Almendra: "Ouço, satisfeito, uma multiplicidade de sotaques em minhas salas de aula" - Foto: Kelvin Melo

Cinco Euzebio

 

A mim não restam dúvidas de que as razões pelas quais desde o início apoiei o Sisu foram plenamente atendidas, num exemplo de sucesso de políticas públicas. Basta observar a existência de negros nas salas de aulas dos cursos mais demandados da UFRJ e, ainda, as dificuldades no dia a dia enfrentadas por muitos de meus alunos para os quais, por exemplo, um remarcar de prova passa por critérios de recursos para virem ao campus num dia não previsto. As salas de aula, ainda falta muito mas, são hoje muito mais representativas de nossa sociedade. Há que ser assim numa instituição pública.

Também ouço, satisfeito, uma multiplicidade de sotaques em minhas salas de aula. A UFRJ deixou de ser uma “universidade regional”, atendendo quase que exclusivamente à população do Grande Rio, para ser a Grande Universidade Pública do Brasil. Hoje, selecionamos nossos alunos entre os melhores de todo país. Isso é obrigatório para uma instituição que pretende, é minha visão, formar a elite acadêmica do país, da nação. É assim em todos os grandes países do mundo, é assim, agora, no Brasil: os melhores alunos vão para as melhores instituições.

Entre tantos sucessos, não há como deixar de apontar que o sistema trouxe também um grande problema. O sistema de preenchimento das vagas é ineficiente, o número de faltas nas primeiras chamadas é muito alto; são necessárias múltiplas, seis a oito reclassificações e ainda assim temos vagas não ocupadas. Vagas ociosas são inadmissíveis numa instituição pública. A perversidade está em imaginar que um aluno recém aprovado no Enem, com boa pontuação, opta imediatamente, no Sisu, pelas melhores universidades, vindo depois a ponderar, com a família, não haver como sustentar-se em outra cidade, outro Estado. O sucesso de possibilitar o acesso desses bons alunos não foi acompanhado de uma política de Assistência Estudantil minimamente compatível. Não há recursos para bolsas de assistência ou residências estudantis em número minimamente compatível. Perdemos bons alunos e, pior, acrescentamos uma frustração em suas vidas.

(Ericksson Rocha e Almendra é ex-Diretor da Escola Politécnica e ex-Superintendente Geral de Políticas Estudantis)

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