Fotos: Alessandro Costa

Silvana Sá

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Bairro suburbano, consagrado como terra do samba, Madureira foi o cenário escolhido para receber a primeira edição do UFRJ na Rua, no dia 29 de junho. O evento, idealizado pelos estudantes e apoiado pela AdUFRJ, levou ao local projetos de extensão da universidade. “O bairro foi escolhido por ser uma região periférica e porque queremos levar a toda população a mensagem de que a UFRJ é uma instituição pública e que deve ser aberta a todas as pessoas”, justificou a estudante Mariana Theodósio, diretora do DCE Mário Prata.

O Parque ficou cheio de barraquinhas da universidade. “Sempre trago minha filha aqui. Nunca tinha visto uma ação da UFRJ. Achei muito importante, até para ela conhecer um pouco a universidade. Quem sabe ela se torna aluna de lá um dia”, disse Luciana Gomes, mãe da pequena Emily, de 9 anos.

Tatiana Sampaio, diretora da AdUFRJ, defendeu a necessidade de envolvimento de toda a comunidade acadêmica em atividades de rua. “É um momento muito difícil para a educação superior. Um momento em que existe essa falsa polarização entre educação básica e ensino superior. Então é hora de estarmos juntos da população, esclarecendo e buscando apoio para conseguirmos nos defender de tantos ataques”, afirmou. “A educação básica de qualidade se faz também com apoio da universidade, que é quem forma os professores”, completou.

Uma turma de mestrado do Núcleo Interdisciplinar de Desenvolvimento Econômico e Social (Nides) apresentou um trabalho de conclusão do semestre: uma mostra cinematográfica com trechos de filmes sobre temáticas sociais. “É um privilégio estar aqui”, emocionou-se o estudante de mestrado e servidor da UFRJ Henrique Oliveira. “Este movimento é fundamental para levar o que produzimos, dizer à sociedade que nosso trabalho é contribuir para melhorar a vida de todas as pessoas”.

A professora Eleonora Ziller, da Faculdade de Letras, também comemorou a iniciativa: “É um movimento transformador da própria universidade. Nossos estudantes mudaram de perfil e nós também temos que acompanhar e mudar junto com eles”, avaliou, em referência à escolha por Madureira para sediar o evento. “A universidade é crucial para a vida das pessoas e atividades como esta ajudam que a população entenda o nosso papel social”.

Da Faculdade de Educação, o professor Herli Menezes elogiou o UFRJ na Rua: “Os estudantes, já dizia nosso reitor Horácio Macedo, são a força motriz da universidade. E eles estão de parabéns por terem protagonizado este evento”. Por outro lado, Menezes cobrou mais participação dos docentes. “É fundamental que nossos colegas professores saiam dos seus laboratórios para somar forças em defesa da universidade, que vive um período muito delicado e de muitos ataques”.

Uma das tendas mais procuradas foi a do projeto do Núcleo de Extensão sobre Grafias e Heranças Africanas, o Negha. Os estudantes contaram histórias sobre os povos africanos e ensinaram crianças a criar uma Abayomi – boneca negra originada na travessia dos navios negreiros para o Brasil e que era usada para acalmar  durante a viagem. “Com este projeto nós percorremos escolas municipais no período em que as crianças estão aprendendo sobre colonização”, explica a estudante Gabrielle Brandão, da Geografia. “A intenção é que as crianças conheçam a cultura e saibam que houve muita resistência e produção naquele período”.

A “Brigada Beth Carvalho”, que reúne professores, alunos e ex-alunos da Escola de Música, tocou choro e samba. As atividades foram encerradas com apresentações de estudantes do curso de Dança, da Escola de Educação Física e Desportos.