Foto: Fernando Souza

Silvana Sá

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“A gente perdeu tudo. Marielle era nossa força, nosso alicerce. Ela era sorriso e resistência”, resumiu Anielle Silva, irmã da vereadora carioca brutalmente assassinada na noite de 14 de março do ano passado. Para marcar o primeiro ano de sua morte, familiares, amigos e movimentos sociais realizaram homenagens ao longo do dia, em todo o país. No Rio, as principais praças da cidade amanheceram com flores e cartazes com a inquietante pergunta: “Quem mandou matar Marielle?”.

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As atividades cobraram justiça para Marielle Franco e para Anderson Gomes, motorista da parlamentar que também morreu na emboscada. A polícia prendeu, no último dia 12, dois acusados de serem os autores do crime. Mas ainda não respondeu se há mandantes e qual a motivação do assassinato.

Às 10h, a família da vereadora organizou uma missa na igreja da Candelária, também no Centro. Amigos íntimos e parlamentares do PSOL, partido de Marielle, participaram da celebração. Em meio às lágrimas, eles gritaram “Marielle Presente! Anderson Presente! Hoje e sempre”.

Já às 14h, as ativistas do movimento negro Thulla Pires (professora de Direito Constitucional da PUC-Rio) e Wania Sant’Anna (ex-secretária de Direitos Humanos do governo Benedita da Silva) foram as convidadas da aula magna “Eu Sou porque Nós Somos”. A atividade ocorreu de frente para a Câmara dos Vereadores, último local de trabalho de Marielle.

Thulla Pires apontou a necessidade de completa elucidação do caso. “Nossos corpos não são ‘matáveis’. Há muitas perguntas sem resposta. Não sabemos quem e como desligou as câmeras da região onde Marielle foi assassinada. Não sabemos como armas e munições de uso restrito foram extraviadas. Quem são os mandantes e qual a motivação para o crime”, disse.

Wania Sant’Anna destacou as vivências da parlamentar, que tornaram Marielle ícone das causas que defendia. “Ela carregava no corpo suas pautas. Era negra, mulher de favela, lésbica, mãe. Marielle representa a trajetória das mulheres negras deste país. Confronta a questão racial em suas múltiplas existências. Ela é resultado de grandes gerações, de muitas gerações”.

Marinete Silva, mãe de Marielle Franco, desabafou: “Nenhuma mãe gostaria de estar aqui. Não é a ordem natural das coisas”, disse, muito emocionada. Para ela, o legado da vereadora é o que dá forças para seguir. “Minha filha germinou. Virou semente e está brotando por todos os espaços. Ela era luz. Fazia política com afeto”.

Homenagem na UFRJ

A Escola de Comunicação batizou simbolicamente a rua entre o Palácio Universitário e o Centro de Produção Multimídia, no campus Praia Vermelha, de Rua Marielle Franco. A homenagem aconteceu também no dia 14. A intenção agora é formalizar um pedido de nomeação definitiva do espaço junto à Congregação da ECO e ao Conselho Universitário.