoria Geral da União (CGU) e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ).

 

O professor emérito da Coppe Luiz Pinguelli Rosa avaliou que o país vive uma “crise de definição” cujos reflexos são os cortes nas áreas de Educação e Ciência, Tecnologia e Inovação: “O Brasil não pode viver apenas do controle da corrupção”, opinou. “O povo espera das nossas instituições coisas que melhorem as condições de vida”, afirmou.

 

A natureza especial da produção da universidade está na Constituição Federal, expressa no artigo sobre autonomia da instituição. Mas o status não tem reflexo, por exemplo, na hora da prestação de contas. Foi o que avaliou o reitor da UFRJ, professor Roberto Leher: “A universidade não é uma repartição pública. Ela é parte do Estado, mas as atividades acadêmicas têm particularidades que a prestação de contas também deveria observar”.

 

As críticas da universidade foram bem acolhidas pelo secretário federal de Controle Interno da Controladoria Geral da União (CGU), Antônio Carlos Leonel. Para ele, a fiscalização brasileira “deve acompanhar parâmetros internacionais”. E mirar em resultados, não em “uma visão repressiva por si só”.

 

A manutenção do diálogo também foi a linha seguida pelo procurador do Ministério Público do Rio, Eduardo Gussem. “Nosso trabalho não é apontar o dedo para ninguém”, frisou o procurador. “O diálogo é a melhor forma para desenvolver nossas instituições”. Gussem afirmou que “a melhor contribuição que temos para dar está longe de focar a burocracia”.

 

O deputado federal e ex-ministro do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Celso Pansera (PT-RJ), defendeu uma maior aproximação da comunidade científica da política. Segundo ele, atualmente cerca de 200 propostas em tramitação no Congresso Nacional afetam diretamente as pesquisas e as universidades.

 

Participaram da mesa, ainda, o secretário de desenvolvimento tecnológico e inovação do MCTIC, Álvaro Prata; o reitor Rafael Almada (IFRJ); o presidente da Andifes, Emmanuel Tourinho; os professores Romildo Dias Toledo Filho (vice-diretor da Coppe); Fernando Rochinha (diretor-superintendente da Coppetec) e Fernando Peregrino (diretor-executivo da Coppetec e presidente do Confies).

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