Foto: Fernando Souza

Kelvin Melo

kelvin@adufrj.org.br

Esqueçam o estereótipo da cientista enfurnada no laboratório e da candidata que só fala de política. Denise Pires de Carvalho, além de apresentar uma trajetória acadêmica consolidada, é muito mais.
Uma das facetas da reitora eleita, para deleite dos amigos e familiares, é transformar-se em chef amadora nas horas vagas. Um panelão de estrogonofe já foi prometido aos apoiadores da campanha: “Quando estou muito estressada, começo a cozinhar. Aí eu desestresso”. Denise adora inventar em cima de receitas que pega na internet. O marido, professor Álvaro Leitão, aposentado do Instituto de Biofísica, é tiete acadêmico, político e gastronômico. “Ela faz um carneiro maravilhoso e todos os tipos de frutos do mar. Às vezes, chamamos amigos e almoçam uns 40 lá em casa”.
A casa fica no Jardim Guanabara, na Ilha do Governador. A proximidade com a Cidade Universitária favorece a qualidade de vida: “Sem trânsito, chegamos aqui em dez minutos”, diz Álvaro. A residência também deixa a família perto de outra paixão: o samba. São frequentes as visitas à quadra da União da Ilha. E também às boas casas do ramo, na Lapa ou na zona portuária. O coração da reitora eleita é verde-e-rosa. “O samba da Mangueira deste ano foi história pura! Eu saí do desfile das campeãs já rouca e não consegui me recuperar até agora”. Mas o gosto musical é eclético. “Fui a todos os Rock in Rio. Adorava o Queen. Gosto do Iron Maiden e do Metallica”.
Mesmo com uma agenda apertada, a professora não deixa de acompanhar a trajetória das duas filhas, uma de cada casamento. Na madrugada de sábado, enquanto era entrevistada para o Boletim da Adufrj, Denise pediu licença para atender a uma ligação da mais velha, Daniela, que trabalha na Austrália. Já Isabela, que está terminando Medicina na UFRJ, vive a expectativa de ter o diploma assinado pela mãe: “Quando chego em casa, quero conversar com ela sobre tudo que aconteceu na faculdade. Ela sempre me apoiou”. E completa: “Estou para me formar. Se ela assinar meu diploma, vai ser maneiro!”.
A vocação para a liderança vem desde a juventude. “Fora da universidade, sempre fui representante de turma”, diz. “Sempre fui politizada”. E a derrota no pleito de 2015 à reitoria não a abalou. Denise venceu entre os docentes, mas não entre os técnicos e estudantes: “Saí daquela eleição muito tranquila. Não queria ser reitora só dos professores. Hoje, ganhamos entre professores e técnicos por ampla maioria e perdemos entre os estudantes por uma margem pequena”. A reitora eleita espera mudar a opinião dos alunos ao longo do mandato: “Queremos investir na graduação, melhorar as políticas estudantis. Podemos construir ao longo dos quatro anos uma relação sólida com os estudantes”.