Kelvin Melo

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Reitor da Universidade Federal do Pará – que recebe o 38º congresso do Andes -, o professor Emmanuel Tourinho chamou atenção na plenária de abertura do evento. Ex-presidente da Andifes, defendeu a autonomia das instituições federais de educação superior na escolha de seus dirigentes. Tourinho venceu as eleições de 2016 a partir de um processo organizado pelo conselho universitário local, que aprovou uma consulta paritária junto à comunidade.

Confira entrevista que concedeu ao Boletim da Adufrj.

Como o senhor avalia a nota técnica 400 do MEC, que proibiu a paridade nas consultas eleitorais para as reitorias?

O que rege o processo eleitoral nas universidades é a lei, que não foi alterada. Esta lei, por sua vez, está amparada no artigo constitucional 207, da autonomia universitária. As universidades continuam tendo autonomia para constituir seus processos de escolha de dirigentes. A nota técnica não se sobrepõe nem à lei nem à Constituição.

Qual a importância de se preservar os atuais processos eleitorais?
É para que os reitores tenham a legitimidade necessária para conduzir uma instituição extremamente complexa, que tem uma dimensão única. Quem tem a capacidade de fazer isso são aqueles que ganharam a confiança da comunidade. Quando você pega o conjunto dos reitores, vê que há uma pluralidade de visões. Esses gestores de diferentes entendimentos sobre a realidade do país têm isso em comum: ganharam a confiança da sua comunidade. Sem isto, é muito difícil um gestor ser bem sucedido na condução da universidade. Precisamos dialogar com o governo. Precisamos explicar as razoes de as coisas acontecerem assim.

Mas e quanto à possibilidade de nomeação do segundo colocado na lista tríplice na Universidade Federal do Triângulo Mineiro?
Eu recebi esta noticia com muita preocupação. Isso obviamente desencadeia uma instabilidade dentro da universidade. Quero crer que as instituições, as gestões, os movimentos que atuam na universidade e o ministério vão trabalhar para que isso não aconteça.

Como está a situação orçamentária da UFPA?
Nosso orçamento para este ano é idêntico ao de 2018: R$ 190 milhões para custeio e R$ 10 milhões para investimento. Isso significa que nós já perdemos quase 4% de valor real pela inflação. Quando comparamos com 2014, aí a perda é de 80% no investimento e 20% no orçamento de custeio. Ou seja, nos podíamos estar fazendo mais, podíamos estar trabalhando melhor, se não fosse essa descontinuidade dos investimentos e a redução dos recursos de custeio.