Médica Mariana Luz atende paciente no Linpes, no campus da Praia Vermelha: serviço é gratuito, aberto à comunidade universitária e ao público em geral - Foto: Fernando Souza

Fernanda da Escóssia

fernanda@adufrj.org.br

Depois de um assalto, pesadelos seguidos. Após um sequestro-relâmpago, pavor de passar pelo local do ataque. Para quem vive numa cidade violenta _ e a UFRJ não é uma ilha dentro do Rio de Janeiro_, episódios assim deixam marcas que podem demorar a cicatrizar. Semanas depois dos sequestros e assaltos que mobilizaram a comunidade acadêmica do Fundão, professores, estudantes e técnicos ainda vivem os efeitos do medo.

Para reduzir o trauma de quem experimentou a violência, o Instituto de Psiquiatria da UFRJ oferece um serviço especializado: o Linpes (Laboratório Integrado de Pesquisa do Estresse), no campus da Praia Vermelha. Uma equipe interdisciplinar, com profissionais de várias áreas, se especializou em ajudar pessoas que sofrem com o chamado TEPT (Transtorno do Estresse Pós-Traumático), sintomas de sofrimento mental desencadeados por algum evento traumático que envolve risco de morte ou ferimento grave, como violência urbana, mortes no trânsito e abuso sexual. E, para a maioria dos pacientes , a violência urbana é o fator que desencadeia o transtorno.

Seu ambulatório oferece atendimento gratuito à comunidade universitária e ao público em geral _ trabalho que ganha ainda mais importância depois dos últimos sequestros-relâmpagos no Fundão.

“Para a vítima, às vezes é difícil reconhecer que ela tem dificuldade de lidar com aquele evento. A pessoa continuam sofrendo, com medo ou vergonha de procurar ajuda. Estamos aqui e podemos ajudar”, afirma a neurocientista Fátima Erthal, professora do Instituto de Biofísica e pesquisadora do Linpes.

Coordenadora do ambulatório, a médica Mariana Luz diz que a violência urbana é o principal fator desencadeante do TEPT. Pesquisa realizada pela equipe do Linpes com 3 mil pessoas do Rio e de São Paulo indicou que 86% delas já haviam sofrido algum tipo de exposição à violência. O paciente pode ter sido vítima direta, testemunhado o fato, ter sabido do que aconteceu com alguém próximo ou conviver com aquele risco diariamente no trabalho _ como é o caso de policiais.

Formada pela UFRJ, mestra e doutora na universidade, Mariana Luz especializou-se em  TEPT. Diz que  é normal, depois de um evento violento, a vítima ficar assustada, abalada e mudar sua rotina. “É uma reação normal, que costuma se dissipar”, afirma. No entanto, se depois de algum tempo esses sintomas não vão embora, é possível que a vítima esteja desenvolvendo o TEPT, que requer tratamento especializado.

O conjunto de sintomas do TEPT inclui: revivescência dolorosa (a pessoa fica o tempo todo se lembrando do evento violento); evitação (a vítima foge exageradamente de tudo que lembra o ocorrido, de pessoas a lugares); hiperestimulação (a pessoa fica sobressaltada com facilidade ou tem palpitações ao se lembrar) e cognição negativa (a pessoa fica anestesiada, numa espécie de vazio de bons sentimentos).

Da comunidade da UFRJ, alunos são os que mais procuram o Linpes. Só um professor está sendo atendido hoje pela equipe.  “A comunidade da universidade pode escutar uns aos outros. Às vezes a pessoa está vivendo essa evitação, não quer falar do assunto. Se a gente não procurar esses casos, eles vão passar despercebidos”, afirma Mariana Luz.

SERVIÇO: O atendimento aos pacientes acontece sempre às terças de manhã. Para marcar hora, o telefone do Linpes é 99849-0851.

 

2 Comentários

  • renata carvalho disse:

    Boa tarde, sou Renata carvalho psicóloga e tenente da marinha. Gostaria de fazer uma cotação de uma palestra para nossa tripulação com o tema: Estresse e violencia urbana. O publico alvo são civis e militares do arsenal de marinha ( nível fundamental à ensino superior). A data prevista para palestra seria dia 26 setembro/18.
    A palestra precisa ser relativamente de linguagem acessível e interativa para que a plateia participe e mantenha a atenção no tema proposto.

    Atenciosamente,

    Renata Carvalho
    Primeiro- Tenente

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