Foto: André Calvino/Observatório do Conhecimento

Redação Adufrj

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Gabriel Murga
Observatório do Conhecimento

Na manhã da última segunda-feira (1), uma comitiva de professores universitários foi ao MEC entregar o troféu “Cortando o Futuro 2019” ao Ministro da Educação, Abraham Weintraub, mas foi barrada na entrada do prédio. A segurança sequer permitiu que os docentes protocolassem o prêmio e o documento com a justificativa da premiação.
O troféu, uma escultura em forma de tesoura, foi idealizado pelo Observatório do Conhecimento – rede que reúne 14 sindicatos e associações de docentes de universidades públicas de diversos estados do país, entre elas a AdUFRJ.
“O MEC fechou suas portas com cadeado. Isso é muito simbólico. Não é possível que o MEC se sinta ameaçado por seus próprios professores”, explicou a professora Ligia Bahia, vice-presidente da AdUFRJ e porta-voz do Observatório do Conhecimento. “Queremos a revogação dos cortes orçamentário dos institutos e universidades federais de ensino. Somos professores comprometidos com a educação de qualidade, viemos dialogar, mas fomos barrados em nosso próprio ministério”, disse. “Essa gestão do MEC não demonstra qualquer apreço à universidade pública e ao futuro do país. Mais do que nunca, o ministro merece o troféu Cortando o Futuro”, completou.
Na avaliação das entidades integrantes do Observatório, o troféu “Cortando o Futuro 2019” simboliza a trágica ironia de o Brasil ter um ministro da Educação que trabalha contra sua própria pasta, apoiando a redução dos investimentos e desprezando as conquistas sociais do setor nas últimas décadas.
No documento endereçado ao MEC, o Observatório afirma que os seis primeiros meses do governo Bolsonaro mostram que o ministério se empenhou em promover cortes de 30% no orçamento de custeio das universidades, além de propagar ameaças à autonomia universitária e difundir mentiras sobre a qualidade da ciência nacional.
Além das políticas desastrosas para a educação, o Observatório do Conhecimento ressalta que outras medidas como a Reforma da Previdência e a Emenda Constitucional do Teto de Gastos agravam a situação dos docentes, trabalhadores, pesquisadores e estudantes que formam a comunidade universitária.
“Não vamos desistir e entregaremos o troféu ‘Cortando o Futuro’ em uma oportunidade próxima, pública, na qual o ministro não poderá nos ignorar”, declarou o professor Wagner Romão, presidente da Adunicamp (Unicamp), também representante do Observatório. “Reforçando o recado que tem sido dado por enormes manifestações nas ruas, como as que aconteceram nos dias 15 e 30 de maio em centenas de cidades brasileiras e nas pesquisas de opinião pública, vamos manter a pressão até que os cortes sejam revogados e as garantias de autonomia universitária sejam respeitadas”.