Maria Lúcia Werneck; Joana de Angelis, Denise Pires de Carvalho e Natália Borges - Foto: João Laet

Elisa Monteiro

elisamonteiro@adufrj.org.br

O slogan feminista “diversas, mas não dispersas” pode resumir o debate que ocorreu no Salão Nobre da Faculdade Nacional de Direito, no último dia 17. Na mesa, a reitora e diretoras de entidades representativas da UFRJ trocaram ideias sobre a presença das mulheres na produção acadêmica, na política e até mesmo nos espaços físicos e simbólicos da universidade.
“O feminino é sempre heterogêneo e diverso”, advertiu a presidente da AdUFRJ, professora Maria Lúcia Werneck. “E quando falamos de um país como o Brasil, é preciso dizer que ele é também desigual”, afirmou. A docente recorreu à literatura para questionar os limites das causas ligadas à identidade, descoladas do contexto social. “É conhecida a passagem em que Zorro diz ao companheiro índio: ‘Estamos cercados!’. E ouve de volta: ‘nós quem, cara pálida?’”, disse a docente. E completou: “Caso nos deparemos com celebridades defendendo ‘futurizar’ a universidade, falando por ‘nós, mulheres’, é preciso saber dizer: nós, mulheres, quem?”.
Pelo DCE, Natália Borges falou sobre o esforço das entidades e dos coletivos discentes para aumentar a “conscientização” e reduzir a “agressividade e assédios” nos espaços de socialização da universidade, como as calouradas. Também defendeu uma assistência estudantil atenta às demandas das alunas, em especial, as mães. A estudante de Engenharia lamentou o “funil (de gênero) da hierarquia de poder da universidade”.
“Somos maioria nas categorias, maioria entre sindicalizados, mas ainda não temos o mesmo tratamento nos espaços ou igualdade de direitos”, pontuou a diretora dos técnicos-administrativos, Joana de Angelis. “Em plenárias ou congressos, eles se colocam. Enquanto as mulheres ficam inibidas pelo estereótipo de serem espaços masculinos”, exemplificou Joana. “Precisamos de dinâmicas que aproximem as mulheres desses lugares de poder”, completou.

DIVERSIDADE É RIQUEZA
“A igualdade não é apenas uma questão de justiça. A diversidade é o melhor caminho para o desenvolvimento. Não tenho a menor dúvida”, afirmou a reitora Denise Pires de Carvalho. Primeira mulher a dirigir a UFRJ, a professora apresentou uma seleção de fotos históricas da instituição. Nas imagens, a participação significativa das mulheres na base do ensino e da pesquisa ao longo dos anos. E o contraste do registro residual delas em lugares de destaques.
Em um dos slides, a professora Helena Nader é destacada como única mulher, entre uma dezena de pares, em uma mesa da Academia Brasileira de Ciências. “Em 2014, as mulheres eram 12% entre os titulares da ABC. Em 2018, 14%. Estamos avançando de maneira muito lenta”, opinou. Ela criticou ainda a maior dificuldade de acesso a financiamento quando se trata de pesquisas coordenadas por mulheres. A reitora da UFRJ afirmou que a igualdade de gênero está entre as metas do desenvolvimento sustentável da Organização Mundial da Saúde e é prioridade de sua gestão.