(Última atualização em: 12/01/2018)

FECHAR PROGRAMAS PÚBLICOS OU CONTRIBUIR PARA A FORMAÇÃO PROFISSIONAL?

São inúmeras as iniciativas para avaliação do ensino médico. Entidades corporativas, associações de escolas médicas, órgãos governamentais e organizações privadas avaliam. No Brasil, em meio aos esforços para a consolidação da educação e saúde pública, logrou-se que o MEC adquirisse protagonismo na avaliação da graduação e pós-graduação. Ou seja, prevaleceu a disposição para a criação, ampliação e atualização de avaliações acuradas e orientadas pelo compromisso com a expansão dos direitos sociais.

Com a organização e o crescimento das pós-graduações, as residências médicas de universidades públicas se consolidaram e passaram a representar um elemento estratégico para afirmar um padrão de maior qualidade assistencial. Nos anos 2000, procurou-se ampliar o número de vagas e foi proposto que todos os médicos brasileiros deveriam ter acesso à residência. As universidades públicas, a despeito de uma reconhecida crise de muitos de seus hospitais universitários, desempenharam um papel central para a formulação de uma perspectiva de qualificação de médicos. Portanto, a capacidade de oferecer alternativas para a formação profissional não é completamente justaposta à oferta física de hospitais.

Não haverá surpresas em qualquer verificação de condições para a realização de práticas hospitalares na vigência do atual padrão de subfinanciamento do SUS. Quem procurar encontrará gravíssimos problemas. Obviamente, não se trata de jogar a poeira para debaixo do tapete. Pelo contrário, é hora de avaliarmos o que e como e quando proceder. Os hospitais Clementino Fraga e Pedro Ernesto possuem excelentes professores e um médico não é “fazedor de procedimentos”. É imprescindível que “se aprenda a fazer”, mas também é que se “aprenda a decidir e interpretar”. As orientações da comissão de avaliação foram veementemente contestadas e, felizmente, revistas. Para a Adufrj, que tem como compromisso estimular o debate sobre a “avaliação da avaliação”, fica um alerta: os avaliadores somos nós; precisamos debater a avaliação de instituições públicas cujo futuro está objetivamente ameaçado pelas reformas antiproteção social.

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