Elisa Monteiro

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No apagar das luzes de 2018, o governo federal impôs novos cortes à UFRJ e bloqueou mais R$ 2,1 milhões de receitas próprias da universidade. O valor será usado para pagamento de pessoal. O corte, anunciado em 19 de dezembro, surpreendeu a reitoria.

“Fica muito difícil compor a projeção de orçamento com situações assim”, reclamou o pró- -reitor de Finanças, Roberto Gambine. Como noticiou o Boletim da Adufrj em novembro, o mesmo confisco já havia acontecido com outros R$ 25 milhões de recursos próprios da UFRJ, também usados para pagamento de pessoal.

Esse processo de asfixia resulta da portaria 9.420, que tomou R$ 450 milhões de 52 universidades e nove hospitais universitários de todo o país. Outra má notícia foi a aprovação da Lei Orçamentária Anual, que previu para a UFRJ R$ 3,3 bilhões, incluindo despesas de pessoal —valor igual ao de 2014 e muito aquém do que a instituição necessita.

Com isso, o último Consuni de 2018, realizado dia 20, terminou com perspectivas preocupantes em termos financeiros. O reitor Roberto Leher informou ao colegiado que as despesas de pessoal aumentaram. “Houve aposentadorias, fizemos concursos e cresceu o número de professores Titulares. Se o valor é o mesmo, significa que encolheram recursos para custeio e investimento”, criticou Leher.

A verba para custeio e investimento ficou em R$ 361 milhões. O necessário, de acordo com a Pró-reitoria de Finanças, seriam R$ 678,4 milhões, incluindo o pagamento de déficits anteriores. Foi esse o valor registrado na proposta orçamentária da UFRJ aprovada pelo Consuni. Ou seja: a universidade pode chegar ao final de 2019 com um rombo acumulado de R$ 317 milhões.

A proposta orçamentária foi aprovada sem votos contrários. O professor Ericksson Almendra, da Escola Politécnica, sugeriu destinar 1% do total de recursos discricionários, ou seja, sem destinação obrigatória, para prevenção de incêndio. A sugestão foi aceita.