A arte e a vida: como na imagem da campanha da Adufrj, menino caminha ao lado de soldados em área ocupada - Foto: Fernando Souza

(Última atualização em: 08/03/2018)

“Nunca morei numa casa que não tivesse marca de bala no portão. Nasci e moro em Senador Camará, perto da comunidade da Coreia. Para ir ao mercado, pegar trem, ir para a faculdade ou voltar, tenho que passar por áreas onde há tráfico e conflito com a polícia. Quando tem guerra do tráfico dá muito medo. Já dormi no chão com medo de entrar uma bala aqui na minha casa. Ou então a gente vai para um cômodo da casa sem janela por causa dos tiros. Tenho muito medo quando estou chegando em casa e a polícia está chegando na comunidade também, e tem tiroteio.
A gente não sabe se volta– e podem pensar que você fez algo errado e está fugindo– ou se continua indo, com risco de cair no meio do confronto. O pior é quando tem guerra do tráfico, dá muito medo.
Entrei na UFRJ como cotista e curso Gestão Pública. Não tenho bolsa, mas passei agora numa prova para ser monitora de uma disciplina, aí vou ganhar bolsa. É curioso olhar a intervenção como moradora de comunidade e aluna desse curso. Política de segurança deve estar junto com outras políticas, como saúde, emprego e educação.”

BÁRBARA B. DE HOLANDA MELO,
23, aluna de Gestão Pública na UFRJ

(Depoimento concedido à jornalista Fernanda da Escóssia)

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