Redação Adufrj

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(Última atualização em: 12/03/2018)

‘Mulher não serve para fazer  Engenharia”. “Deixa eu explicar o que você quis dizer.” “Não quero namorar feminista burra”. “Você é bonita demais, nem precisa estudar”. Essas são frases que mulheres ainda escutam na UFRJ.

De acordo com dados de 2016 do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), mulheres representam 60% dos universitários brasileiros; entre professores, são 53%. Ainda assim, o cotidiano acadêmico é permeado por pequenos e grandes machismos.

Letícia Ramos vive num dos ambientes da UFRJ mais dominados por homens, a Engenharia. “O primeiro impacto é, em sala, ver muito mais homens que mulheres. Em determinadas disciplinas só tive professores homens”, afirmou. A jovem critica a forma como é tratada pelos colegas. “Somos desmerecidas. Já ouvi que só fazia Engenharia para arrumar marido”, conta.

Jacqueline Leta, professora do Instituto de Bioquímica, pesquisa sobre a mulher na academia e diz que é prioridade repensar o lugar feminino na produção científica. “Temos que pensar quem é a cientista. A gente não se contenta mais com a ideia de o homem ser o agente da ciência”, diz. Jacqueline destaca a relação da maternidade com a profi ssão. “No meu caso, não foi determinante, mas a opção pela carreira influenciou a decisão de não ter filhos”, diz.

Professora da Faculdade de Direito, Vanessa Berner tem uma trajetória permeada pelas diferenças de gênero. “No direito, a palavra do homem ainda vale mais. Sou a primeira professora de universidade federal em Direito Constitucional. ” Para Vanessa, a dificuldade institucional sobre questões de gênero é grande: “Quando você denuncia algo como machismo, é entendido como uma questão pessoal”.

 

Maria Clara Blanco, estudante de Arquitetura e Urbanismo, cita duas situações nas quais as diferenças são explícitas.“A primeira é quando as pessoas acham que existe “curso de mulher”. Eu cursava Artes e todo mundo dizia que era por eu ser “delicada””, conta. “A segunda é o assédio. Nas festas e calouradas, é recorrente os homens chegaram de forma incisiva”, afi rma.

De acordo a Pró-reitoria de Graduação da UFRJ, entre 2010 e 2016, os cursos nos quais mais ingressaram homens foram bacharelado em Ciência da Computação, Engenharia Mecânica e Ciências Econômicas. Em contrapartida, Enfermagem, Pedagogia e Serviço Social têm as maiores proporções de mulheres.

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