Elisa Monteiro

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Após dez anos de instalações provisórias em Xerém, a UFRJ inaugurou o campus de Duque de Caxias na segunda-feira, 6. “Que bom que viemos, onde estávamos não dava mais”, avaliou a coordenadora de pós-graduação Juliany Rodrigues. “Mas não será fácil, há muitas fragilidades”. Entre os obstáculos, a docente enumera o abastecimento de água, “ainda realizado por caminhão pipa”, e restrições elétricas, “como a falta de ar-condicionado”. “A prefeitura de Caxias fez a parte dela. Agora a universidade precisa fazer a sua”, avaliou.

Na prática, apenas o trabalho teórico migrou para as novas salas. O laboratório compartilhado por graduações e pós-graduações continua na área antiga, em Xerém. A previsão de conclusão da mudança é fevereiro de 2019. “Esperamos dez anos para a transferência, o que nos garante que em seis meses trarão os laboratórios?”, questionou Juliany.

O início das aulas foi adiado por causa da falta de segurança para travessia de pedestres na Rodovia Washington Luiz. Há a promessa de instalar uma passarela provisória. Outras duas preocupações recorrentes são a segurança – o campus fica numa área erma – e o transporte. Cerca de 70% dos estudantes são moradores da Baixada Fluminense. “Não terá ônibus interno toda hora, e é uma passagem cara. Só para ir ao estágio duas vezes por semana, estou calculando gastar mais de R$ 40”, relatou o estudante da Biofísica Michel Barbosa.

O campus não dispõe de qualquer opção para alimentação. “Tem o espaço para o Bandejão, mas não tem Bandejão”, aponta Jully Regina, estudante de Nanotecnologia. “É aquilo, quando você faz o Enem vê, no site, fotos de estrutura muito legais, mas não é bem isso”, reclama.

De acordo com a vice-reitora da UFRJ, professora Denise Nascimento, “serão servidas, diariamente e em caráter emergencial, 500 refeições prontas no almoço e outras 300 na janta”. Segundo ela, serão atendidos, além dos alunos, também docentes e técnicos-administrativos. Sobre o deslocamento, a vice-reitora informou que ônibus internos farão os trajetos entre o polo e o novo campus, assim como a integração com o Fundão.

“Esse projeto de interiorização é muito importante e está se tornando realidade”, comemorou Tatiana Sampaio, diretora da Adufrj que compareceu ao evento e acompanha a construção do campus desde o início.

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