Renato Janine Ribeiro, José Goldemberg, Fernando Haddad, Murílio Hingel, Cristovam Buarque e Aloizio Mercadante – Foto: Fernanda Rezende / IEA

Redação Adufrj

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Elisa Monteiro e Julia Noia

Em coletiva à imprensa realizada na terça-feira (4), seis ex-ministros da Educação divulgaram carta conjunta em defesa do financiamento público da pasta e da autonomia acadêmica. O documento expressa “grande preocupação com as políticas para a educação adotadas na atual administração” e afirma que os contingenciamentos “na magnitude que estão sendo apresentados, podem ter efeitos irreversíveis e até fatais”.

Os ex-ministros chamam atenção do atual governo para o “consenso” social em torno da visão da educação como política prioritária de Estado. “Em nenhuma área se conseguiu um acordo nacional tão forte quanto na da educação. A sociedade brasileira tomou consciência da importância dela no mundo contemporâneo. Numa palavra, a educação se tornou a grande esperança, a grande promessa da nacionalidade e da democracia”, argumentam os ex-dirigentes do MEC, na carta.

Sobre as universidades, são destacados os pontos de acesso e permanência dos estudantes,“especialmente dos egressos das escolas públicas e das famílias de baixa renda”: “O ensino superior necessita ter qualidade, o que requer tanto constantes avaliações quanto recursos, garantindo seu papel insubstituível na formação de profissionais qualificados para um mercado de trabalho cada vez mais exigente, impactado pelos desafios das inovações e das novas tecnologias”, diz um trecho. ”A autonomia universitária é uma conquista que deve ser mantida para garantir a liberdade e qualidade na pesquisa, formação e extensão”, acrescenta a carta.

Assinam o texto os ex-ministros José Goldemberg (1991-1992), Murílio Hingel (1992-1995), Cristovam Buarque (2003-2004), Fernando Haddad (2005-2012), Aloizio Mercadante (2012-2014) e Renato Janine Ribeiro (abril a setembro de 2015). O encontro foi realizado no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA).

Para o presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), professor Luiz Davidovich, o MEC precisa ter uma agenda clara para o país: “O que se pretende com a educação brasileira? Como que faz para corrigir a educação básica, que tem sérios problemas? Como qualificar de melhor forma os professores de educação básica? Como aproveitamos melhor, através do sistema de universidades públicas, as riquezas e a biodiversidade brasileira? Quais sãos as prioridades para a educação no Brasil em termos de agenda nacional?”, questionou. “Essas pautas não estão sendo tratadas nem pelo MEC nem pelo governo”, completou.